Empresas do transporte coletivo de Teresina (PI) acumulam 90% de queda na arrecadação

Sindicato das empresas afirma que mesmo com as dificuldades, a quantidade de ônibus nas ruas é maior que a demanda pelo serviço. Foto: Glauber Medeiros/Ônibus Brasil.

Impactos nas finanças foram causados pela pandemia de covid-19

WILLIAN MOREIRA

O SETUT (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina) divulgou nesta terça-feira, 27 de abril de 2021, o resultado de um levantamento realizado pela entidade para contabilizar os impactos da pandemia da covid-19 no transporte público por ônibus de Teresina, no Piauí.

Os dados divulgados apontam que desde o início da crise sanitária do coronavírus, a queda na arrecadação das empresas do setor vem caindo de forma continua, chegando aos 90% em março deste ano, acompanhada pela diminuição gradual de passageiros transportados e aumentando o déficit entre os custos da operação do transporte e os valores obtidos para fechar essa conta.

Para o SETUT a situação é grave, já que as concessionárias não podem arcar com suas obrigações e não podem atualmente ser aliviada, uma vez que a Prefeitura de Teresina acumula uma dívida de R$ 28 milhões com o setor, fruto dos repasses financeiros previstos em contrato que não estão sendo realizados.

“O sistema de transporte coletivo urbano de Teresina continua em uma situação muito crítica. Fechamos o mês de março com a arrecadação proporcional a 12% do que se arrecadava antes da pandemia e com o custo operacional consideravelmente superior a esse percentual de arrecadação. Para se ter uma ideia, o que se arrecada no dia a dia sequer está sendo suficiente para que se faça o abastecimento dos veículos com óleo diesel e, dessa forma, garantir a operação do dia seguinte”, disse o coordenador técnico do SETUT, Vinicius Rufino, em nota divulgada para a imprensa.

Para efeitos mais notáveis, o sindicato das empresas afirma que em 2019 a média de passageiros transportados era de cinco milhões de pessoas e atualmente é de apenas 570 mil. Ainda assim, é mantida uma frota 50% maior em circulação em relação a demanda, aumentando ainda mais as dificuldades.

“A ordem de serviço operacional tem sido cumprida na medida do possível. É importante informar que a frota disponibilizada é cerca de 50% superior ao que tem se transportado de passageiros, ou seja, a oferta de veículos ainda é, consideravelmente, superior à demanda que está se transportando e isso acarreta uma dificuldade financeira para as empresas operadoras”, conclui o coordenador técnico do SETUT.

GREVE

Uma paralisação dos rodoviários das empresas Emtracol e Trasnfácil foi iniciada na manhã desta terça, afetando o atendimento do transporte coletivo na região sudeste de Teresina, capital do Piauí.

Segundo os trabalhadores, as duas empresas estão pelo menos a três meses sem efetuar o pagamento dos salários, causando insatisfação na categoria.

Relembre:

Greve parcial afeta o transporte coletivo de Teresina (PI) nesta terça (27)

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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