Eletromobilidade

Número de passageiros no transporte coletivo por ônibus cresce em São Paulo, mas quantidade de veículos não se altera

Dados do Monitor SP apontam que frota de ônibus em São Paulo segue com apenas 2% de veículos elétricos.

Levantamento do IEMA mostra que desde maio de 2020 número de usuários vem crescendo, o que pode aumentar o risco de contaminação pelo coronavírus

ALEXANDRE PELEGI

Dados do Monitor de Ônibus SP, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), mostram que o número de passageiros no transporte coletivo por ônibus na cidade de São Paulo vem crescendo paulatinamente desde maio de 2020, após os primeiros meses de maior adoção do distanciamento social.

Por outro lado, o número de ônibus que compõe a frota circulante na cidade, que desde junho de 2020 foi alterado para 12 mil veículos em dias úteis, segue até hoje sem alteração.

Parece claro que se o número de passageiros aumenta, e não há correspondência no aumento da frota à disposição da população, aumenta também o nível de ocupação nos ônibus, fator que majora o risco de contaminação pelo coronavírus.

Para evitar aglomerações no transporte público por ônibus, por que não manter minimamente a frota em sua capacidade operacional pré-pandemia?”, indaga David Tsai, pesquisador do IEMA.

A frota circulante de antes da pandemia era de 13 mil ônibus em dias úteis. Para David a frota poderia voltar à essa quantidade para minimizar o risco de contaminação.

A frota está menor do que já foi no passado recente, imediatamente antes da pandemia de coronavírus chegar ao Brasil”, reforça Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do IEMA, que também defende aumentar a frota para evitar a aglomeração, que pode favorecer a transmissão do vírus.

Os dados do Monitor SP, ferramenta online que permite acompanhar indicadores do transporte público por ônibus da capital, apontaram que em média 5,3 milhões de passageiros utilizaram os ônibus públicos da cidade de São Paulo em cada dia útil de fevereiro deste ano.

Isso representa um crescimento de 300 mil passageiros diante da média de janeiro de 2021.

Os números colhidos pelo IEMA através da ferramenta apontam que em média 4,7 milhões de passageiros usaram ônibus em cada dia útil de setembro de 2020. Em outubro este número subiu para 4,9 milhões, subindo em novembro para 5,1 milhões e caindo levemente em dezembro para 5,0 milhões, quantidade que se repetiu em janeiro deste ano.

Os números menores em dezembro e janeiro se devem às férias, quando naturalmente menos pessoas utilizam o serviço.

Antes da pandemia, em média 8,4 milhões de pessoas utilizavam os ônibus municipais por dia útil (fevereiro de 2020). Este número é 60% a mais do que no mesmo mês de 2021.

Para Tsai, mesmo com a quantidade de passageiros menor, continua ocorrendo a concentração em horários de pico. “Grande parcela da população continua precisando se deslocar para trabalhar e, para tanto, depende do transporte público.”

Os dados mostram ainda que a demanda por transporte segue abaixo do patamar pré-pandemia. Em abril de 2020, a média diária de passageiros chegou a ser 68% menor do que em fevereiro do mesmo ano (veja a tabela abaixo).

AR MAIS LIMPO

O IEMA ressalta que os ônibus utilizados nesse período estão sendo renovados tecnologicamente.

Isso favorece às empresas no cumprimento da Lei Municipal 14.933 de 2009, que prevê a renovação dos ônibus públicos por veículos com tecnologias menos emissoras. A Lei prevê a diminuição das emissões de poluentes e de gases de efeito estufa (GEE) na capital paulista. “Com o baixo nível de circulação dos ônibus, os indicadores mostram que fica facilitado o cumprimento das metas durante tal período atípico”, informa o IEMA.

O Monitor SP calcula que no total de janeiro, fevereiro e março de 2021, as quantidades acumuladas de dióxido de carbono (CO2), gás de efeito estufa, e dos poluentes óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP) emitidas na combustão foram, respectivamente, de 14%, 17% e 11% do total esperado para o ano inteiro.

A frota total paulistana, composta por 13.938 coletivos (dados de março deste ano), é constituída por 84% de ônibus diesel P7 (fabricados a partir de 2012, têm sistemas mais eficazes de controle de emissões), 14% de ônibus diesel P5 (mais poluentes, fabricados antes de 2012) e 2% de Elétricos (trólebus ou a bateria, que não emitem por combustão).

Em julho de 2020 esses percentuais eram de 78% (diesel P7), 20% (diesel P5) e 2% (elétricos), que totalizavam 14.016 ônibus.

Esses dados de renovação da frota são estimativas do Monitor de Ônibus SP.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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