Viações acumulam prejuízos de R$ 16,7 bilhões. Novo marco legal para o transporte público no Brasil pode virar projeto de lei em 10 dias, diz NTU

Presidente-executivo da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Otávio Cunha

Segundo presidente executivo da entidade que reúne empresas de ônibus, crise é de antes da pandemia; Idade média da frota de ônibus subiu de 4,5 anos para 5,8 anos no Brasil

ADAMO BAZANI

Um conjunto de propostas para a criação de um novo marco legal para o transporte público no Brasil pode virar projeto de lei nos próximos dez dias.

A informação é do presidente-executivo da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Otávio Cunha, na manhã desta segunda-feira, 20 de setembro de 2021, durante a abertura da Lat.Bus, evento sobre mobilidade e indústria de transportes públicos.

Otávio Cunha também comentou a criação do Fórum Consultivo de Mobilidade Urbana, noticiado nesta segunda-feira (20) pelo Diário do Transporte em primeira mão (veja mais abaixo).

Segundo Cunha, nos últimos 12 meses, por causa da pandemia, as empresas de ônibus no Brasil acumulam prejuízos de R$ 16,7 bilhões pela perda de passageiros.

Como mostrou o Diário do Transporte, o projeto tem três pilares básicos: Qualidade e Produtividade, Financiamento e Regulação e Contratos.

Entre as propostas estão as modernizações dos contratos atuais das empresas de ônibus e criação de mecanismos de financiamento dos transportes urbanos e metropolitanos, além das tarifas para não penalizar os passageiros.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/07/06/proposta-de-novo-marco-dos-transportes-deve-ser-analisada-pelo-congresso-na-volta-do-recesso-governo-federal-ignorou-sugestoes-de-empresas-de-onibus-trens-e-metro/

Segundo Cunha, atualmente os ônibus urbanos no Brasil operam com 60% da demanda de passageiros de antes da pandemia, em média.

Em 23 anos, o setor de transporte coletivo acumula queda de cerca de 50% da quantidade de passageiros. Somente entre 2013 e 2019, a perda foi de 26%, ou seja, a crise do transporte vem antes da pandemia, que somente agravou o quadro.

Nos anos 1990, em média no Brasil, cada ônibus transportava 631 passageiros; hoje são 167 pessoas.

Para o executivo, o desafio é oferecer um transporte coletivo eficiente cujas tarifas caibam no bolso do passageiro.

A idade média dos ônibus urbanos e metropolitanos subiu de 4,5 anos para 5,8 anos no último ano por causa do agravamento da crise.

O presidente da Fabus, entidade que reúne as encarroçadoras, Ruben Antonio Bisi, disse que há a proposta de um projeto piloto de estímulo à renovação de frota de ônibus para a troca em especial de coletivos com mais de 20 anos que ainda estão em circulação.

Também comentaram a situação do setor de transportes, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, representando as montadoras; o presidente da Abrati, Eduardo Tude de Melo, representando as empresas de ônibus rodoviários e o proprietário da OTM, que organiza o evento, Marcelo Fontana.

FÓRUM CONSULTIVO DE MOBILIDADE URBANA:

Otávio Cunha também comentou a criação do Fórum Consultivo de Mobilidade Urbana, noticiado nesta segunda-feira (20) pelo Diário do Transporte em primeira mão.

A função será a de assessorar a Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional em temas relativos à mobilidade urbana.

O instrumento terá a participação de diversas entidades como FNP, NTU, ANTP, ANPTrilhos, Fabus e Idec.

O Conselho poderá propor ações, programas, estudos e projetos, e também promover o intercâmbio de informações sobre experiências nacionais e internacionais relativas ao setor.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/09/20/bolsonaro-institui-forum-consultivo-de-mobilidade-urbana/

“Vai permitir que tenhamos um único discurso em defesa do transporte público de boa qualidade. Barato para quem usa todo o dia, acessível, mas com a garantia para quem opera o transporte coletivo terá o contrato respeitado, que os custos para operação serão cobertos. Esse fórum vai permitir que se amplie a discussão com a sociedade” – disse Otávio Cunha.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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