Pesquisa detalha impactos da covid-19 na mobilidade em capitais da América Latina

Em São Paulo, 82% da população reduziu o uso do transporte público. Foto: Diário do Transporte.

Em nove cidades, mais de 50% dos participantes afirmaram ter reduzido a frequência com que utilizam o transporte coletivo

JESSICA MARQUES

Um levantamento organizado pelo Centro de Excelência BRT+ com apoio do WRI Brasil mostra como a covid-19 modificou a mobilidade e a rotina das pessoas em nove capitais da América Latina. O estudo foi feito em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Buenos Aires, Lima, Quito e Santiago.

Nas cidades, a pesquisa mostrou, por exemplo, que a maioria das pessoas passou a usar menos o transporte coletivo. Bicicleta e caminhada diminuíram no Brasil, mas aumentaram em Buenos Aires e Bogotá, cidades que investiram em infraestrutura para a mobilidade ativa durante a pandemia.

Segundo o levantamento, nas nove cidades, mais de 50% dos participantes afirmaram ter reduzido a frequência com que utilizam o transporte coletivo. O percentual foi 82% em São Paulo, de 78% no Rio de Janeiro, 66% em Porto Alegre e 63% em Belo Horizonte.

Em todas as cidades pesquisadas, mais de 60% dos respondentes afirmaram que estavam “extremamente preocupados” ou “muito preocupados” com a higiene no transporte público. Nas cidades brasileiras, foram 76% dos paulistanos e cariocas, 75% dos belo-horizontinos e 69% dos porto-alegrenses.

TRABALHO REMOTO

Por estar próxima de zero no momento anterior à pandemia, a realização da atividade principal (trabalho ou estudo) de casa se tornou a parcela mais significativa da distribuição modal entre os entrevistados de todas as cidades, sendo inclusive superior a 50% em quase todas – Lima (39%) e Quito (33%), foram as únicas exceções.

São Paulo (72%) e Buenos Aires (69%) são as cidades onde os participantes da pesquisa mais realizavam a atividade principal de casa. Rio de Janeiro (64%), Belo Horizonte (60%) e Porto Alegre (55%) também mostraram resultados expressivos. Os gráficos a seguir mostram como mudou a proporção de cada modo em comparação a antes da pandemia.

DESLOCAMENTOS

Enquanto nas cidades brasileiras e em Santiago a maioria dos entrevistados relatou ter diminuído o número de deslocamentos a pé e por bicicleta, outras cidades latino-americanas tiveram aumentos superiores a 30% em pelo menos um destes modos.

“Estes aumentos podem estar associados ao incentivo que algumas cidades deram a esses modos de transporte, que são os mais seguros em um momento de pandemia, ao construir ciclovias temporárias (Bogotá Buenos Aires, Lima e Quito adotaram esta prática) ou implementar alargamentos em calçadas, entre outras medidas”, informam os responsáveis pelo estudo, em nota.

A redução dos deslocamentos a pé foi de 41% em Porto Alegre, 40% em São Paulo, 36% no Rio de Janeiro e 35% em Belo Horizonte. No caso do uso da bicicleta, ele caiu 22% e Porto Alegre, 18% em São Paulo, 14% no Rio de Janeiro e 9% em Belo Horizonte.

Além disso, do total de respondentes das nove cidades, quando perguntados sobre quantos dias trabalhariam de casa no futuro (com a crise sanitária superada) caso pudessem escolher, em média, menos de 5% desejariam voltar ao trabalho totalmente presencial, 30% gostariam de trabalhar três dias de casa e 25% optariam pelo trabalho totalmente remoto. Bogotá (38%), Lima (30%) e Belo Horizonte (28%) foram as cidades com as maiores proporções de pessoas que escolheram esta última opção. Entretanto, os resultados indicam que a população mais vulnerável continuou se deslocando mais durante a pandemia.

A PESQUISA

A pesquisa Impactos da Pandemia da Covid-19 sobre a Mobilidade Urbana foi organizada pelo Centro de Excelência BRT+, da PUC Chile, de Santiago, e teve apoio do WRI Brasil para o levantamento nas cidades brasileiras. O levantamento foi realizado pela internet, com 5.924 pessoas em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Buenos Aires, Lima, Quito e Santiago.

Uma segunda etapa da pesquisa terá início em 28 de julho, com o objetivo de ampliar ainda mais os dados já obtidos para analisar como mobilidade urbana está se transformando em função dos impactos da covid-19 na e das mudanças na jornada de trabalho.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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