Apenas 1/3 de quem usa ônibus está no “novo normal do teletrabalho” e maioria dos usuários são mulheres na capital paulista

O mundo virtual não faz parte da realidade da maioria de quem usa ônibus

De acordo com pesquisa realizada pela SPTrans (São Paulo Transporte) no ano passado para avaliar perfil do usuário e trabalhador de transporte público na pandemia, apenas 2,27% entre motoristas de ônibus são mulheres

ADAMO BAZANI

O teletrabalho (home office), no chamado “novo normal” da pandemia de covid-19, não chegou à realidade de quem usa ônibus na capital paulista.

É o que revela uma pesquisa feita pela SPTrans (São Paulo Transporte) entre setembro e outubro do ano passado com cerca de 600 passageiros do sistema municipal, apresentada nesta quarta-feira, 26 de maio de 2021, numa série de webinars da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes) sobre o Maio Amarelo.

De acordo com apresentação da Coordenadora do Grupo de Trabalho de Ações Contra Violência de Gênero, Raça e Diversidade na Mobilidade Urbana, Luciana Durand, o levantamento mostra que para 70% dos passageiros de ônibus da cidade de São Paulo, o trabalho tem de ser feito presencialmente.

Entre os passageiros que conseguem fazer o teletrabalho, as mulheres compõem a minoria: 29,27%

Se elas são minoria à frente das telas dos computadores, nos bancos e nos corredores dos ônibus, as mulheres representam a maior parte da demanda transportada.

De acordo com a pesquisa, entre os usuários, 56,67% são mulheres e 43,33% são homens.

O perfil majoritário das mulheres que usam ônibus na cidade de São Paulo também foi identificado pela pesquisa: 57% são mulheres jovens, negras, de ensino médio completo, com ocupações no setor de comércio e possuem renda média familiar de R$ 2,4 mil, fazendo assim parte da classe C.

Se a maioria dos usuários é formada por mulheres e a maioria das mulheres trabalha no comércio, logo, toda a vez que nos planos de ampliação ou redução de atividades para conter a covid-19 é feita uma alteração nos horários de lojas e shoppings, o impacto nos ônibus tende a ser maior que mudanças em outros ramos.

MULHERES AO VOLANTE:

Outro dado apresentado é que, apesar de estarem presentes no sistema de ônibus, as mulheres que dirigem os coletivos representam apenas 2,27%, ou somente 691 motoristas.

A função de cobradora, extinta no subsistema local (onde operam as empresas que surgiram de cooperativas), é ainda a que reúne a maior parte das profissionais: são 2.976 cobradoras, o que representa 19,62% desta mão de obra.

No trabalho de fiscalização, as mulheres somam 19,78%, o que representam 676 fiscais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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