Busscar: 600 unidades produzidas para 2021 e entregas para a Gontijo a partir de janeiro de 2022

Paulo Corso destacou a importância da Busscar no mercado em 75 anos e acredita em expansão da participação da empresa no Brasil e exterior

De acordo com o diretor comercial da empresa, Paulo Corso, em entrevista ao Diário do Transporte, haverá crescimento em 2022 e 2023; Fabricante completa 75 anos neste mês setembro

ADAMO BAZANI

Ouça na íntegra:

A Busscar, de Joinville (SC), completa neste mês de setembro, 75 anos de atuação no Brasil e já está presente em diversos países por meio de exportações.

Marcante na história dos transportes, a empresa que foi inaugurada em 17 de setembro de 1946, pela família Nielson (primeiro nome da companhia), está desde 2017 com um novo grupo de investidores (que também são sócios da fabricante de ônibus urbanos Caio, de São Paulo) e, após os impactos econômicos da pandemia de covid-19, a estimativa é de crescimento contínuo.

Na tarde desta quinta-feira, 09 de setembro de 2021, o diretor comercial da Busscar, Paulo Corso, conversou com o Diário do Transporte e mostrou otimismo com realismo.

De acordo com o executivo, o mercado geral de ônibus (incluindo todas as marcas e segmentos) só deve recuperar plenamente o volume de antes da pandemia em 2023, mas haverá crescimento em 2021 e 2022.

“Já começamos neste ano de 2021 bem, nós devemos ter uma produção de 600 unidades aproximadamente. No ano passado foram cerca de 400 unidades. E estamos otimistas porque nossa programação está quase com o ano fechado” – explicou.

Para 2022, segundo Corso, a Busscar deve crescer em torno de 10% a 15%.

O executivo destacou neste ano de 2021 fatos que marcaram a Busscar e que a ajudaram a enfrentar a crise gerada pela pandemia.

Um destes marcos foi o lançamento do El Buss FT (EB FT), ônibus destinado para o segmento de fretamento, contínuo, um dos que mais cresceram em meio à pandemia por causa das novas exigências de distanciamento físico entre os trabalhadores das empresas que contratam as companhias de ônibus fretados.

“Na pandemia, o modelo que vendeu mais foi o EB 320 (El Buss 320), que é um ônibus especificamente para fretamento e linhas pequenas. Logo após o lançamento do EB FT, já tivemos grandes vendas deste produto. Isso mostra que, se nós na pandemia não tivéssemos carrocerias para chassis de motor dianteiro, que temos desde 2020, enfrentaríamos uma crise maior na pandemia” – disse.

Outro marco foi o conjunto de vendas para grandes grupos, entre os quais, o Grupo JCA, com quase 300 unidades. O Grupo JCA é um gigante do transporte rodoviário que reúne companhias como Autoviação 1001, Viação Cometa, Auto Viação Catarinense, Expresso do Sul, Rápido Ribeirão, Macaense, Opção Fretamento e Turismo e Wemmobi.

“É importante vender para grandes grupos porque são os grandes grupos que dão volume e, o volume dá sustentação de planejamento de produção. Mas também é muito importante vender para pequenos grupos porque pulveriza o produto, o faz presente em todas as partes. Os dois são muito importantes” – disse

Uma das produções aguardadas pelo mercado é para a Gontijo, gigante mineira dos transportes rodoviários com atuação em quase todo o País.

O volume inicial para a Gontijo não será grande, de acordo com Corso ao Diário do Transporte, mas bem representativo. Antes da falência da Busscar na época da gestão anterior em 2012, a Gontijo praticamente só comprava ônibus da marca.

“Estes veículos vão ser produzidos em dezembro, devemos entregá-los em janeiro” – disse Corso ao Diário do Transporte.

Serão incialmente quatro unidades do modelo Vissta Buss 360, com chassis Scania de três eixos.

Corso também citou outras vendas expressivas para grandes grupos empresariais de ônibus no País como Princesa dos Campos (PR), Expresso Brasileiro/Boa Esperança (PA), Grupo Guanabara (RJ), Grupo Comporte (SP), Turin (MG), Vale do Amazonas (AP), etc.

O mercado externo também é significativo para a Busscar.

Paulo Corso explicou que entre 15% e 20% da produção da Busscar são destinados ao mercado externo. O país que mais tem recebido os modelos da marca é o Chile, mas também houve embarques para Equador, Guatemala, Uruguai, Paraguai e continente africano.

Os modelos mais vendidos para o mercado externo são o Vissta Buss DD (ônibus de dois andares) e o Vissta Buss 340.

Atualmente, a Busscar está produzindo em torno de quatro unidades por dia. A planta tem capacidade de aproximadamente 17 ônibus.

A fábrica hoje trabalha com cerca de 1,2 mil funcionários.

Paulo Corso também disse que em breve não devem ser feitos lançamentos de outros produtos, inclusive o aguardado micro-ônibus rodoviário.

“Não tem uma data específica, nós nem estamos começando o projeto” – disse o diretor comercial.

Sobre outros modelos, Corso disse que, por enquanto, não são previstos lançamentos para o próximo ano já que a linha atual, segundo ele, é bem completa e atende aos principais nichos de fretamento e rodoviários.

“Nós não temos lançamentos previstos para o próximo ano. Lançamos diversos produtos, o El Buss 340 motor dianteiro mais alto, lançamos o Vissta Buss 400, o El  Buss FT, que era o que faltava. Estamos com a linha de rodoviários bem completa” – explicou.

Sobre falta de insumos no mercado de automóveis, um problema relatado por diversas montadoras e encarroçadoras, Corso falou que há algumas dificuldades com itens eletrônicos, mas não de forma a parar ou atrasar a produção.

Na entrevista, Paulo Corso esclareceu sobre imagens de ônibus da Busscar na planta da Caio, em Botucatu (SP), do mesmo grupo, especializada em urbanos.

Segundo o executivo, na Caio não se faz ônibus da Busscar.

Os veículos das fotos e vídeos feitos dentro da Caio se tratam apenas de ônibus produzidos na Busscar e que foram pintados na Caio.

“É feito tudo na Busscar” – disse sobre os ônibus rodoviários.

Paulo Corso está há 42 anos no setor de produção de ônibus e atuou em boa parte do tempo na concorrência da Busscar, mas lembra com saudosismo de modelos da empresa, ainda na época do nome Nielson.

Os ônibus mais marcantes foram os famosos Diplomatas.

“Chamavam de Diplomata Cascatinha, alguns chamavam de sete quedas” – relembra sobre o fato de o teto de alguns modelos Diplomatas terem níveis, que formavam sete “degraus”, dos mais altos atrás e mais baixos na frente.

Ouça na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportesc

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Comentários

Comentários

  1. José Cândido Botelho Lima disse:

    Muito boa a entrevista. Gostei muito

  2. Luiz José de Carvalho disse:

    Só queria saber se melhorou o farol do novo Busscar porque sempre foram ruim principalmente a noite pra nós motorista

  3. José da Silva Miranda disse:

    Bom dia. sou Miranda,sempre tive um sonho de trabalha na contigo.ainda menino na cidade de Mutum via a Gontijo saindo um dia se Deus quiser vou trabalhar de motorista da empresa Gontijo consegui tirar CNH AE mais e difícil se não tiver um padrinho. ainda tenho esperança de trabalhar na fazendo a linha da minha terra natal mutum.

  4. Rafael disse:

    Empressa muito boa grande com tudo pra crescer mais abrir outro turno expandir sua produção com certeza conta com ótimos funcionários e vai crescer muito mais do que esta previsto busscar sem limites

  5. pedrosantos disse:

    Adamo pergunta pro corso o que aconteceu com aqueles carros que a Sussantur comprou esurgiram algumas fotos mas só isso os carros sumiram????

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