ENTREVISTA: Com faixa azul para motos, espaço para ônibus ficará mais estreito, mas CET diz que não haverá impactos no desempenho e segurança do transporte coletivo

De acordo com o diretor de planejamento e projetos da CET, Luiz Fernando Devico, medida que é experimental pode reduzir em 30% acidentes com motos e, pela primeira vez, São Paulo terá sinalizações específicas para motociclistas

ADAMO BAZANI

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Com a implantação da chamada “faixa azul” para motos na Avenida 23 de Maio, na capital paulista, a largura do espaço dedicado ao transporte coletivo vai diminuir.

Em geral, os ônibus contam com 3,85 m, com alguns pontos chegando a 5,4 m.

Com a implantação da faixa para as motos, a faixa de ônibus terá 3,4 m de largura em toda a extensão do projeto, de aproximadamente seis quilômetros entre o início da via – Praça da Bandeira e o Cebolinha, que é o complexo viário João Jorge Saad, no sentido Santana/Aeroporto.

Motoristas de ônibus e profissionais de fiscalização de tráfego entraram em contato com o Diário do Transporte receosos sobre esta redução. Segundo estes trabalhadores, há questões como volume de tráfego, alta circulação de ônibus de grande porte como os de 23 m, os pontos cegos nestes veículos de grande porte e a necessidade de andar mais junto à guia.

Um ônibus tem largura entre 2,5 m; 2,6 m e 2,65 m.

A reportagem conversou com o diretor de planejamento e projetos da CET, Luiz Fernando Devico, na tarde desta terça-feira, 11 de janeiro de 2021, que diz acreditar que não haverá problemas quanto à segurança e o desempenho do transporte coletivo.

De acordo com Devico, 3,4 metros de largura de faixa de ônibus é o que pode ser encontrado na maior parte dos pontos da cidade, sendo que em alguns lugares, como na Rebouças é menor, entre 3,1 m e 3,2 m.

“No dia a dia, eles [motoristas de ônibus] vão ver que não vai alterar a dinâmica deles. A velocidade é de 50 km/h na faixa deles e o raio de curva é bom. São 3,4 m de faixa mais 50 cm de sarjeta e mais 20 cm da pintura, o que vai dar 4,10 m” – disse Devico ao acrescentar que no sentido oposto, para quem vai do Aeroporto para Santana, toda a faixa de ônibus já é de 3,4 m de largura.

A pintura da faixa azul das motos deve ser concluída até 24 de janeiro de 2022. A operação será experimental por seis meses e, se antes disso, houver necessidade, poderão ser feitas mudanças.

A expectativa da prefeitura de São Paulo é reduzir em 30% o total de acidentes na Avenida 23 de maio envolvendo motos.

Devico disse ainda ao Diário do Transporte, que a faixa azul não será um espaço exclusivo para motocicletas.

Segundo a CET, será a primeira vez que a cidade de São Paulo terá sinalizações e placas específicas para motociclistas.

Ao longo do trecho, serão colocadas placas alertando, por exemplo, o motociclista a facilitar a mudança de faixa pelos carros, um dos momentos quando mais surgem acidentes.

A cidade de São Paulo já teve experiências em espaços para motos, como nas avenidas Sumaré e Vergueiro, que não foram bem sucedidas.

Devico disse que há diferenças entre a faixa azul da 23 de maio e das demais faixas que foram implantadas e não deram certo.

“Aquelas faixas eram exclusivas para motos, a faixa azul não será. Na Vergueiro foi implantada como opção para tirar moto da 23 de maio. Agora entendemos que se cria um espaço assim só em áreas de alto volume de motocicletas, senão se transforma aquela faixa para moto numa pista de corrida. Outra diferença é que tanto na Sumaré como na Vergueiro, se colocou motociclista do lado esquerdo e isso mudou a realidade de onde ele trafegava, além de ter deixado a moto do lado do pedestre, e aí gerava problemas. Além disso, a moto ficou onde seria a conversão, com cruzamentos em nível, e às vezes tinha entrelaçamento de cruzamento e a moto vinha e colidia” – disse

Segundo a CET, a 23 de Maio é a quarta via por onde mais passam motos na cidade de São Paulo, com 2038 motocicletas por hora no pico, ficando atrás apenas de Marginal Pinheiros (4344), Radial Leste (2318) e Marginal Tietê (2133).

Em três anos, entre 2018 e 2020, foram registrados na 23 de Maio, 150 acidentes, dos quais, 117, ou 78%, tiveram moto envolvida.

Dos 159 feridos e 12 mortos em todos os acidentes na 23 de Maio neste período, segundo a CET, 129 feridos e quatro mortos era em acidente com motocicletas.

A companhia ainda diz que circulam pela Avenida 23 de Maio, 250 mil veículos por dia, em média. Desses 50 mil são motocicletas.

Na cidade de São Paulo, de acordo com a CET, entre 2018 e 2020, os acidentes de motos geraram um prejuízo de 2,14 bilhões, entre mobilização de estrutura, danos materiais, gastos médicos e perda de produtividade.

No mesmo período, os acidentes de moto na 23 de Maio custaram R$ 10,92 milhões.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Socorrista Rogério disse:

    Chegou a hora de todos os motoristas de ônibus, caminhão e veículos leves se juntarem e ir contra o transporte de motocicletas.
    A maioria dos motociclistas não respeitam as leis de trânsito e nem as sinalizações.
    Fazem de tudo e não são multados, dão um jeitinho colocando a mão na placa ou andam no meio fio para não serem multados.
    Essa prefeitura como as outras só favorecem os infratores de duas rodas.
    É só fiscalizar, multar ou proibir a circulação de motos em algumas vias, assim eles aprendem como devem transitar nas vias obedecendo as leis.
    Motoristas profissionais e amadores é hora de falar e fazer, não vamos ficar parados, porque já tem deputado que quer legalizar o grau( empinar a moto na via), uma manobra de acrobacia que coloca vidas em risco.
    Chega dessa bagunça, todos os motoristas devem respeitar as leis, assim diminuí em 95%os acidentes.

    1. José Carlos Franco disse:

      Sou motociclista a 52 anos, tráfego diariamente com moto.
      Sofri 2 atropelamentos por autos, sendo o último parado em 1 farol esperando a minha vez p atravessar. Graças a Deus, nenhum dos meus acidentes trouxe nenhuma internação ou sequela. Só prejuízos materiais.
      Todo esse tempo me mostrou q existem muitos motoristas q odeiam os motociclistas,.
      Deve ser imveja por ficarem presos nos congestionamentos enqto nós circulamos livres leves e soltos. Tbm somos muito admirados por mulheres.
      Concordo com a afirmação de que muitos moto frentistas desrespeitam as leis de trânsito e explico q o principal motivo p tal atitude é q esses heróis correm contra p tempo p conseguir ganho suficiente p seu sustento.
      Se regulamentassem essa profissão, como fizeram com o táxi, o cenário mudaria.
      Da minha parte nada posso fazer, por enqto só aumentei a gorjeta q dou p eles.

    2. José Carlos Franco disse:

      Sr Rogério
      Ainda bem q o Sr não é da Área da Saúde responsável pelo combate à AIDS.
      Se fosse acho q o Sr. Iria mandar cortar todos os Bráulios dos brasileiros, p poder controlar a epidemia.

  2. Clecio Brito disse:

    Ideal seria proibir motos em vias expressas, não respeitam setas, motorista vai mudar de faixa , da seta eles não respeitam. Vem a milhão!

  3. Efc disse:

    A CET quer fazer o que é barato para ela e não necessário para as categorias de veiculos, onde os conflitos pelo espaço sempre será uma constante entre os usuários e não em quem deveria fazer o certo, o correto e o justo há muito tempo. Quando uma companhia de tráfego não acompanha a demanda, o crescimento de muitos veículos dentro do sistema de trânsito, fica totalmente invulnerável, deixou a situação crescer sem cuidar é nisso o que da e vemos por aí.

  4. Marcelo de Souza Villalba disse:

    Moro em Indaiatuba e quando me perguntam por que o prefeito não autoriza mototáxi, respondo com outra pergunta: já visitou a ortopedia do hospital? Que prefeitura seria insana assim? Essa matéria me respondeu!

  5. Regis Campos disse:

    As prefeituras e governos de estado estão gostando de bancar os mengeles com a vida dos cativos das suas grandes prisões sem muros. Bora testar mais uma ideota do burocrata do trânsito número 72 para ver como as cobaias reagem. Se reclamarem, tem como encaixar mais um pacote de maldades para fazer o gado ficar quieto.

  6. Eduardo G Cavalcante disse:

    Essa faixa azul será um tiro no pé, e como sempre dinheiro jogado no ralo, infelizmente não existe seriedade nos projetos que executam na cidade

  7. CASSIO APARECIDO RICOMINE disse:

    Motoqueiros maioria são imprudentes e abusados, acham que sempre estao certos, mas são eles que causam maiores problemas no trânsitos, sobem calçadas, andam contra mão, fazem manobras perigosas e cet se preocupas com esses tipos de imprudentes, enquanto os onibus que trasporta vidas de trabalhadores , estudantes e idosos ficam com espaços limitados, só aqui no Brasil mesmo!

  8. Fernando Grigorian disse:

    Tudo errado como aempre!

  9. Luiz disse:

    Se os motoqueiros respeitarem as leis de trânsito e seguir o que as placas de trânsito indicam, eles não morrerão em grande número e os demais motoristas irão respeita-los mais, juntamente com os pedestres.

  10. Albino disse:

    Na prática a faixa da esquerda vai ser deles também porquê será impossível vc entrar e sair dela em baixa velocidade com um corredor de motos andando em alta velocidade.
    Idéia cençacionau de um funça bem pago que vai matar mais motoqueiros insanos do que o modo atual.

  11. Otávio Barbosa disse:

    Nada muda bando de reclamão! Estão apenas delimitando um ‘espaço’ que sempre foi usado. Agora ao invés do motoca andar entre duas faixas, ele terá uma faixa preferencial.

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