Presidente da Urbs é questionado por vereadores de Curitiba sobre estudo que sugere que ônibus não são foco de disseminação da covid-19

Ogeny Pedro Maia Neto participou da sessão plenária por videoconferência. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

Parte dos parlamentares pediu mais detalhes sobre estudo e citaram dados que apontam o risco de contaminação, como a média de mortes entre motoristas e cobradores que é o dobro da média nacional; Passageiros assintomáticos podem dar interpretação errada; Ogeny Pedro Maia Neto ainda se queixou de custeio das integrações com ônibus metropolitanos

ADAMO BAZANI

Vereadores de Curitiba questionaram o presidente da gerenciadora de transportes municipais, Urbs Urbanização de Curitiba S.A.), Ogeny Pedro Maia Neto, sobre um estudo divulgado pela prefeitura que sugere que ônibus não são foco de disseminação da covid-19.

A sessão ocorreu na última quarta-feira, 02 de junho de 2021.

Como mostrou o Diário do Transporte, o levantamento mostrou que dos cerca de 300 mil passageiros que diariamente passam pelas catracas do transporte coletivo da cidade, 99,9% não têm diagnóstico de covid-19.

A informação foi divulgada após a realização de um levantamento epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, que analisou o período de março de 2020 a março de 2021.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/28/estudo-da-prefeitura-de-curitiba-pr-aponta-que-onibus-nao-sao-foco-de-covid-19/

Entretanto, parte dos vereadores pediu mais detalhes do estudo e citaram dados que apontam o risco de contaminação, como a média de mortes entre motoristas e cobradores que é o dobro da média nacional.

O vereador Professor Euler (PSD) disse que média de mortes de motoristas e cobradores pela covid-19, ponderando-se os dados da Urbs e do sindicato da categoria, seria de 0,4%. No Brasil, com 465 mil mortes, a taxa equivaleria a 0,21%. “Por que a média de mortes de cobradores e motoristas é o dobro da média de mortes da população nacional? É só uma coincidência ou realmente o problema está dentro do ônibus?”, pontuou, de acordo com nota da assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Curitiba.

Ogeny voltou a defender o estudo e disse que o índice de usuários contaminados contou com a participação de infectologistas da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e de técnicos da Urbs, para a análise estatística dos números.

“Não existe relação direta entre o número de passageiros de ônibus e de contágio da doença. O índice de contaminação de passageiros é inferior a 0,1%”, declarou. “No ponto alto da pandemia, tivemos 0,09% de passageiros que tinham cartão-transporte e estavam infectados [cruzados os CPFs dos usuários com testes positivos].Não significa que esses usuários necessariamente pegaram o transporte coletivo.”

A professora Josete (PT) disse, de acordo com a nota da Câmara, que o problema não é a pesquisa, mas sua interpretação, devido aos passageiros assintomáticos, que podem levar a conclusões de que o transporte pode ser mais seguro do que ele é de verdade.

 “Para saber isso [com precisão] precisamos fazer testagem em massa. Existe encaminhamento para ampliar a testagem?”, declarou.

Ogeny admitiu que a testagem em massa traria “resultados muitos mais confiáveis”.

CRÍTICAS AO SISTEMA METROPOLITANO:

O presidente da gerenciadora municipal fez críticas ao sistema metropolitano tanto em relação ao custeio de integrações como às lotações.

“A integração quem paga hoje é o Município de Curitiba”, afirmou Ogeny, em resposta à pergunta de Marcelo Fachinello. “Nós inclusive fazemos esse pedido ao Governo do Estado, para que possamos continuar com a integração do sistema de transporte que é referência mundial, e que também tenhamos mais ônibus à população, que aporte os recursos”, defendeu, em outro momento da apresentação.

Foi justamente uma falta de entendimento entre Estado do Paraná e prefeitura de Curitiba que resultou em 2015 numa desintegração dos dois sistemas.

Os passageiros que tinham apenas um bilhete, passaram a ser obrigados a usar dois cartões. No momento de transição, à época, foi necessário implantar um passe de papel provisório.

Ogeny também alfinetou o sistema metropolitanos pelas lotações registradas em terminais e veículos do município.

“Esse acúmulo [de passageiros] muitas vezes é causado por ônibus que chegam da região metropolitana, e vêm sim lotados de gente. Lá na região metropolitana [o dimensionamento] é feito pelas empresas. Aqui somos nós [Urbs]. Existe sim uma falta de ônibus, e quando chegam a Curitiba [os passageiros] precisam ser diluídos pelo sistema”, disse o gestor da Urbs.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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