Abrati aponta que riscos para passageiros no transporte irregular estão maiores no setor rodoviário

Acidentes e viagens interrompidas por apreensões são alguns dos problemas que podem ser enfrentados. Foto: Divulgação / ANTT.

Segundo a associação, números de acidentes e apreensões de ônibus irregulares em outubro revelam cenário de falta de segurança para passageiros e motoristas nas estradas brasileiras

JESSICA MARQUES

A Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros) apontou que os riscos para os passageiros no transporte irregular estão cada vez maiores no setor rodoviário.

No mês de outubro, foram registrados acidentes graves com ônibus clandestinos nas rodovias brasileiras. Na madrugada de 10 de outubro, por exemplo, uma ocorrência de tombamento de ônibus, que transitava na BR-040, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, resultou num total de 45 vítimas, e uma pessoa morta.

Em nota, a Abrati aponta que “o episódio expõe a trágica situação do transporte irregular no país”.

Além disso, no feriado de 12 de outubro (entre 0h do dia 8 e 24h do dia 12), a Polícia Rodoviária Federal registrou 1.038 acidentes, sendo 261 ocorrências graves nas rodovias federais brasileiras, que resultaram em 86 mortes e 1.231 feridos.

A porta-voz da Abrati, Letícia Pineschi, afirma que o transporte irregular no setor rodoviário é uma atividade que põe em risco a vida dos passageiros. “Os veículos clandestinos costumam oferecer aos passageiros um atrativo: o preço mais baixo em relação ao transporte regular. Mas a vantagem é só uma ilusão. A tarifa não leva em conta o preço pago por viajar em veículos de idade avançada, em condições precárias de manutenção, que muitas vezes não passam pelas inspeções obrigatórias em que são verificados os equipamentos de segurança. Os clandestinos podem oferecer viagens mais baratas. Só que muitas vezes elas não têm volta”, destaca.

A executiva ressalta ainda que além dos riscos à vida dos passageiros, existe também o abandono dos mesmos à própria sorte, quando a fiscalização efetua interrupções de viagens clandestinas compradas por meio de aplicativos que vendem os serviços intitulados como “fretamentos colaborativos”, que na realidade são empresas não autorizadas ao transporte público operando à margem da legalidade.

“Nesses casos, além de perder o feriado e todos seus planos de viagem , os passageiros ainda passam horas nas rodovias aguardando pelo socorro de um serviço regular que nem sempre ocorre rapidamente em função da imprevisibilidade”, afirma.

APREENSÕES

De acordo com dados da Operação Centauro, realizada de 8 a 16 de outubro, pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) com o intuito de combater o transporte não autorizado de passageiros, nestes oito dias, a agência fiscalizou 3.422 veículos e 218 foram apreendidos.

A ação ocorreu em 27 pontos do Brasil e para uma melhor eficácia das fiscalizações, os servidores da ANTT tiveram o apoio da Polícia Rodoviária Federal, polícias militares estaduais e de outros órgãos da administração pública, como a Receita Federal e os DERs (Departamentos Estaduais de Estradas e Rodagens).

Para a Abrati, esses números ressaltam que a situação do transporte clandestino é realmente preocupante para o país.

“Usuários desse tipo de transporte não têm nenhuma garantia e qualquer tipo de amparo caso algum acidente ou apreensão venha a acontecer. Por isso é fundamental o usuário estar atento para utilizar o transporte regular. Ele segue regras, as empresas são fiscalizadas e vistoriadas frequentemente, pagam tributos, cumprem as leis e normas trabalhistas, oferecem benefícios aos motoristas e ainda arcam com custos de manutenção e seguro-acidente. Uma boa viagem começa pela escolha segura, confortável e confiável de uma empresa legalizada”, ressalta Letícia Pineschi .

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. DeSouza disse:

    Em que pese o fato dos níveis de segurança serem mais elevados nas empresas mais estruturadas, isso não impede que se envolvam em acidentes graves – neste mês ocorreu com uma das afiliadas da ABRATI, de nome Gontijo.
    Mas envolver-se não significa ‘provocar’, pois sabido é que outros fatores envolvem o resultado acidente, dentre eles o terceiro veículo.
    A Antt bem que poderia divulgar os dados que colige sobre acidentes envolvendo os serviços de transporte, mas curiosamente sequer os utiliza em um propalado é desconhecido indicador de desempenho.
    Seria bem educativo e ilustrativo sobre a segurança do sistema.

  2. Pietro Sande Duibint Novais S disse:

    Se não tem fiscalização, é natural que os clandestinos façam mais viagens e o resultado já sabemos qual é

    1. DeSouza disse:

      Meu caro, permita-me discordar. Primeiramente porque a ANTT faz uma fiscalização exemplar, não podendo ocupar 100% do espaço rodoviário em 100% do tempo, e as inúmeras matérias veiculadas neste Diário atestam isto. Mas principalmente porque sem um índice que correlacione nº de acidentes por km rodado no setor, não se pode afirmar quem seja o mais letal – veja que, se a sua afirmativa é verdadeira, o indicador de acidentes com veículos fretados tende a ser menor que o indicador de linhas regulares, mas é mera suposição. A agencia reguladora federal tem os dados nas mãos, mas se omite em informar publicamente, ao que parece, e muito menos em divulgar que indicadores de qualidade dispõe sobre os serviços regulares e não regulares. Abs

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