História

Primeira linha de trólebus é selecionada no concurso “Placas da Memória Paulistana – 2021”

Iniciativa da prefeitura espalha na cidade de São Paulo plaquinhas com frases curtas sobre referências históricas

ADAMO BAZANI

A primeira linha de trólebus de São Paulo, que também foi a primeira linha deste tipo de transporte no Brasil, vai receber uma homenagem.

Na edição deste sábado, 09 de outubro de 2021, o Departamento do Patrimônio Histórico da cidade de São Paulo divulgou as propostas classificadas do “Placas da Memória Paulistana – 2021”.

Com 89 pontos, uma das maiores pontuações do concurso, a referência à linha deve ganhar uma placa.

“Placas da Memória Paulistana” é uma iniciativa da prefeitura que coloca por toda a cidade placas azuis com uma pequena frase resumindo a história de determinado aspecto do município relacionado ao local da instalação.

A proposta da placa foi apresentada por Matheus Lima Gonçalves de Oliveira, que participou do concurso.

Foi aberto agora um prazo de 30 dias para a apresentação da documentação relativa a cada proposta para a concretização da iniciativa.

A primeira linha de trólebus da cidade de São Paulo e do Brasil passou a operar em 22 de abril de 1949, sendo inaugurada pela CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos).

A linha era entre a praça General Polidoro, no bairro da Aclimação, e a Praça João Mendes, no centro, com 7,2 km de extensão, que substituiu a linha 19 dos bondes da antiga Light, empresa que teve os bens assumidos pela companhia municipal entre 1946 e 1947.

O trajeto era inicialmente:

Praça João Mendes, Rua Conselheiro Furtado, Rua Pires da Mota, Avenida Aclimação, Avenida Turmalina, Praça General Polidoro

Já na inauguração, se previa a extensão para a Machado de Assis:

Praça João Mendes, Rua Conselheiro Furtado, Rua Pires da Mota, Avenida Aclimação, Avenida Turmalina, Praça General Polidoro, Rua Topásio, Rua Paula Ney, Rua Machado de Assis esquina com Rua Guimarães Pessoa.

O passageiro ilustre e o condutor em alguns momentos era o governador de São Paulo, Adhemar de Barros, no dia da inauguração.

Em 2009, a reportagem do Diário do Transporte, à época no Blog do jornalista Milton Jung da Rádio CBN, conversou com Manoel Vieira Filho, cujo pai, Manoel Vieira, foi o primeiro motorista de trólebus de São Paulo, conduzido oficialmente o veículo onde estava o governador no dia de inauguração.

Vieira disse que o governador se irritou em alguns momentos porque, por não ter familiaridade com o ônibus, as alavancas da rede aérea caíam frequentemente e foram necessárias diversas paradas com o “socorro” de Manoel.

“Posso disser que meu pai assumiu de fato o lugar do governador de São Paulo” – relatou Vieira Filho na ocasião da entrevista, divertindo-se com ar de saudosismo e homenagem ao pai e ídolo, que já era falecido quando a reportagem foi escrita.

As operações da primeira linha eram feitas com 16 veículos, em média, integrantes da frota inicial comprada para inaugurar o sistema de ônibus elétricos conectados à rede de fiação aérea, que totalizava  quatro trólebus ingleses da British United Transit (BUT), seis trólebus norte-americanos Pullman-Standard e 20 trólebus norte-americanos Westram.

A primeira linha de trólebus foi se prolongando e até hoje seu trajeto é operado por este tipo de veículo, mas numa extensão maior, sendo a linha 408A/10 (Machado de Assis / Cardoso de Almeida), atualmente operada pela Ambiental Transportes Urbanos S.A., integrante do Consórcio Transvida.

Apesar de os primeiros trólebus terem sido importados dois anos antes do início de sua operação, a ideia de implantar um sistema de ônibus elétrico (já consagrado na Europa e Estados Unidos) na cidade de São Paulo é anterior a esta época. Em 1939, a Comissão Municipal de Transportes Coletivos entregou a Prefeitura parecer favorável à adoção de ônibus elétricos na cidade. Neste mesmo ano, foi iniciado o estudo para a implantação da primeira linha, justamente servindo o bairro da Aclimação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Jairo Cardoso de Oliveira disse:

    Tive o prazer de trabalhar na CMTC com Manoel Vieira Filho, na GSR, era mestre em nós relatar o passado do transporte no qual meu pai também participou!! Saudades..

  2. Milton Gomes de Lima disse:

    eu amo essas histórias esse passado de coisas boas cinto muita saudade cheguei aqui final de setenta ainda andei nus trólebus pegava no Brás um que viam dó Belém ia pra pinheiros descia na Augusta pra visitar meu falecido paí no antigo hospital Matarazzo

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