Prefeitura afirma que profissionais vão ocupar outras funções
ADAMO BAZANI
O Sindmotoristas, sindicato que representa os funcionários dos transportes da capital paulista, anunciou que a prefeitura de São Paulo suspendeu uma modificação nos contratos com as empresas de ônibus que, na prática, acabaria gradativamente com os cobradores.
Em janeiro, como mostrou o Diário do Transporte, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora dos transportes da capital paulista, mandou ofício às empresas de ônibus que atuam nos subsistemas estrutural e de articulação regional para tratar do fim deste profissionais. Estes dois subsistemas são operados pelas chamadas “viações tradicionais”. As ex-cooperativas (subsistema local), já operam sem cobradores.
Era previsto, na ocasião que, a partir do mês de abril de 2022, conforme aditivo à concessão das companhias de ônibus, as despesas de pessoal com cobrador não fariam mais parte da tarifa atual de remuneração das viações como agora. Assim, de acordo com o documento, a partir de abril, a cada mês, a SPTrans deixaria de pagar 2,5% do valor correspondente ao custo dos cobradores às empresas de ônibus.
Relembre:
Por meio de nota, o presidente da entidade, Valdevan Noventa, disse que a extinção dos cobradores, mesmo que gradual, traria consequências sociais.
“A Prefeitura e os empresários não aguentaram a pressão dos trabalhadores em transportes. Cientes de que a luta dos condutores, a cada dia, se fortalecia com o engajamento de vários setores da sociedade, voltaram atrás desta decisão tão impopular e catastrófica socialmente. Mais uma vez vencemos a queda de braço contra aqueles que vão na contramão dos interesses dos trabalhadores e dos usuários de ônibus. E de novo, nossa união foi decisiva para a conquista desta vitória”
O Diário do Transporte procurou a SPTrans.
Em resposta, a prefeitura não confirmou claramente a suspensão do aditivo, mas negou demissão de cobradores e disse que está sendo desenvolvido um programa de capacitação profissional para o aproveitamento destes trabalhadores em outras funções.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM) e SPTrans, visando o melhor reaproveitamento dos cobradores da rede municipal de ônibus, desenvolve em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (SMDET) e as operadoras, um programa de requalificação de mão de obra em diversas áreas. Não há determinação da SPTrans para demitir cobradores do sistema. O que há é o reaproveitamento dos profissionais que deixam de ser cobradores e passam a ocupar outras funções.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
