Santo André (SP) suspende cobrança de aluguel dos moradores da Vila de Paranapiacaba

Suspensão será válida enquanto estabelecimentos e Parque Nascentes estiverem fechados por conta da pandemia. Foto: Alex Cavanha/PSA.

Medida é voltada apenas para quem depende do comércio e turismo

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de Santo André, no ABC Paulista, divulgou nesta quarta-feira, 14 de abril de 2021, que suspendeu a cobrança de aluguel dos moradores da Vila de Paranapiacaba. A medida é válida para quem depende do comércio e do turismo local.

A decisão foi tomada por meio da Secretaria de Meio Ambiente, diante da necessidade expressada por moradores e empreendedores da vila ferroviária, afetados pelo fechamento do comércio e do Parque Municipal Nascentes de Paranapiacaba, que estão com as atividades interrompidas por conta da pandemia de covid-19.

Desta forma, a suspensão será válida enquanto tais atividades não estiverem autorizadas a funcionar. Os aluguéis poderão ser renegociados em momento posterior e pagos em até 18 meses.

“Nossos esforços para garantir dignidade e segurança para a nossa gente são contínuos. Por isso, assim como no ano passado, vamos suspender a cobrança de aluguéis para ajudar os moradores e comerciantes da Vila de Paranapiacaba neste momento mais agudo da pandemia. Uma medida protetiva, até que possamos retomar atividades econômicas”, afirmou o prefeito Paulo Serra, em nota.

PEDIDO DOS MORADORES

Em nota, a Prefeitura ressaltou que o objetivo é atender a uma solicitação feita por entidades representantes dos moradores e empreendedores da vila, que nesta semana se reuniram com representantes da Secretaria de Meio Ambiente para avaliar ações preventivas e medidas de enfrentamento à pandemia.

O encontro foi realizado nesta terça-feira (13), com a presença do secretário de Meio Ambiente, Fabio Picarelli, da representante da sociedade civil, Val Matos, além de representantes da Associação de Moradores e Empreendedores de Paranapiacaba (AMEP), Associação de Moradores e Empreendedores de Paranapiacaba (AMA) e União Serrana de Comerciantes e Prestadores de Serviços de Paranapiacaba (USCPP).

“Todas as medidas que adotamos no auge da primeira onda surtiram o efeito desejado. Basta notar que nenhuma morte por Covid foi registrada até o momento em Paranapiacaba. Agora, diante do agravamento da pandemia, é muito importante repetir as medidas bem sucedidas que foram tomadas, em especial as de apoio aos moradores e empresários. Estamos atentos e sensíveis às necessidades locais ”, disse o secretário de Meio Ambiente, Fabio Picarelli, também em nota.

A Prefeitura informou também que seguirá adotando medidas de apoio aos moradores e empreendedores de Paranapiacaba, e que continuará reforçando o combate à covid-19 na Vila, por meio de ações de prevenção e desinfecção.

RESTAURO

Em março deste ano, a Prefeitura deu início às obras de restauro do primeiro campo de futebol com medidas oficiais inglesas do Brasil, localizado em Paranapiacaba. A administração municipal também entregou a revitalização de três imóveis na vila ferroviária: a casa da Rua Direita, o Galpão dos Solteiros e o Largo dos Padeiros.

Relembre:

Campo de futebol inaugurado por ferroviários ingleses em Paranapiacaba passa por restauro

HISTÓRIA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani.

Paranapiacaba é uma vila criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem grandes empreendedores, como Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, idealizador da linha; governos; investidores internacionais e grandes barões do café, já que o principal objetivo da ligação ferroviária foi inicialmente facilitar a exportação da produção, com o escoamento do produto do interior paulista até o Porto de Santos e, de lá, para ao mundo.

Também marcou a história da chamada Vila Inglesa, que tem até uma réplica do relógio Big Ben, o trabalho anônimo dos milhares de ferroviários que aturaram no ir e vir de pessoas e mercadorias e na construção de uma sociedade que deixava de ser rural para se tornar predominantemente urbana.

Leia mais:

HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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