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Ninguém se interessa pelo novo sistema de ônibus de São José dos Campos (SP) e licitação dá deserta

Ônibus elétricos em Corredores estão previstos no lote 01

Prefeitura deve rever o edital. Foram separadas operação, tecnologia e gestão

ADAMO BAZANI/ALEXANDRE PELEGI

Nenhuma empresa ou consórcio apresentou proposta na licitação para um novo sistema de transportes coletivos em São José dos Campos, no interior paulista.

Na sessão de abertura que ocorreu nesta quinta-feira, 06 de maio de 2021, não houve interessados.

A prefeitura deve rever o edital e, em nota ao Diário do Transporte, atribuiu a ausência de propostas à crise gerada pela pandemia de covid-19.

A Prefeitura de São José dos Campos acredita que o resultado desta etapa da licitação esteja ligado aos graves efeitos da pandemia em todo o mundo e em especial no setor do transporte público, que geraram uma instabilidade nas atividades econômicas e no número de passageiros transportados criando incertezas de mercado. Esse contexto pode ter imposto dificuldades para as empresas operadoras na formulação de suas propostas de participação na licitação.

Esta foi a primeira tentativa para o recebimento de propostas e nos próximos dias será feita uma avaliação do projeto, com a republicação do edital de forma mais breve possível.

A atual Administração Municipal acredita que o novo modelo de transporte público que está sendo proposto trará vários benefícios à população, oferecendo um sistema de melhor qualidade, mais confortável, moderno, com mais opções de deslocamento a um custo mais acessível. A Prefeitura continuará com os esforços para viabilizar o novo sistema e esclarece que o projeto da Linha Verde segue o cronograma previsto e deverá entrar em operação no final de 2021.

Estiveram presentes na sessão representantes do sindicato dos motoristas de ônibus da região, a fabricante de carrocerias Marcopolo (que vai fornecer os ônibus elétricos em corredores), Viação Saens Peña e Expresso Maringá, mas sem manifestação.

Como mostrou o Diário do Transporte, haverá concessões diferentes relacionadas ao transporte coletivo, conforme modelo proposto pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) uma da operação em si dos ônibus, linhas e equipamentos, outra da concessão da gestão financeira e uma relacionada à tecnologia.

A primeira concorrência, que deu deserta, foi da operação.

A justificativa do poder público para separar as licitações é escolher melhor empresas especializadas em cada área de atuação.

“O futuro modelo de concessão é inovador ao separar a operação, tecnologia e o financeiro. O objetivo com essa divisão é ter empresas especializadas em cada uma das áreas e elevar a qualidade e modernização do serviço”. – diz nota da prefeitura.

Sobre a operação, em 06 de abril de 2021, o Diário do Transporte noticiou que o sistema será dividido em dois lotes operacionais, incluindo os ônibus elétricos em corredores, os quais a prefeitura chamou de VLP (Veículos Leves sobre Pneus).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/06/sao-jose-dos-campos-sp-publica-concorrencia-para-separar-gestao-financeira-da-operacao-em-novo-sistema-de-transportes-coletivos/

Em nota, de 15 de abril de 2021, a prefeitura confirmou que o sistema terá 557 veículos distribuídos em cinco modelos: vans, micro-ônibus, padron e super articulado (23 metros), além dos VLP’s (Veículo Leve sobre Pneus), sendo que a maioria, 389 veículos, será do tipo convencional.

AUMENTO DE OFERTA DE VIAGENS:

A prefeitura prometeu que a quantidade de linhas vai aumentar dos atuais 101 trajetos para 112.

Com isso, ainda de acordo com nota da administração, a oferta de viagens vai crescer 43%, passando das atuais 6.798 para 9.892 viagens.

Estas mudanças deve proporcionar que 40% do total de usuários do transporte público esperem, no máximo 20 minutos, para embarcar em uma linha. Atualmente, segundo a prefeitura, 20% dos usuários embarcam em até 20 minutos.

LINHAS FLEXÍVEIS:

Outra promessa da prefeitura de São José dos Campos com a licitação é criar linhas com flexibilização parcial dos itinerários e das partidas.

“Esse modelo de transporte sob demanda é novo no país e surge para competir com o transporte individual. Na prática, os usuários poderão por meio de aplicativo, assim como acontece atualmente com as empresas de transporte individual, solicitar uma viagem que terá tarifa fixa integrada ou variável.”. – disse a administração municipal em nota.

FONTES DE RECURSOS ALÉM DAS TARIFAS:

A prefeitura de São José dos Campos também informou que o custeio do sistema terá outras fontes de recursos além das próprias tarifas, como a Zona Azul, o que deve baratear o valor para o passageiro.

“Ações como a separação dos serviços de operação e tecnologia e investimentos vindos de outras fontes de recursos – como a aplicação de R$ 9,2 milhões arrecadados com a concessão da zona azul – ajudam a amenizar o valor da tarifa cobrada do cidadão, permitindo a entrega de um serviço com mais frequência de ônibus, maior conforto para os passageiros com um valor mais baixo de tarifa.”

MENOR TARIFA TÉCNICA

Vai ser considerada vencedora da concorrência a proposta com a menor tarifa técnica.

O modelo até então praticado é o de outorga ao município.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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