Eletromobilidade

ENTREVISTA: Ônibus de 22 metros 100% elétrico da BYD recebe aprovação da SPTrans para a capital paulista

Informação é da fabricante BYD; Já em São José dos Campos (SP), primeiras unidades devem começar a operar neste mês em linhas comuns

ADAMO BAZANI

Colaborou Willian Moreira

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O primeiro ônibus de 22 metros de comprimento totalmente elétrico fabricado no Brasil teve os principais requisitos aprovados pela SPTrans (São Paulo Transporte), órgão gerenciador do transporte coletivo na cidade de São Paulo, em testes de desempenho e aplicação para as condições de tráfego da capital paulista.

A informação é da BYD (Build Your Dreams), empresa chinesa, instalada em Campinas, no interior paulista.

O modelo é o D11B, com capacidade de transporte para em torno de 170 passageiros, sendo movido totalmente a baterias de fosfato ferro lítio e tem emissão zero de poluentes.

O diretor institucional da divisão de ônibus da BYD Brasil, Marcello Von Schneider, disse em entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta terça-feira, 07 de dezembro de 2021, que a análise da SPTrans foi criteriosa e avaliou aspectos como comportamento em curvas, aclives, declives, pesos, desempenho em geral, frenagem, tempo de carga do sistema pneumático, aceleração e o atendimento aos manuais técnicos da gerenciadora paulistana, considerados um dos mais exigentes e usados como modelo em outras cidades.

Schneider explicou que o ônibus já está homologado para a venda, com unidades entregues em São José dos Campos, no interior paulista, e que empresas da capital já mostraram interesse.

De acordo com o executivo, a partir de janeiro de 2022, a BYD vai disponibilizar duas unidades para que as empresas da cidade de São Paulo façam os testes com passageiros.

A prefeitura de São Paulo anunciou a meta de até o final de 2024 ter em circulação ao menos 2,6 mil ônibus elétricos de diferentes portes.

A estimativa é que a troca de frota de forma mais intensa comece em 2022 com ônibus do tipo padron (sem articulação) e que os articulados elétricos comecem ser inseridos mais amplamente a partir de 2023.

“Os testes com passageiros devem começar pelas empresas que mostrarem o interesse em realizar as aquisições antes” – disse Schneider, que acrescentou que a BYD tem condições fabris de atender à demanda de ônibus para a capital paulista.

“A gente tem capacidade de produção em Campinas de duas mil chassis do modelo padron por ano e mil unidades do articulado” – garantiu.

Os ônibus de 22 metros são indicados em especial para corredores, mas podem operar em vias comuns.

Esta, inclusive é uma das características operacionais da cidade de São Paulo, onde muitas vezes um ônibus articulado ou “superarticulado” opera um trecho da linha em corredor e outra parte da linha em vias comuns ou faixas à direita.

A presença dos tipos “superarticulados”, ônibus com quatro eixos e maiores que os articulados de 18 metros, também é uma das características dos transportes da cidade.

Atualmente, de acordo com os indicadores da SPTrans, a cidade de São Paulo tem uma frota contratada de 13.806 ônibus de diferentes portes.

Apenas 219 são não poluentes na operação, ou seja, menos de 2%;  sendo 18 elétricos à bateria, operados pela Transwolff na zona Sul; e 201 trólebus (conectados à rede área), da Ambiental Transportes (Consórcio TransVida), que ligam a zona leste ao centro e parte das zonas Oeste e Sudeste.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS:

O diretor institucional da divisão de ônibus da BYD Brasil, Marcello Von Schneider, disse também na entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta terça-feira, 07 de dezembro de 2021, que as primeiras unidades do ônibus de 22 metros 100% elétrico devem começar a operar neste mês de dezembro de 2021 em São José dos Campos, no interior paulista, nas linhas já existentes.

A própria prefeitura adquiriu 12 ônibus para o Corredor Verde, projeto de transportes com zero emissão, cujo primeiro trecho deve ser inaugurado em março de 2022.

Mas a intenção da prefeitura é operar alguns destes veículos antes da infraestrutura com passageiros.

“Estes ônibus inicialmente vão operar em linhas regulares para serem mostrados à população antes da finalização da Linha Verde. À medida que a linha for concluída, os ônibus vão migrando” – explicou

O ÔNIBUS:

O modelo D11B tem capacidade de transporte para em torno de 170 passageiros, dependendo da configuração interna e das exigências de cada gestora de transportes. O comprimento é de 22 metros.

São quatro eixos, dois na parte anterior à articulação e outros dois na parte de trás, sendo o último direcional para as curvas, ou seja, esterçam como o eixo da frente, mas em ângulo oposto, o que ajuda nas manobras.

A tração é 100% elétrica com baterias de fosfato ferro lítio.

A produção de baterias de fosfato ferro-lítio-ferro (LiFePO4), usada nos ônibus articulados, é totalmente feita na planta da BYD em Manaus, o que segundo a fabricante, permite o atendimento à demanda nacional e redução de custos.

A emissão de poluentes na operação é zero e os níveis de ruídos são mais baixos que um ônibus comum a diesel.

A autonomia das baterias é em torno de 250 quilômetros sem a necessidade de uma recarga, ou seja, com a carga completa.

O tempo médio de recarga é de três horas, segundo a BYD.

VANTAGENS:

A fabricante BYD enumera o que considera vantagens técnicas, operacionais e de custos de ônibus elétricos

  • Os ônibus articulados 100% elétricos são grandes aliados na redução de poluentes locais e de gases que causam efeito estufa, além de baixa emissão de ruídos.
  • Cada ônibus elétrico padron em circulação representa em média o plantio de 750 árvores por ano.
  • O ônibus BYD usam bateria de ferro-lítio. Na aplicação veicular dura 15 anos e não possui metais pesados na composição.
  • O custo médio para abastecer baterias elétricas pode chegar a ser 64% menos do que o gasto com combustível a diesel
  • Para abastecer um ônibus a diesel, o gasto pode chegar a R$ 18 mil por mês, para rodar toda a linha. Se for ônibus elétrico, o custo baixa para R$ 3 mil para rodar a mesma linha. Uma diferença de seis vezes.
  • A vida útil dos ônibus elétricos chega a 15 anos, enquanto os ônibus a diesel chegam a 10 anos, com média de 5 anos.
  • Um ônibus elétrico articulado reduz a emissão em mais de 184 toneladas de gás carbônico na atmosfera, o equivalente ao plantio 1.311 árvores por ano. Um ônibus a diesel comum consome 90 litros de diesel em um dia de operação

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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