Justiça determina perícia para verificar prejuízos aos cofres públicos pelas paralisações que ocorreram nas obras do monotrilho da linha 17

Governador João Doria em anúncio de retomada de obras em dezembro de 2020

Companhia do Metrô diz que não há mais obras paradas e que trechos que não estão no eixo prioritário poderão ser construídos em outras etapas

ADAMO BAZANI

A juíza Larissa Kruger Vatzco, da 12ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a realização de perícia para verificar os prejuízos aos cofres públicos que podem ter sido gerados pelas paralisações que ocorreram nas obras do monotrilho da linha 17-Ouro de monotrilho, sistema de média capacidade, que deveria ter sido concluído até a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

A magistrada ainda determinou que a perícia, que será feita por um engenheiro designado no processo, analise mudanças de traçado e possibilidade de omissão do Metrô e do Governo do Estado em relação à paralisação das obras.

O projeto inicial contemplava 17,7 km com 19 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi, passando por Paraisópolis. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões.

Mas agora, a linha só terá 7,7 quilômetros e oito estações entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi e o custo será em torno de R$ 5 bilhões, com previsão de entrega em 2023

Entendo necessária primeiramente a realização de prova pericial a fim de verificar a existência de omissão das requeridas em relação à paralisação das obras, assim como à mudança de traçado das linhas e a eventuais prejuízos que possam ter surgido ao erário, bem como a possibilidade de retomada de parcela das obras que ainda estejam paralisadas, bem como eventuais responsabilidades que possam ser aferidas pelo senhor perito. – diz um dos trechos da decisão

Ao longo de todo o tempo, houve problemas nos contratos com as construtoras e até mesma a falência da empresa Scomi, da Malásia, que forneceria os trens leves para o sistema, obrigando o Governo do Estado a fazer novas licitações.

A decisão, de 14 de março de 2022, atende ação da Ferrofrente (Frente Nacional pela Volta das Ferrovias) contra o Governo do Estado e a Companhia do Metrô de SP.

O processo foi movido há quase seis e, agora, a Justiça decidiu a retomada do caso.

“Finalmente, a Justiça resolveu dar sequência ao procedimento jurídico, necessário em razão da irresponsabilidade do Governo do Estado e do Metrô que paralisaram as obras. Isso é muito importante pois foi investido muito dinheiro nisso “, disse o engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Ferrofrente.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 15 de setembro de 2021, o Governo anunciou a retomada das obras.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/09/15/governo-de-sao-paulo-retoma-construcao-da-via-da-linha-17-ouro-de-monotrilho/

Em nota ao Diário do Transporte, o Metrô disse que as obras não paralisaram mais e que os outros trechos que não estão no eixo prioritário podem ser construídos em outras etapas.

As obras da Linha 17-Ouro não estão paralisadas. A construção de vias e estações, além da fabricação dos trens foi retomada nesta gestão com novas contratações para concluir o trecho prioritário de 7,7 km e 8 estações entre o Aeroporto de Congonha e a estação Morumbi (CPTM). Também não houve mudança de trajeto e os demais trechos poderão ser construídos em outras etapas com o avanço de desapropriações e ampliação do viário, por onde o monotrilho passará.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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