Diário no Sul

Prefeito de Porto Alegre assina projeto de lei para privatizar a Carris, empresa de ônibus pública

Carris tem quase 150 anos de existência

Segundo Sebastião Melo, companhia é deficitária; PL precisa passar pela Câmara

ADAMO BAZANI

Atualmente a maior empresa pública de ônibus em operação do País, e a mais antiga, com 149 anos, a Carris de Porto Alegre pode deixar de existir.

Na manhã desta terça-feira, 15 de junho de 2021, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, anunciou em redes sociais que assinou o projeto de lei para privatizar a companhia de transportes.

A matéria precisa ser aprovada pela Câmara Municipal.

Na postagem, Melo disse que “o modelo atual faliu, e o cidadão não pode mais ser penalizado com um mau serviço que custa caro”.

Para o prefeito, será necessária uma remodelação dos transportes da capital gaúcha.

“Precisamos discutir com a Câmara e a sociedade a remodelação do transporte coletivo”. – continuou.

Como mostrou o Diário do Transporte, Melo ainda em campanha eleitoral prometeu que sua gestão iria definir o futuro da Carris enquanto sua opositora, a candidata derrotada Manuela D’Ávila, prometia criar um novo modelo de gestão para a Carris.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/11/23/confira-os-planos-para-a-mobilidade-de-sebastiao-melo-e-manuela-davila-para-a-cidade-de-porto-alegre/

A reportagem noticiou também que em fevereiro de 2021, o recém-empossado diretor-presidente da Carris, Maurício Cunha, divulgou um diagnóstico da empresa pública.

Na ocasião, a prefeitura informou que em 2020, a  Carris registrou um déficit superior a R$ 66 milhões, em parte decorrente de uma forte redução de quase 30 milhões de passageiros.

Cunha também disse que dos atuais 2 mil empregados, dentre os quais 596 motoristas e 596 cobradores, além de mecânicos, assistentes administrativos, agentes de manutenção e eletricistas, cerca de 750 deles estavam afastados pelo INSS ou por causa da pandemia.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/06/em-diagnostico-da-empresa-novo-diretor-da-carris-se-assusta-com-o-grande-numero-de-funcionarios-afastados/

A CARRIS:

Carris tem quase 150 anos de existência

A Carris, responsável pela operação de 22 linhas de ônibus – entre elas, todas as transversais -, mais 19 linhas do sistema de transportes de Porto Alegre, transporta mais de 110 mil passageiros por dia.

Criada por um decreto assinado por Dom Pedro II em 19 de junho de 1872 (Decreto nº 4.985), a companhia Carris de Ferro Porto-Alegrense.

Em seu portal, a empresa reúne um cronograma com os principais fatos de sua história.

19/06/1872 – Fundação da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense.

05/01/1873 – Primeira viagem de um bonde da Carris em Porto Alegre, na linha Menino Deus.

1874 – Fim da Revolta dos Muckers – Carris doa 100 mulas para exército.

15/01/1893 – Fundação da Carris Urbanus (linhas Moinhos, Floresta e Partenon).

24/03/1906 – Da fusão da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense e da Carris Urbanus nasce a Companhia Força e Luz Porto-Alegrense.

10/03/1908 – Primeiro bonde elétrico entra em circulação.

1914 – Circula o último bonde puxado a mula.

1926
 – Primeiro ônibus circula em Porto Alegre, de propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manoel Ramirez. A Cia Força e Luz Porto-Alegrense vende suas usinas para a CEERG, criada em 1923, de propriedade do grupo Electric Bond & Share e passa a se chamar Cia Carris Porto-Alegrense.

13/09/1928 – A Carris passa a ser administrada pela empresa norte-americana Electric Bond & Share, integrante do grupo liderado pela General Electric.

1929 – Primeiro Auto-ônibus da Carris entra em circulação, modelo Yellow Coach.

1939-1944 – Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou por vários períodos de racionamento de combustível. Os veículos que necessitavam de óleo e gasolina são obrigados a reduzir suas atividades. O transporte de bondes fica sobrecarregado e a Carris coloca 16 carros reserva em funcionamento, aumentando a frota de 85 para 101 veículos. É também durante o período da Segunda Guerra que grande parte das tripulações da companhia é requisitada pelo Exército. A Carris tenta então contratar mulheres para o serviço de condutor (cobrança de passagem) mas a medida é vetada pelo Ministério do Trabalho do governo Getúlio Vargas.

1952 – Sucessivas greves e o evidente desinteresse dos norte-americanos da Bond & Share em manter o transporte por bondes levam a Prefeitura a intervir na companhia. Assume como interventor José Antonio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha.

1953 – Durante uma greve no serviços de bondes da Carris, o músico Lupicínio Rodrigues – que havia trabalhado em 1930 na companhia como aprendiz de mecânico – inspira-se para compor o Hino do Grêmio, cujos versos iniciais se referem à falta do transporte para levar os torcedores até o estádio: “Até a pé nos iremos; para o que der e vier; Mas o certo é que nós estaremos; Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

29/11/1953
 – Após o período de intervenção, a Prefeitura, na gestão de Ildo Meneghetti,  encampa a Carris, assumindo o controle acionário. Lei 1069, que determina a encampação, é aprovada por 17 votos a dois na Câmara de Vereadores.

1956 – Carris encerra o serviço de transporte por ônibus, transferindo seus veículos para o Departamento Autônomo de Transportes Coletivos (DATC).

1964 – Carris começa a operar sistema de troleibus (ônibus elétricos), inicialmente com cinco veículos e depois com mais quatro. No entanto, problemas de adaptação da voltagem na rede impedem o bom funcionamento do serviço

29/09/1966 –Companhia retoma o transporte por ônibus. Três bondes da Linha Duque são substituídos por ônibus a diesel, iniciando o processo que culminaria com o fim dos bondes elétricos.

19/05/1969 – Circula o último troleibus.

05/06/1969 – Bondes da Avenida Assis Brasil são substituídos por ônibus

26/10/1969 – Linhas Petrópolis e Gasômetro-Escola também trocam os bondes por ônibus

08/03/1970 – Circulam os últimos bondes elétricos nas linhas Partenon, Glória e Teresópolis. Houve solenidade de despedida, à qual compareceram o Prefeito e autoridades. Toda a população pôde viajar gratuitamente. Às 20h30, o último elétrico foi recolhido ao depósito de bondes.

1973 – Em fevereiro, a Carris transfere sua sede para a Rua Albion, na Zona Leste de Porto Alegre.

1974 – Empresa cria a Escola de Motoristas.

1976 – Início da operação das linhas transversais: T1, T2, T3 e T4.

1976-1979 – Implantação dos corredores de ônibus de Porto Alegre.

1977 – Implantação da linha Campus-Ipiranga, ligando o recém-inaugurado Campus do Vale da Ufrgs, com o Centro da cidade, passando também em frente da PUC.

13/10/1980 – Instituída a tarifa única em Porto Alegre. Linhas de ônibus são redistribuídas entre as operadoras do sistema.

1982 – Inicia o tráfego de duas linhas circulares no Centro.

1989 – Criada a linha T5 e  a sala da Memória Carris, na sede da Companhia.

1990 – Em operação a linha T6.

1995 – Implantada a  linha T1 Direta.

1997 – Começa a circular a linha T2A.

1998 – Inicia tráfego da T7.

1999 – Criada a linha T8.

2000 – Inauguradas as linhas T9, T9 IPA e T10.

2003 – Criação da Linha Turismo, com o roteiro Centro Histórico.

14/11/2006 – Carris começa a operar a linha T11 3ª Perimetral, que cruza toda a extensão da mais importante obra viária de Porto Alegre, do Aeroporto Salgado Filho, na Zona Norte, até o Bairro Teresópolis, na Zona Sul da cidade.

2007 – A frota da Carris passa a operar com o sistema de Bilhetagem Eletrônica.

09/08/2007 – Os ônibus da Carris começaram a circular abastecidos por Biodiesel, um combustível menos poluente.

21/06/2008 – Entrega oficial da sede de funcionários da Carris.

19/04/2009 – Instalação das primeiras televisões nos ônibus da Carris.

2010 – Criação de duas linhas sociais para atender grupos escolares e entidades sociais, adesivados com a linha do tempo da Carris.

2010 – Inauguração da linha social Territórios Negros. A linha realiza roteiro histórico sobre pontos da cidade representativos da cultura afro-brasileira.

2011 – Entrega do primeiro ônibus para a linha social Bicho Amigo. Através de parceria com a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais. O veículo funciona como clínica itinerante para esterilizações.

2011 – Entrega de mais um veículo para a linha Bicho Amigo. O ônibus transporta animais de famílias em vulnerabilidade social.

11/04/2011 – Institucionalização da Unidade de Documentação e Memória da Carris (UDM).

16/12/2011 – Início da operação da Linha C4 balada segura.

03/09/2012 – Início da operação da Linha T11A.

11/01/2013 – A Carris entrega 13 novos ônibus articulados à comunidade.

26/09/2013 – Carris investe na qualidade de trabalho de seus funcionários e inaugura o terminal T3 e T4 Sul.

22/08/2014 – Carris reforça segurança nos ônibus com a instalação de 1.484 câmeras.

26/11/2014 – A Companhia Carris Porto-alegrense recebe a certificação de Empresa Cidadã, do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro.

09/03/2015 – Carris entrega 50 novos ônibus (35 convencionais e 15 articulados) à população de Porto Alegre.

22/02/2016 – Carris inicia operação das linhas transversais T12, T12.1, T12A e T13.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Que os vereadores não aceitem essa privatização, em São Paulo Maluf acabou com a CMTC e o transporte e as condições de trabalho dos funcionários só pioraram, as empresas que foram criadas para ficar com linhas faliram na maioria, só uma sobrou, por causa do pessimo serviço prestado surgiu o transporte clandestino, houve vários atos de vandalismo por causa da apreensão de Kombis e Vans, uma baderna total onde todos perderam, a cidade e os funcionários

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Aqui em Sampa, já assistimos esse filme.

    Em breve nasce a RGSulTrans e tudo fica como Dantes no quartel de Abrantes, ou pior.

    E se preparem, que vem mais uma despesa para os contribuintes pagarem; o subsídio.

    Lamentável…

    Att,
    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  3. carlos souza disse:

    Falência ética e moral generalizada já consumada em definitivo pela pandemia.O próprio Me(rdhe)llo quis fazer o mesmo como vice do (in)Fortunatti.O mundo já acabou faz tempo e a inexistência de vergonha na cara foi a principal causa.Além claro da COVID-19.

  4. Elton disse:

    Ao menos uma ineficiência com dinheiro público para os cidadãos de Porto Alegre manter.

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