MobiBrasil já havia transferido linhas municipais para a Suzantur em Diadema; Operações com o novo Grupo começam neste sábado, 15 de maio de 2021
ADAMO BAZANI
Colaborou Willian Moreira
O Grupo da Viação ABC e da Metra, da família Setti e Braga, vai assumir no sábado, 15 de maio de 2021, as linhas da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), operadas pela MobiBrasil, de Niege Chaves, a partir de Diadema, no ABC Paulista.
A informação foi confirmada ao Diário do Transporte pela empresária Niege Chaves no início da tarde desta terça-feira, 11 de maio de 2021, quando houve a formalização, com a desistência da MobiBrasil das linhas metropolitanas.
É o início da atuação do grupo em toda a extinta Área 5 da EMTU na reformulação dos transportes metropolitanos da região anunciada pelo Governo do Estado, que contempla a construção de um sistema de BRT, com ônibus elétricos em corredores entre o ABC e a capital paulista. (veja mais abaixo).
Este primeiro movimento também envolve as linhas da Viação ABC e da Publix, que já são do Grupo da Metra.
Para o passageiro, não haverá mudanças quanto a tarifas, itinerários e nomenclatura das linhas.
Parte da frota que era da MobiBrasil será aproveitada nas operações e outra parte já pertencia a empresas do Grupo ABC. São em torno de 26 ônibus que eram da MobiBrasil
A maior parte dos trabalhadores que vai atuar nas linhas é do Grupo ABC. A maioria dos funcionários da MobiBrasil, por sua vez, vai trabalhar em outras operações, como na capital paulista.
De acordo com o portal oficial da EMTU, as linhas até então operadas pela MobiBrasil são:
006 – São Bernardo do Campo (Jardim Nazareth) / São Paulo (Terminal Sacomã);
044 – São Paulo (Jardim Castelo) / Diadema (Centro);
051 – Diadema (Vila São José) / São Paulo (Saúde);
112 – Diadema (Terminal Metropolitano Piraporinha) / São Paulo (Santo Amaro);
154 – São Bernardo do Campo (Jardim Nazareth) / São Paulo (Terminal Sacomã);
182 – São Bernardo do Campo (Acampamento dos Engenheiros) / Diadema (Terminal Metropolitano Diadema);
212 – Diadema (Jardim Sapopema) / São Paulo (Terminal Sacomã);
236 – Diadema (Terminal Metropolitano Piraporinha) / São Paulo (Terminal Sacomã);
279 – Diadema (Terminal Metropolitano de Diadema) / São Paulo (Metrô São Judas);
358 – Diadema (Vila São José) / São Paulo (Saúde)
380 – Diadema (Terminal Metropolitano de Diadema) / São Paulo (Jardim Guacuri);
446 – São Bernardo do Campo (Jardim Borborema) / São Paulo (Saúde);
855 – Diadema (Taboão) / São Paulo (Jabaquara).
Como mostrou o Diário do Transporte, em 11 de fevereiro de 2021, a empresa MoboBrasil formalizou a transferência das linhas municipais de Diadema para a Suzantur.
Relembre:
A mudança ocorre num momento de transição do sistema de linhas de ônibus da EMTU no ABC Paulista.
Como mostrou o Diário do Transporte, em 23 de março de 2021 a gestão do governador de São Paulo, João Doria, formalizou um contrato de R$ 22,6 bilhões com a empresa Metra, também da família Setti e Braga, que amplia a concessão da companhia no Corredor ABD de trólebus em troca de investimentos como a modernização do sistema e a construção do BRT-ABC (Bus Rapid Transit) que, com ônibus 100% elétricos, vai ligar as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul até o Terminal Sacomã, na zona Sudeste da capital paulista.
O contrato também passa para a Metra em torno de 85 linhas de ônibus metropolitanos comuns que são operados por diferentes empresas, na chamada Área 5 da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que será extinta até março de 2022.
Relembre:
VEJA QUEM É QUEM:
GRUPO ABC:
Já o Grupo ABC é da família Setti & Braga que atua há 110 anos nos transportes da região, tendo como uma das primeiras atividades no setor, a ligação por meio de tílburis (veículos puxados a cavalo) entre a Villa de São Bernardo (hoje centro de São Bernardo do Campo) e a Estação São Bernardo (hoje Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André, da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)
Entre as empresas de transporte do Grupo ABC estão Metra (concessionária de ônibus, trólebus e terminais do Corredor Metropolitano ABD), BR7 Mobilidade (todas as linhjas municipais de São Bernardo do Campo), Viação ABC (linhas da área 5 do ABC, da EMTU), Publix (linhas da área 5 do ABC, da EMTU), Diastur (escolar e fretamento), além da Eletra Industrial (que produz tecnologia para ônibus elétricos, híbridos, DualBus e trólebus, e caminhões elétricos para a MAN-Volkswagen),
A atuação do Grupo ABC poderá ser ampliada ainda mais com a construção e operação de um sistema de ônibus rápidos de alta capacidade não poluentes (BRT – Bus Rapid Transit) escolhido pela gestão do governador João Doria para substituir um projeto de monotrilho que seria a linha 18-Bronze (São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e São Paulo). Na alegação do Governo do Estado, um monotrilho para a ligação não seria viável por ser de alto custo de operação e implantação possuindo uma capacidade limitada de transporte.
Como mostrou o Diário do Transporte, em 29 de dezembro de 2020, a proposta da Concessionária Metra de prorrogação antecipada do Corredor ABD em troca da implantação do BRT no ABC Paulista, sistema de ônibus de maior capacidade e velocidade que os corredores comuns, foi aprovada com várias condicionantes na reunião dos conselhos de PPP (Parcerias Público Privadas) e de desestatização da gestão do governador João Doria.
A questão ainda vai se definida, mas a aprovação do Conselho é um passo fundamental para a concretização da proposta.
Relembre:
A família Setti & Braga ainda possui negócios em outros segmentos, como empresas de construção e pavimentação, franquias da rede Habib’s de fast food, Cemitério Vale dos Pinheirais de Mauá, Funeral Home nos Jardins, em São Paulo.
Empresas de tecnologia de aplicativos para transporte coletivo, como UBus, e de bilhetagem eletrônica, como o Cartão Legal de São Bernardo do Campo, também possuem participação da família Setti & Braga.
MOBIBRASIL:
A MobiBrasil tem como principal sócia a empresária Niege Chaves e a origem da empresa é no Estado de Pernambuco, onde atua no transporte coletivo na Região Metropolitana de Recife desde 1982.
O início das operações foi na cidade pernambucana de São Lourenço da Mata.
Em 2009, a empresa deu um dos seus maiores passos quando passou a operar em parte da zona Sul da Capital Paulista ainda com o nome de VIM – Viação Metropolitana Ltda, assumindo as operações de uma empresa tradicional da cidade, a Paratodos.
Em 16 de janeiro de 2019, a MobiBrasil ampliou ainda mais as operações na cidade de São Paulo ao assinar a compra da Tupi Transportes Urbanos Ltda, companhia tradicional na capital paulista, fundada em 1960 e que pertencia à família Pavani. As linhas também são na zona Sul.
Em 2011, formando o Consor (Consórcio Sorocaba), juntamente com a CSBrasil, do Grupo Júlio Simões, passou a operar o lote 01 de Sorocaba, no interior paulista.
Na mesma cidade, também juntamente com a CSBrasil, participa da implantação do sistema de BRT (corredores de ônibus rápidos), num modelo de contratação até então inédito no País para este tipo de transporte, já que inclui implantação de infraestrutura, projetos, desapropriações, material rodante (ônibus) e tecnologia ITS (Sistema Inteligente de Transporte), no âmbito de uma PPP (Parceria Público Privada) com o município.
O Consórcio BRT Sorocaba apresentou proposta na concorrência internacional 001/2015 em 05 de março de 2016.
As obras do BRT Sorocaba começaram em 2018 e o primeiro trecho do sistema passou a operar em 30 de agosto de 2020.
Em junho de 2011, a MobiBrasil venceu a licitação de ônibus municipais em Diadema, assumindo um dos lotes operacionais. O outro lote passou a ser de responsabilidade da empresa Benfica.
Em 11 de fevereiro de 2021, a MobiBrasil formalizou a transferência de suas linhas municipais de Diadema para a Suzantur, esta, por sua vez, que já havia em junho de 2020 acertado a compra das linhas municipais de Diadema que eram do lote da Benfica.
O grupo da MobiBrasil também atua no setor de tecnologia em transportes, com os sócios participando de empreendimentos como o aplicativo de celular CittaMobi, que foi disponibilizado 2014, estando presente em diversas cidades.
Entre outras funcionalidades, o aplicativo mostra em tempo real a previsão de quando o ônibus vai passar nos pontos, horários, itinerários; com versão também para pessoas com deficiência visual e motora.
SUZANTUR
A Suzantur opera desde 2014 todas as linhas municipais de Mauá; desde outubro de 2016 opera de forma provisória o sistema de Vila Luzita em Santo André (o de maior demanda regional da cidade) até a realização de uma licitação; e em 05 de janeiro de 2021, confirmou ao Diário do Transporte a compra da Rigras de Ribeirão Pires, também no ABC Paulista, assumindo todas as linhas municipais e metropolitanas da empresa de Nivaldo Aparecido Gomes. Relembre neste link: https://diariodotransporte.com.br/2021/01/05/suzantur-adquire-rigras-e-vai-operar-as-linhas-da-empresa-municipais-e-metropolitanas-da-emtu/
A empresa também opera de forma emergencial os transportes em São Carlos, no interior paulista.
A Suzantur surgiu como empresa de fretamento em junho de 1982, mas passou recentemente a focar nas operações de ônibus urbanos.
Como mostrou o Diário do Transporte, em 29 de junho de 2020, a Suzantur confirmou que se desfez de todas as operações de fretamento, que foram vendidas para o Grupo Comporte, que inclui as empresas Breda e Viação Piracicabana, da família de Nenê Constantino, fundador da Gol e dono de mais de sete mil ônibus em todo o País.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
