Eletromobilidade

ENTREVISTA: Higer, TEVX e SPTrans apresentam novo modelo de ônibus elétrico que será testado na capital paulista

Inicialmente serão três viações a operar o veículo; Empresa chinesa garante que ônibus foi preparado para operar com peças nacionais e oferece pacote de aluguel por 15 anos que inclui o veículo, fornecimento de energia, manutenção, peças de reposição, carregadores e substituição de baterias, com devolução ao final do período

ADAMO BAZANI

OUÇA AQUI:

A Higer Bus, fabricante chinesa de ônibus elétricos, a TEVX, representante da marca no Brasil, e SPTrans, que gerencia os transportes da cidade de São Paulo, apresentaram nesta quinta-feira, 11 de novembro de 2021, o modelo de ônibus elétrico Azure A12BR, que vai ser testado em parceria com as empresas Transwolff, que atende à zona Sul; Sambaíba, na zona Norte; e Metrópole Paulista, na zona Leste.

O Diário do Transporte já havia anunciado o envio do ônibus da China para o Brasil.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/07/19/audio-chinesa-higer-embarca-onibus-eletrico-para-o-brasil-e-testes-serao-em-empresas-da-capital-paulista-e-ribeirao-preto/

A reportagem conversou com o diretor geral da Higer Bus para América do Sul, Marcelo Barella; e com o sócio-diretor da TEVX Motors Group, Celso Antonio Barreto; que afirmaram que antes de operar nas empresas de ônibus transportando passageiros, o veículo será submetido, na semana de 22 de novembro de 2021, a testes ainda sem passageiros com a própria SPTrans.

Os equipamentos estão no complexo Santa Rita, da SPTrans, e o veículo inicialmente vai circular em período do noturno com pesos simulando lotação de passageiros. Será um monitoramento técnico para a próxima fase que será com as empresas de ônibus, que aí sim transportarão os passageiros” – disse Barella.

“Foi contratada uma empresa externa e independente, creditada pela SPTrans, que vai acompanhar todos estes testes e verificar os resultados, dando credibilidade, isenção e confiança aos testes” – disse Barreto .

O ÔNIBUS:

O ônibus é o modelo Azure A12BR (tipo básico da SPTrans), de 12 metros de comprimento com capacidade para 70 passageiros e duas portas de acesso.

O peso é de 13,7 toneladas, o que segundo a empresa, pode ser de uma a duas toneladas menor que ônibus similares do mesmo porte. O tempo de recarga das baterias pode ser entre 2h30 e 3h e a autonomia das baterias entre 250 km e 270 km com uma carga única.

O ônibus é do tipo monobloco, que não necessita de encarrroçamento. Deve ser mantido este modelo quando as importações começarem para o Brasil.

Apesar de ser feito China, Barella e Barreto afirmam que o ônibus todo foi preparado para o mercado nacional, por isso a sigla BR na nomenclatura, inclusive sendo firmadas parcerias com fabricantes que estão instaladas no Brasil.

“O ônibus foi feito e configurado para as nomas no Brasil de segurança e acessibilidade, como a NBR 15570. A maioria dos componentes do Azure é de fabricantes que têm estrutura no Brasil; por exemplo, os eixos são da ZF, os motores são da Dana, o ar-condicionado é da Valeo, a direção hidráulica é da Bosch, a parte de suspensão da TRW, freios da WABCO entre outros. Com isso, a gente quer dar tranquilidade ao operador que ele vai ter pós-venda e peças de reposição.” – exemplificou Barella

Barreto explica que o ônibus vai ser importado no sistema PKD, ou seja, toda a estrutura do ônibus será trazida sem os componentes, que serão instalados no Brasil. Por isso, que será possível o uso de peças nacionais, sendo a Higer responsável, além da carroceria e chassis, pela bateria e por toda a “inteligência” do sistema.

“A grande tecnologia da Higer é a gestão dos controladores e inversores de energia, além das baterias. A gente tem um pacote cinco em um, de uma central total, diferentemente de outras marcas, com isso, ganhamos em peso e custo de manutenção. A tecnologia de monobloco, que estamos reinserindo no Brasil, é a mais indicada. Isso porque, o ônibus elétrico é muito sensível a peso e volume. A Higer tem chassis, mas as carrocerias brasileiras são muito pesadas, o que deixa de uma a uma tonelada e meia a mais”

DIFERENCIAIS:

A Higer enumerou algumas características do modelo que, segundo a fabricante, o diferenciam de outros ônibus elétricos disponíveis no Brasil.

– Piso Baixo Total: diferentemente dos modelos atuais Low Entry, com piso baixo só até a metade do ônibus e degraus no corredor, o Azure A12 BR tem toda a extensão (para-choque a para-choque) com piso baixo. (Atualmente, de piso baixo total só existem os Busscar Urbanuss Pluss LF, que são trólebus – ligados à fiação – que operam pela Next Mobilidade/Metra no Corredor ABD, entre a região do ABC e a cidade de São Paulo).

– Motor traseiro em vez de motor nas rodas: Para a Higer, a posição é melhor por evitar problemas que possam ser gerados pelas instabilidades do pavimento.

– Tempo de recarga: A Higer promete um tempo de recarga de 2h30 a 3h.

– Autonomia: Pode varia entre 250 km e 270 km

– Carregador tipo DC para baterias do ônibus: Segundo a Higer, a tecnologia dispensa a necessidade de transformador dentro do ônibus. Isso porque, as baterias são carregadas em todo o tipo de ônibus no modo DC, mas os carregadores no mercado são do tipo AC, sendo necessário o transformador. Com isso, é possível o carregamento ser mais rápido e a eliminação de um peso de 200 kg a 300 kg.

– Carregadores de celular para quem está em pé: além de entradas USB nos bancos, há também nas colunas

– 5G: O ônibus tem preparação para o wi-fi 5G, tecnologia que está entrando no Brasil

PACOTE COM ÔNIBUS, ENERGIA, BATERIAS E DEVOLUÇÃO:

A Higer diz ainda que firmou uma parceria com a ENEL e a ENGIE que engloba não só a aquisição do ônibus, que segundo a empresa, fará com que a vida útil do veículo tenha um custo menor em comparação a outros ônibus elétricos.

Trata-se de uma espécie “de aluguel” ou “leasing” de duração de 15 anos. Ao fim deste período, o ônibus é devolvido à Higer.

Este “aluguel” é um pacote, que engloba a aquisição do ônibus, fornecimento de energia elétrica, manutenção, peças de reposição, os carregadores e troca de bateria no oitavo ano, com o descarte sendo de responsabilidade da Higer.

“Não existe no Brasil um pacote de financiamento com este prazo. São pagamentos mensais que são bastante enquadrados na realidade dos operadores” – disse Barella.

“Com isso, ao longo de toda a sua vida, o ônibus vai ficar mais barato que as outras opções de modelos de negócios hoje existentes no Brasil” – afirmou Barreto.

OUÇA:

Veja algumas imagens:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Joao Luis Garcia disse:

    Fica apenas uma dúvida, como será a classificação desse veículo pela SPTRANS se com apenas 12 metros ele não carregará o mínimo exigido para receber a classificação de “ Padron “

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