ENTREVISTA: Juiz de Manaus vai analisar proposta de aluguel de ônibus do Grupo Baltazar pela EAOSA e Ribeirão Pires

De acordo com a administradora da massa falida do Grupo Baltazar, Marília Ramos de Oliveira, todos os procedimentos para resguardar direitos de credores estão sendo adotados e passageiros não vão ficar sem transporte

ADAMO BAZANI

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A EAOSA e a Viação Ribeirão Pires vão fazer uma proposta à Justiça e o Ministério Público de Manaus para continuar usando os 64 ônibus que pertencem ao Grupo Baltazar José de Sousa em forma de aluguel.

A informação é da administradora da massa falida do Grupo Baltazar, Marília Ramos de Oliveira, em entrevista ao Diário do Transporte na noite desta quinta-feira, 27 de janeiro de 2022. O Grupo Baltazar teve a falência decretada em 25 de janeiro de 2022, após 10 anos de recuperação judicial.

Entre esta quarta-feira e quinta-feira, a profissional esteve em garagens do grupo fazendo a lacração dos locais e relacionando o patrimônio para garantir o direito dos credores, começando por trabalhadores.

De acordo com Marília, se aceito pela Justiça, o aluguel dos ônibus vai ocorrer somente enquanto durar a operação da EAOSA e Ribeirão Pires.

“O arrematante destas empresas, na época, fez uma proposta de continuar usando a frota deles [Grupo Baltazar] com proposta de compra futura, mas a compra não aconteceu. Foi feito só um comodato com o Grupo Baltazar que cessou em dezembro. O correto é fazer a arrecadação destes ônibus para garantir a máxima efetividade nesta arrecadação de ativos e para preservar o interesse dos credores. Foi feita uma proposta que será levada aos autos, de aluguel destes ônibus enquanto perdurar a operação [da EAOSA e Ribeirão Pires].” – disse a administradora.

Ainda de acordo com Marília, os administradores que estão à frente a EAOSA e Ribeirão Pires disseram que compraram ônibus seminovos, mas que não foram aprovados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que gerencia o sistema.

Também relataram que querem ser subcontratados pela nova concessionária dos transportes do ABC Paulista.

A reportagem apurou, entretanto, que a NEXT Mobilidade não têm interesse em subcontratar a EAOSA e Ribeirão Pires.

Como mostrou o Diário do Transporte, EAOSA (Empresa Auto Ônibus Santo André) e a Viação Ribeirão Pires não entraram na falência do Grupo Baltazar porque, em um leilão da recuperação judicial, foram arrematadas.

Mas os ônibus pertencem às empresas do Grupo Baltazar e, como bens móveis, devem, portanto, pertencer à massa falida, como determinou o juiz Rosselberto Himenes, da 7ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho, do Tribunal de Justiça do Amazonas.

O leilão ocorreu em ocorreu em 23 de março de 2021, e a EAOSA e a Ribeirão Pires foram arrematadas pela empresa ALL Transportes Eireli, pelo valor de R$ 7,5 milhões. O arremate só envolveu as marcas “EAOSA” e “Viação Ribeirão Pires” e não equipamentos, veículos de socorro e ônibus.

A ALL está registrada na sala 40 de um prédio de escritórios que fica na Rua Manoel da Nóbrega Netto, 598, centro de Diadema, no ABC Paulista, mesma região onde atuavam as empresas de Baltazar.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/10/empresa-registrada-em-sala-de-diadema-ofereceu-r-75-milhoes-pela-eaosa-e-viacao-ribeirao-pires/

De acordo com a administradora da massa falida do Grupo Baltazar, todos os procedimentos para resguardar direitos de credores estão sendo adotados e passageiros não vão ficar sem transporte.

Marília Ramos de Oliveira falou ainda que foi disponibilizado um site apenas para os credores para deixar o procedimento mais transparente: www.rjgrupobaltazar.com.br

Na decretação de falência, o juiz atendeu pedido do Ministério Público e da Administradora Judicial e concluiu que as empresas do Grupo Baltazar não tinham mais viabilidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/01/26/grupo-baltazar-jose-de-sousa-tem-a-falencia-decretada-pela-justica-de-manaus-veja-decisao-na-integra/

As linhas metropolitanas (EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) pararam de ser operadas pelas empresas do Grupo Baltazar em 15 de janeiro de 2022. Os serviços passaram a ser atendidos pela NEXT Mobilidade, no âmbito da reformulação dos transportes intermunicipais no ABC Paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/01/15/fim-do-grupo-baltazar-no-abc-passageiros-aprovam-frota-da-next-mobilidade-e-pedem-mais-horarios/

Já as três linhas municipais que uma das companhias de Baltazar operava em Santo André (Urbana), foram distribuídas no dia 27 de janeiro de 2022, entre empresas do Consórcio União Santo André: B13 e S36 – Viação Guaianazes/ETURSA (Ronan Maria Pinto) e B19 – Viação Vaz (Ozias Vaz).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/01/26/ouca-vaz-e-guaianazes-assumem-linhas-da-urbana-em-santo-andre-apos-decretacao-de-falencia-do-grupo-baltazar/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. João Carlos disse:

    Enguanto isto tudo não se resolve a população atendida por estas duas “” empresas “” continuam sendo PESSIMAMENTE atendidas.
    Até quando ??

  2. Gente (pra quem não sabe), muitos coletivos revestidos de EAOSA e RP, se olhar a placa, são coletivos (lixos) que vieram de Manaus, trocada somente a cidade, alguns deles se vê e capaz de sentir cheiro de Manauaras. Isso mesmo ! Outra coisa que poucos viram é que a própria EMTU colocou selo de aprovação no para-brisa destes cacarecos que ser em Mauá-SCS,,,há décadas vem acontecendo e as autoridades judiciais não questionam….conluio??? complacencia?? Via isso direto nas ruas de Santo André…

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