ANFAVEA: Mercado de ônibus no Brasil tem melhor resultado acumulado desde 2019, mas pior setembro desde 2016
Publicado em: 6 de outubro de 2021
Nos primeiros nove meses deste ano, produção teve alta de 4,9% e licenciamento subiu 9,7%
JESSICA MARQUES
O mercado de ônibus no Brasil teve o melhor resultado acumulado desde 2019, mas o pior mês de setembro desde 2016.
A informação foi divulgada pelo vice-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Marco Saltini, na manhã desta quarta-feira, 06 de outubro de 2021.
De janeiro a setembro deste ano, o licenciamento de ônibus teve uma alta de 9,7%, passando de 9.970 para 10.938 no período. Comparando os meses de agosto e setembro, por sua vez, foi registrada queda de 33%.
“Essa queda é relativamente já esperada. A gente vem dizendo isso desde o ano passado, que o segmento de ônibus é o mais afetado pela pandemia. Não muda de fato a situação. A gente teve volumes mais expressivos em função do Programa Caminho da Escola. Da última licitação, não a que foi feita neste ano, ainda há alguns veículos sendo licenciados”, explicou.
No último mês, o programa Caminho da Escola, do governo federal, respondeu por 21% do licenciamento de ônibus. Ainda segundo a Anfavea, o emplacamento de ônibus rodoviários foi responsável por 15%, fretamento foi responsável por 12,5%, enquanto urbanos tiveram volume de 18% e, por fim, micro e miniônibus chegaram a 33%, arredondando.
Na visão de Saltini, são volumes que ainda são baixos em função da situação da pandemia de covid-19, pelo fato deste ser o segmento mais fragilizado.
“No ano, a comparação não é muito boa, mas há esse crescimento de 10% aproximadamente. Se a gente olhar nos anos anteriores, a gente nota que esse crescimento que vinha acontecendo no caso de ônibus estagnou um pouco”, detalhou Saltini.
EXPECTATIVA NO CAMINHO DA ESCOLA
Segundo o vice-presidente da Anfavea, o setor agora aposta nos resultados da última licitação do programa Caminho da Escola.
“Agora a gente tem expectativa na licitação deste ano do Caminho da Escola, que foi realizada na metade do ano e que deve começar já a aparecer alguma coisa no licenciamento no final desse ano. Provavelmente em dezembro”, projetou Saltini.
A Volkswagen já divulgou que foi escolhida para fornecer 2,5 mil ônibus para o Programa Caminho da Escola no atual ciclo, que vai até 2022. Além disso, a Mercedes-Benz fornecerá 2.6 mil ônibus.
Como mostrou o Diário do Transporte, o programa é considerado a esperança para o setor.
Relembre:
Fabricantes ainda aguardam homologação do Caminho da Escola, considerando esperança para o setor
PRODUÇÃO DE ÔNIBUS
Também de janeiro a setembro de 2021, a produção de ônibus no Brasil apresentou uma alta de 4,9%. No período, foram 14.565 chassis produzidos, comparados a 13.884 no mesmo período do ano passado. O resultado também foi divulgado pela Anfavea, em entrevista coletiva.
A alta foi puxada pelos ônibus urbanos, que passaram de 11.478 unidades produzidas para 12.645, o que representa um aumento de 10,2%. Por sua vez, o número de chassis rodoviários fabricados caiu 20,2%, de 2.406 para 1.920.
“Claramente tem uma influência do Caminho da Escola. No ano passado, a gente tinha os volumes de entrega do programa e essa produção atual sofre um pouco porque ainda não se começou a produzir os primeiros veículos dessa nova licitação, que vão chegar ao mercado encarroçados no final do ano”, avaliou Saltini.
Entretanto, a comparação é feita com relação a um período de 2020 em que a pandemia de covid-19 começava a afetar o setor. Nestes meses, inclusive, as fabricantes do setor interromperam a produção como medida de enfrentamento à propagação do vírus.
EXPORTAÇÕES
Por sua vez, o número de exportações de ônibus de janeiro a setembro passou de 2.817 para 2.850. Uma alta de apenas 1,2%.
Enquanto o número de chassis urbanos exportados subiu 43,5%, a quantidade de rodoviários vendidos para o exterior caiu 39,6%.
A Mercedes-Benz segue líder de mercado no ranking de marcas divulgado pela Anfavea. O levantamento considera a quantidade de ônibus emplacados no acumulado do ano.
Confira o ranking, na íntegra:
1º) Mercedes-Benz: 4.296 unidades, queda de 15,1%;
2º) MAN/Volkswagen: 3.127 unidades, alta de 11,8%;
3º) Agrale (inclui os miniônibus da Volare): 2.112 unidades, alta de 86,9%;
4º) Iveco (inclui os miniônibus CityClass): 934 unidades, alta de 289,2%;
5º) Volvo: 297 unidades, queda de 13,2%;
6º) Scania: 142 unidades, queda de 48,9%.
Jessica Marques para o Diário do Transporte





