Diário no Sul

Maioria dos demitidos da Vicasa, em Canoas (RS), continua sem receber verbas rescisórias

Foto: Douglas Storgatto / Ônibus Brasil

Trabalhadores têm recorrido judicialmente em busca de acordo; FGTS dos funcionários não era depositado pela empresa desde 2014

ALEXANDRE PELEGI

A empresa de ônibus Vicasa – Viação Canoense S.A., de Canoas (RS), continua sem pagar as verbas rescisórias devidas à maioria dos funcionários que demitiu.

Sem operar linhas em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), desde 7 de julho de 2021, há alguns dias a empresa desligou 47 trabalhadores. No total, desde o começo do ano, já são cerca de 600 demissões.

Como mostrou o Diário do Transporte, os passageiros de Canoas foram afetados no dia 08 de julho com uma paralisação de funcionários da Vicasa. Eles protestaram contra atrasos de salários e benefícios que estariam ocorrendo desde abril.

O Sindicato Metropolitano informa que os demitidos não receberam pagamentos rescisórios, e por causa disso estão buscando a Justiça para reivindicar os valores devidos e o encaminhamento do seguro-desemprego.

O sindicato informou ainda que um grupo de funcionários foi transferido para a empresa Sogal, do mesmo grupo da Vicasa.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informa que o passivo trabalhista da Vicasa é muito grande. A empresa deixou de depositar o FGTS dos funcionários em 2014, segundo informação fornecida pelo sindicato em audiência.

Para honrar as dívidas trabalhistas, a empresa teve a maioria de seus bens retidos pela Justiça.

TAC – MELHORIAS

A Vicasa assinou no dia 14 de maio de 2021 um termo de ajustamento de conduta (TAC) com vistas a melhorar a qualidade do serviço prestado em suas linhas.

O plano de melhorias, resultado do TAC, foi divido em três etapas.

A primeira etapa iniciou no dia 17 de maio, com a empresa Transcal, de Cachoeirinha (RS), assumindo parte das linhas que ligam Canoas a Porto Alegre, além de linhas de integrações em Canoas.

As linhas que a Transcal passou a operar são: – Linha Estância Velha a Porto Alegre; Linha Industrial a Porto Alegre; Linha Guajuviras a Porto Alegre; e Linha semi-direta Guajuviras a Porto Alegre/Praia de Belas.

A segunda etapa foi dividida em duas fases, e entraram em operação dia 24 de maio, com operação das linhas de Integrações também pela Transcal: Estância Velha, Niterói, Barreto, Guajuviras via Boqueirão, Residencial Guajuviras via Avenida Esperança e Hispânica, Santa Maria/Guajuviras. Na segunda fase, a partir de 31 de maio, a Transcal assumiu as linhas de Integrações: Mathias Velho, Florianópolis, Harmonia/Mato Grande, Fátima, e Igara/Petrobrás/Ozanan.

Desta forma, a Transcal assumiu 75% da operação e a Vicasa ficou com apenas três linhas: Mathias Velho, Harmonia e Fátima/Rio Branco. Mesmo assim a empresa atrasou dois meses de salário, o que levou os funcionários à greve no dia 8 de julho. Relembre:

Greve de ônibus da Vicasa afeta Canoas (RS) nesta quinta (08)

A partir desta data a Vicasa não opera nenhuma linha dentro de Canoas, apenas duas linhas transversais metropolitanas — entre Canoas e Restinga, em Porto Alegre. Apenas 16 trabalhadores permanecem contratados.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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