Relatório final de CPI da BHTrans pede o indiciamento de Alexandre Kalil

Documento enquadra o prefeito Kalil nos crimes de peculato, prevaricação e condescendência criminosa e ainda de outras 38 pessoas. Foto: Divulgação / Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Documento deve ser encaminhado ao Ministério Público de Contas e Ministério Público de Minas Gerais

WILLIAN MOREIRA

A CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) da Câmara Municipal de Belo Horizonte que investiga a BHTrans, aprovou nesta segunda-feira, 08 de novembro de 2021, o relatório final que soma o resultado de quase seis meses de investigações, pedindo o indiciamento do prefeito, Alexandre Kalil.

O documento tem mais de 400 páginas e enquadra o prefeito Kalil nos crimes de peculato, prevaricação e condescendência criminosa e ainda de outras 38 pessoas.

Dentre os mencionados estão funcionários de carreira da BHTrans e os nomes dos empresários André Luiz Barra e Renata Barra, pai e filha, proprietários da empresa Tecnotran, essa última apontada como responsável pela elaboração das propostas da concorrência pública da concessão da exploração do transporte público em 2008.

A CPI sugeriu também o indiciamento de empresários de ônibus pelos crimes de formação de cartel e associação criminosa; da Transfácil pelo crime de apropriação indébita; e do ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada e dos servidores Daniel Marx Couto e Adilson Elpídio Daros pelo crime de associação criminosa.

O inquérito final faz mais outra recomendação, a da extinção do contrato da licitação de 2008 e sugere o encaminhamento dos documentos ao Ministério Público de MG e Ministério Público de Contas.

OUTRO LADO

A Prefeitura de Belo Horizonte enviou ao Diário do Transporte um esclarecimento sobre o resultado do relatório. Confira:

A respeito do resultado do relatório político da CPI da BHTrans, a Prefeitura de Belo Horizonte volta a esclarecer que todos os repasses de recursos às empresas de ônibus (por meio de Vale Transporte) foram feitos com a aprovação do Ministério Público estadual e Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. E que, diferentemente de outras cidades que subsidiam o transporte público, ou aprovaram subsídios na pandemia, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Brasília, Vitória, Curitiba, Goiânia, Maceió e Londrina, em Belo Horizonte, não se trata de subsídio e já está sendo devolvido à Prefeitura.

Importante ressaltar que o objetivo desta CPI era avaliar os contratos firmados em 2008 (portanto, há 13 anos) entre a Prefeitura de Belo Horizonte e as referidas empresas de ônibus. O prefeito Alexandre Kalil reitera que “estamos longe das eleições e temos que cuidar da cidade”.

SOBRE A CPI

A CPI foi criada em maio deste ano com a assinatura de 20 vereadores de Belo Horizonte para apurar a omissão da empresa de transporte e trânsito nos constantes desrespeitos as normas de prestação do serviço de transporte público pelas empresas de ônibus concessionárias.

No processo da comissão, foram realizaras 44 oitivas, 31 quebras de sigilo fiscal e bancário, além de centenas de requerimentos e pedidos de informações.

Willian Moreira e colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Cadeia,banimento da vida pública,política e empresarial para sempre dos envolvidos,todos,sem exceção,falência e proibição de retorno as atividades das pessoas jurídicas envolvidas para sempre e confisco de TODOS os bens.Que apodreçam na cadeia.Estatização total e eterna de tudo é a solução.Basta de vigarices,crimes e mentiras desse sistema criminoso e ilegal.

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