ÁUDIO: Fim de bilheterias do Metrô e da CPTM vai privilegiar grande empresa e dificultar cidadão, diz Sindicato dos Metroviários

A partir deste mês, gestão Doria vai acabar com todas as bilheterias e quem não tem Bilhete Único ou Cartão BOM, será obrigado a usar sistema de aplicativo ou máquinas de autoatendimento

ADAMO BAZANI

Colaborou Willian Moreira

Ouça:

A extinção de todas as bilheterias do Metrô e da CPTM por parte da gestão do governador João Doria foi mal recebida por representações de trabalhadores do setor de transportes.

Na manhã desta segunda-feira, 04 de outubro de 2021, a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) anunciou a um programa local de TV que a partir de 08 de outubro começa um plano para fechar estas bilheterias que classifica como “tradicionais”.

O plano começa na prática com duas estações: Belém, na Linha 3-Vermelha do Metrô e Granja Julieta, na Linha 9-Esmeralda da CPTM.

A expectativa é que até o final deste ano de 2021 nenhuma estação do Metrô ou CPTM tenha mais as bilheterias tradicionais.

A pasta, comandada pelo secretário Alexandre Baldy, disse que com a atitude, serão “economizados” R$ 100 milhões por ano e que “todos os funcionários das bilheterias serão direcionados para outras atribuições dentro das estações da CPTM e do Metrô”.

O passageiro que não tem o Bilhete Único ou o Cartão BOM será obrigado a usar um aplicativo de celular chamado TOP, WhatsApp (11 3888-2200) com pagamento por PIX, máquinas de autoatendimento dentro das estações somente se tiver cartão de débito e em estabelecimentos comerciais no entorno das estações.

O diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, lembra que onde houve redução de atendimento de bilheteria, o passageiro já enfrenta dificuldades e que com a extinção, o problema será maior. Fajardo acredita que a medida é para favorecer economicamente a empresa que controla o QR Code.

“O sindicato é completamente contra essa atitude que o governo está tomando, Metrô e CPTM, porque isso vai afetar a vida dos usuários, além de provocar um desemprego grande entre os trabalhadores dessas terceirizadas que estão vendendo bilhete tanto no metrô, quanto na CPTM. Então nós somos contra porque hoje com as bilheterias tem uma grande fila que se forma porque o povo não consegue comprar o QR Code, o QR Code é um problema, as pessoas têm muita dificuldade, o Bilhete Único. A prefeitura também criou dificuldades e o povo vai ter muito problema para poder acessar o Metrô quando não tiver mais a bilheteria.

Então isso já está dando confusão onde já foi retirada a bilheteria e nós achamos que liquidando com as bilheterias favorece esse sistema de QR Code que é um sistema ainda muito ruim e que a população ainda tem muita dificuldade de lidar com ele.

Na verdade, esse é um processo que está favorecendo uma grande empresa e dificultando a vida do usuário, do trabalhador que fica sem emprego no caso dos bilheteiros e no caso dos usuários que ficam muitas vezes com dificuldade de acessar o transporte. O sindicato se posiciona contra essa medida.”

Ouça:

De acordo com informações de um release da STM que circulou em grupos de WhatsApp, o cronograma seria é o seguinte:

  • Etapa 1 (04 a 07/10): comunicação prévia sobre o encerramento das atividades das bilheterias nas estações Belém na Linha 3-Vermelha do Metrô e Granja Julieta, na Linha 9-Esmeralda da CPTM ;
  • Etapa 2 (08 a 14/10): fechamento parcial da bilheteria com funcionamento nos horários de pico (06h às 10h e 16h às 20h);
  • Etapa 3 (a partir do 15/10): encerramento total das atividades na bilheteria.

A STM fez somente à tarde uma coletiva para explicar a mudança para o resto da imprensa.

Nesta coletiva, para os jornalistas dos demais veículos de comunicação,  o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, defendeu a extinção das bilheterias

Segundo Baldy, a mudança vem de ideias e conceitos vistos pela pasta em 2019 em uma viagem na China, onde foi notada a automatização do atendimento no sistema metroferroviário.

Diante dessa ideia, foi implantado o QR Code em substituição aos bilhetes de tarja magnética, chamados de Edmonson e que de acordo com Baldy, tem custo maior de produção, já que move uma cadeia em torno dele, como o transporte por carros fortes, o uso de bilheterias blindadas e maior segurança para evitar ações criminosas contra o bilhete, que tem valor financeiro.

Passageiros relatam problemas constantes com  o QRCode.

Na coletiva foi prometido que outros sistemas serão colocados em prática em breve, fruto também de um aumento de investimentos do Governo do Estado no setor de transportes para 2022, um aumento de 44% em relação ao montante atual, de acordo com previsão orçamentária.

Deve ser anunciado também cartão TOP, que será um cartão de uso em todos os modais do transporte metropolitano, EMTU, Metrô e trens da CPTM, passando a vigorar no lugar do Cartão BOM, atualmente utilizado.

Baldy ainda citou que este novo cartão deve vir com mais tecnologia, permitindo maior segurança ao usuário e na proteção de dados e informações.

Mais detalhes sobre este cartão serão divulgados, sem, entretanto, ser informado como será essa divulgação, se para toda a imprensa de uma só vez, ou como ocorreu hoje.

Pode acontecer de estações como Luz, Sé, Brás e Palmeiras-Barra Funda permanecerem ainda com as bilheterias, já que são estações com a demanda maior inclusive em períodos de fim de ano ou festivos e devem contar com pessoas fisicamente nos locais efetuando o atendimento aos passageiros.

Já os trabalhadores do Metrô e CPTM que são contratos serão realocados em outras funções, mas os trabalhadores das empresas terceirizadas devem perder os empregos, uma vez que Alexandre Baldy afirmou que os contratos serão rescindidos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Willian Moreira

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Comentários

Comentários

  1. Ismael Junior disse:

    Coitado do cidadão que passa o papelzinho do QR code na catraca em pleno domingo daqueles que tem a chamada “obra de modernização”, onde tem um trem na vida e outro na morte. É uma eternidade pra o papel ser lido e a catraca ser liberada…

  2. Vágner Silva disse:

    Pra comprar bilhete na linha verde do Metrô , já está difícil , tem q andar pra achar bilheteria . Governo do PSDB favorecendo Empresas Privadas e Dificultando a vida do Passageiro .

  3. Leo disse:

    O povo tem que faze manifestação contra esse governo corrupto, exigi o imptimam, assim como exigiu a do STF, o povo tem que acorda, pois o Brasil é do povo, e não de políticos corruptos.

  4. Alfredo disse:

    Doria copiando chineses e ferrando o cidadão, esse governo é um desastre

  5. Marcos Borges disse:

    Deveria continuar com os funcionários terceirizados vendendo o bilhetinho lá do QR code.De forma implacável, o tal do secretário Baldy falou que esses funcionários que estão nas bilheterias serão dispensados. Aliás tá melhor eles do.que os funcionários do Metrô que ficaram durante muitos anos vendendo os bilhetes nessas bilheteiras(muitos de CARA FEIA E COM.UM.PUTA MAU HUMOR, TRATAVAM MAL AS PESSOAS QUE IAM COMPRAR O BILHETE, PARECIAM QUE ESTAVAM FAZENDI UM FAVOR ).Eu particularmente ADOREI quando vi que na bilheteria os “simpáticos ” funcionários do Metrô não estavam mais.Ai veio os terceirizados(,que acredito que tem mais respeito pelo público)e mal chegaram e vão ser dispensados?É mas não adianta eu ficar falando aqui.Esses funcionários terceirizados não tem um sindicato FORTE que os defenda.Dai o resultado será esse .Lamentável.

  6. Marcos Borges disse:

    Corrigindo:,FAZENDO UM.FAVOR

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