ENTREVISTA: Aparelho autorizado pela SPTrans promete descontaminar interiores de ônibus, inclusive eliminando o novo coronavírus

Chamado de Halo Led, equipamento é instalado junto ao ar-condicionado dos coletivos e possibilita a descontaminação inclusive de balaústres, bancos, catracas sem a necessidade de limpeza a cada parada do veículo nos terminais e pontos finais

ADAMO BAZANI

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Um aparelho instalado junto aos dutos de ventilação do ar-condicionado de ônibus pode descontaminar o salão de passageiros e postos do motorista e cobrador, eliminando fungos, bactérias e vírus, inclusive o novo coronavírus, por meio da liberação no ambiente de uma substância chamada peróxido de hidrogênio.

O equipamento, chamado comercialmente de Halo Led, também pode descontaminar balaústres, bancos, catracas sem a necessidade de limpeza a cada parada do veículo nos terminais e pontos finais.

Pelo menos é o que promete a empresa que trouxe a tecnologia para o Brasil, Mercato Automação.

De acordo com o gerente do laboratório de Metrologia da Mercato, André Rodrigues de Farias, o produto já possui certificações internacionais e teve o uso autorizado pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista.

O Diário do Transporte procurou a SPTrans que confirmou que acompanhou as análises de resultados de eficiência do produto e que não faz restrição ao seu uso na frota paulistana. (Veja nota oficial mais abaixo)

Atualmente, três ônibus rodam na cidade de São Paulo com o equipamento, sendo um da Ambiental Transportes Urbanos, um da Express Transportes Urbanos e outro da Via Sudeste, operadoras da cidade.

André Rodrigues de Farias explicou que o aparelho, conectado ao sistema elétrico do ônibus, possui em seu interior uma célula de luz ultravioleta e placas com metais especiais.

Quando o ar entra em contato com esta luz e estas placas, é formada dentro do aparelho uma reação química que gera a substância chamada peróxido de hidrogênio.

É o peróxido de hidrogênio, imperceptível ao olho nu, que será liberado no ambiente interno do ônibus.

Farias explica que uma das ações deste elemento químico é que em contato com o novo coronavírus consegue destruir a capa de gordura que o envolve, eliminando-o.

Em grosso modo, é semelhante ao que fazem o álcool em gel, álcool 70% e o sabão quando tocam e destroem o vírus causador da covid-19.

“A diferença é que o álcool e o sabão eliminam a ação do vírus, mas secam e quando entra uma pessoa contaminada, toda a eficácia é perdida. Já o Halo Led fica gerando constantemente o peróxido de hidrogênio no ônibus, ou seja, sempre o ambiente estará sendo descontaminado” – disse.

Outra vantagem, segundo André Rodrigues de Farias, é que a tecnologia dispensa a necessidade de uma pessoa ficar pulverizando algum produto dentro do ônibus já que seu processo é automático.

“Tanto é que a SPTrans nos informou que se todos os ônibus de uma linha já estiverem com o equipamento, não será mais necessária a desinfecção em cada viagem, basta a limpeza normal na garagem como sempre ocorreu”

O profissional explica que o equipamento tem três tipos de ações contra os vírus, fungos e bactérias.

“Primeiro, a estrutura de composição dele tem uma luz ultravioleta de espectro germicida. Então, o contaminante que passou por esta luz vai ser inativado. No caso do vírus, a luz ultravioleta quebra sua cadeia de reprodução, atacando o DNA do vírus que não pode se reproduzir mais. Numa segunda ação, o aparelho vai estar gerando peróxido de hidrogênio que será insuflado no ambiente. Esse peróxido de hidrogênio é um oxidante que quando entra em contato com vírus, bactéria ou outros compostos vai quebrar essa cadeia de proteção, no caso do vírus, por exemplo, ele tem uma capa de gordura, de proteína, que protege o vírus do oxigênio. Ao entrar em contato com essa capa de gordura o peróxido de hidrogênio vai rompê-la, expondo o vírus ao oxigênio e às outras moléculas de peróxido, destruindo-o. E uma terceira ação, ele é um ionizador bipolar, ou seja, ele vai carregar as moléculas de ar dentro do ambiente, como fuligem, poeira, gotículas de saliva dentro do ambiente. Carregando-as magneticamente, vai fazer com que elas se aglomerem, fiquem num tamanho maior e se precipitem”

A ação é válida em qualquer variante do novo coronavírus, mesmo a mais recente Ômicron, porque o processo de destruição da membrana que o envolve é o mesmo para todas as versões e cepas do víru.,

André Rodrigues de Farias diz que o peróxido de hidrogênio não faz mal à saúde de pessoas e animais e que já é usado na América do Norte, Ásia e Europa há mais de 30 anos em escritórios, prédios e até mesmo em veículos de transportes públicos.

“Pode inclusive descontaminar as roupas e pertences dos passageiros e até quem tem problemas como rinite e sinusite se sente melhor num ambiente com peróxido de hidrogênio por causa de sua ação descontaminante” – garantiu.

O diretor de laboratório disse que a instalação demora cerca de 50 minutos e que não é necessária manutenção do aparelho, somente uma limpeza na grade quando forem limpados os equipamentos de ar-condicionado.

Farias promete uma vida útil entre cinco e sete anos e a garantia é de quatro anos.

O profissional disse que um dos testes em laboratório aprovado pela SPTrans mostrou que a eficiência em eliminar fungos, vírus e bactérias foi de 98% sem as limpezas de parada. Foi avaliado o período de uma semana.

Foram realizados também ensaios no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Por meio de nota, a SPTrans informou que fez uma série de exigências à empresa e detalhou a linha na qual foi realizada as avaliações de laboratório.

A SPTrans informa que durante a fase de testes do equipamento  HALO-LED, foi exigido uma série de medições e elaboração de relatório de análise com acompanhamento das equipes técnicas das áreas de engenharia, operacional da SPTrans e da concessionária que disponibilizou os veículos para os ensaios.

 O dispositivo foi testado por laboratório idôneo em ônibus operando na linha 2678-10 Oliveirinha / Parque D. Pedro II  para garantir que os ensaios fossem feitos nas condições reais do sistema, permitindo avaliações com as variáveis práticas não alcançadas em laboratório. Nos ensaios foram realizadas coletas de fungos e bactérias  no ar e superfícies no interior do veículo.

A compra e a instalação do equipamento é responsabilidade das empresas operadoras. A SPTrans não faz restrição ao uso na frota de veículos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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