Metrô de SP recebe R$ 178 milhões de repasse para cobertura de despesas

Crédito suplementar foi aprovado por decreto do governador João Doria

ALEXANDRE PELEGI

Além de atender a CPTM com recursos, como mostrou o Diário do Transporte, o governador João Doria socorreu o caixa da Companhia do Metrô de SP com aporte de R$ 178 milhões.

O valor do crédito no valor exato de R$ 178.380.447,00 foi aprovado por decreto do governador do Estado de SP, nº 66.152, publicado nesta quarta-feira, 20 de outubro de 2021.


O Metrô de São Paulo amargou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão em 2020. Em comparação a 2019, ano em que a estatal já computara prejuízo de R$ 599 milhões, o crescimento de 184% na perda de receitas foi explicado pela menor atividade comercial imposta pela pandemia da COVID-19.

Mas a segunda onda continuou impactando nas receitas da estatal. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o resultado foi de R$ 363 milhões negativos.

O Metrô de SP, assim como a CPTM, é uma estatal dependente de recursos do Tesouro, uma vez que não consegue substituir apenas com suas receitas. Por outro lado, o transporte público, serviço essencial, é fartamente subsidiado pelo estado em todos os países avançados.

Esta situação causa uma diferença importante entre o Metrô do Rio, explorado pela iniciativa privada, e o caso paulistano, onde todos os modos têm o suporte público.

No caso do Rio, todas as concessionárias públicas, de trens a barcas, de ônibus (BRT) e VLT ao Metrô, amargam prejuízos por não contarem com uma política que assuma o transporte como essencial, portanto passível de aportes do Tesouro para garantir sua essencialidade.

As dívidas agravadas pela pandemia jogaram o sistema multimodal do Rio de Janeiro à beira do colapso, sem solução à vista.

Atualmente esta situação pode ser lida em números:

Metrô – operando com 50% da demanda hoje (com R$ 546 milhões de prejuízo em 2020);

Trens – operando com perda de 45% da demanda (R$ 352 milhões de prejuízo em 2020, situação agravada pelo aumento de furtos de fios e cabos, o que prejudica o atendimento;

Barcas – o modal em pior situação, operando com perda de 70%.

Ônibus – o setor um pouco melhor nesse quesito, com 25% de queda, mas com um prejuízo acumulado de R$ 2 bilhões na pandemia, e para piorar o reajuste do diesel, que apenas em 2021 já chegou a 51%.

Sem subsídios, o sistema corre o risco da paralisia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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