Valores residuais em cada cartão podem ser pequenos, mas somados, podem chegar a uma quantidade expressiva que passageiros não conseguirão usar; Secretário disse que isso será visto “lá na frente” e que agora “não é problema”
ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA
Os passageiros dos transportes metropolitanos de São Paulo podem perder recursos milionários que já pagaram com a entrada do Cartão TOP no lugar do Cartão BOM.
Esse risco mora nos “residuais” do saldo do Cartão BOM. São aqueles pequenos valores que não são suficientes para pagar uma outra passagem, mas que não vão ser usados.
O problema ocorre porque o Governo do Estado de São Paulo disse que o BOM poderá ser usado até o final, mas não haverá transferência de saldo do BOM para o TOP.
A partir de janeiro de 2022 não será mais possível carregar o BOM, para quem quisesse completar o valor de uma passagem, por exemplo. Ou seja, o residual, dinheiro já pago, vai ficar no BOM, sem o passageiro poder fazer uso.
Segundo o site do Cartão BOM, havia cerca de dois milhões de cartões ativos.
Por exemplo, se a pessoa tem R$ 10 de saldo e pega uma linha de ônibus gerenciada pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) cuja tarifa é R$ 6,80, sobrarão R$ 3,20. Só que estes R$ 3 não são suficientes para pagar nenhuma outra tarifa. Se não haverá transferência de saldo, o que vai acontecer com estes R$ 3,20? Este dinheiro o Governo já recebeu diretamente do passageiro no caso do BOM Comum ou da empresa que o emprega, no caso do Vale-Transporte.
Um exemplo de linha com tarifa neste valor é a 152 -São Bernardo do Campo (Área Verde)/ São Paulo (Terminal Sacomã), operada pela Viação Riacho Grande. Essa linha se integra pelo BOM com o sistema de trilhos pelo Sacomã, que dá acesso à linha 2-Verde do Metrô.
Ocorre que uma quantidade significativa de cartões poderá ter estes saldos residuais.
O secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo José Galli, disse ao Diário do Transporte que o assunto só será pensado pelo Governo do Estado, depois.
“Isso a gente vai ver lá na frente. Agora vamos deixar as coisas acontecerem, os cartões serem implementados. Este assunto a gente vai discutir quando realmente for um problema. Hoje ele não é” – disse sem dar mais detalhes.
Ouça:
O coordenador de mobilidade do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Rafael Calábria, disse que o ato é uma prática abusiva que que o passageiro não deve pagar por uma escolha do Governo do Estado em trocar o Cartão.
“O usuário não pode ter um ônus para continuar tendo acesso à bilhetagem porque o Governo do Estado decidiu mudar o bilhete. O que se espera é que o Governo do Estado dê transparência a este ponto da mudança, atenda a cada uma das pessoas e proceda eletronicamente uma transferência. O acesso ao dinheiro que é da pessoa é garantido por lei. “ – disse Calábria.
“É uma questão relevante sim. Podem ser valores pequenos por cartões, mas somando, no total é um valor grande” – complementou
Ouça:
Por meio de nota ao Diário do Transporte, o Procon também defende que todos os valores sejam usados pelos passageiros com a transferência entre cartões.
Os créditos existentes no cartão BOM terão que ser esgotados, não pode haver cancelamento sem que eles sejam utilizados qualquer que seja o pretexto.
Sendo criado um novo cartão os créditos devem ser passados para o novo cartão ou o cartão anterior deve ser mantido com o usuário até o esgotamento dos créditos existentes.
CRONOGRAMA:
O Governo do Estado estipulou um cronograma para a mudança de cartões dependendo da modalidade: Vale-Transporte, Comum, Escolar, Senior, Especial e Empresarial.
Como mostrou o Diário do Transporte, o BOM deixará de existir e gradativamente está sendo substituído por um novo cartão, chamado TOP.
Relembre:
Os créditos do Cartão BOM não serão transferidos para o Cartão TOP.
A partir de janeiro de 2022, não será possível carregar mais de créditos o BOM.
Assim, o passageiro terá de pedir o novo cartão.
Para isso, deve seguir os passos:
- Baixar o Aplicativo TOP no celular
- Realiza o cadastro neste aplicativo do TOP
- Escolher receber seu cartão TOP em casa, o envio terá custo
Também é possível obter a primeira via do cartão gratuitamente nas lojas Pernambucanas, levando RG, CPF originais e comprovante de residência.
A STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) estipulou um calendário de troca.
Para mais informações sobre a troca do cartão, o passageiro deve acessar https://www.boradetop.com.br
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte
