Funcionário que trabalhava em plano de contingência de greve do Metrô é atropelado na linha 1-azul

Delpom vai investigar possível erro de procedimento; Metrô diz que funcionário é capacitado

ADAMO BAZANI

A Delegacia do Metropolitano – Delpom apura um acidente envolvendo um funcionário do Metrô escalado para atuar no plano de contingência na operação parcial da linha 1-Azul durante a greve dos metroviários nesta quarta-feira, 19 de maio de 2021.

De acordo com relatório ao qual o Diário do Transporte teve acesso, um supervisor de estações estava atuando na função de operador de trem foi atingido por uma composição na área de manobras da linha 1 às 17h48.

O acidente inclusive deixou lentas as operações e foi informado pelo Metrô como “presença de usuário na via”, como mostrou a reportagem no dia.

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/19/falha-na-linha-1-azul-do-metro-complica-ainda-mais-situacao-do-passageiro-greve-afeta-volta-para-a-casa/

Existem dois estacionamentos de trens na região do atropleamento, o TM1 e o TM2

Segundo o documento oficial, o trabalhador saiu do trem que operava no TM2 e foi até o TM1 ajudar um colega que estava com dificuldades.

De lá foi de trem com esse colega até a estação da Luz.

A partir deste ponto, seguiu a pé para voltar ao pátio onde deixou o trem que conduzia, caminhando um trecho pelos trilhos.

Mas o funcionário, segundo relatório, não avisou ao CCO – Centro de Controle Operacional.

Quando já subia uma escada que daria acesso ao TM2 foi atingido pela composição L31.

O supervisor, que cuida de estações e tinha conhecimento de operação de trens, está na UTI, quebrou o quadril e teve ferimentos em várias partes do corpo, como pernas e cabeça.

Ele não corre risco de perder a vida.

Por meio de nota, o Metrô diz que o funcionário tem curso e é capacitado para desempenhar a função que exercia no momento.

Nesta quarta-feira, com a greve deflagrada pelo sindicato dos metroviários, o Metrô operou parcialmente por meio do plano de contingência preparado pela Companhia. Um funcionário, com curso e capacitado para desempenhar a função que exercia, sofreu um acidente de trabalho. O Metrô está analisando as imagens para entender quais foram as causas desta ocorrência e presta todo o apoio ao funcionário.  O Plano de Contingência é realizado com toda cautela pelo Metrô e só é necessário quando o sindicato decide não pensar na população, mas nos seus benefícios próprios. O BO foi lavrado na DELPOM

Por meio de nota, o Sindicato dos Metroviários disse que a entidade cobra a apuração dos fatos e classificou como “irresponsável” a atitude da Companhia do Metrô ao colocar na operação um funcionário que não atua no dia-a-dia da na atividade.

Na greve realizada em 19/5 (quarta-feira), o Metrô mais uma vez acionou seu Plano de Contingência. Essa ação irresponsável

provocou um grave acidente, que pode causar a morte de um trabalhador. Para evitar o sucesso de uma greve, a direção do Metrô criou o seu Plano de Contingência. Coloca funcionários que não são Operadores de Trem para desempenhar essa função. Dá a eles um treinamento rápido e os joga numa atividade que requer um treinamento longo e detalhado.

Na greve realizada em 19/5, mais uma vez o Plano foi aplicado. O resultado foi um grave acidente, que pode provocar a morte de um OTM3, um cargo de chefia no Metrô.        

O metroviário acidentado teve fratura no quadril e sofrerá cirurgia. Várias partes de seu corpo foram seriamente atingidas no acidente. O quadro médico é grave.

O Sindicato dos Metroviários sempre combateu esse Plano e denunciou a possibilidade de acidentes. Trata-se de uma atitude antissindical. Para evitar uma greve, coloca a vida de muitas pessoas em risco.

Os metroviários reivindicam a apuração do acidente, responsabilização do Metrô no caso e fim do Plano de Contingência.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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