Salvador vai substituir ônibus diesel por elétricos e BYD apresenta primeiro ‘VLT’ de subúrbio, diz governador

O primeiro dos 28 trens que compõem o ‘VLT’ do subúrbio em Salvador foi apresentado durante um evento virtual nesta quinta-feira (08)

Ao todo 28 composições de ‘VLT’ feitas na China vão substituir trens de subúrbio

ADAMO BAZANI / ALEXANDRE PELEGI

O governador da Bahia, Rui Costa, disse que ainda em sua gestão, que vai até o fim de 2022, Salvador dará início um processo de substituição de ônibus urbanos a diesel por modelos movidos à eletricidade.

A declaração foi feita a manhã desta quinta-feira, 08 de abril de 2021, durante apresentação pela internet da primeira de 28 composições do ‘VLT’ que vai substituir os trens de subúrbio. Neste caso, a sigla VLT, ao invés de ‘Veículo Leve sobre Trilhos’, está sendo usada pelo governo da Bahia para ‘Veículo Leve de Transporte’.

Os equipamentos estão sendo fabricados pela BYD na China.

De acordo com nota do Governo da Bahia, Rui Costa disse que os ônibus elétricos em Salvador devem aumentar o conforto nos transportes públicos.

São equipamentos modernos, que trarão conforto, modernização do modal de transporte, com um sistema tão importante quanto o metrô e o VLT, pois os ônibus elétricos alimentam esses transportes de massa com o mesmo padrão tecnológico e de conforto”.

Ainda segundo o governador, para esta substituição serão firmadas parcerias.

Vamos procurar viabilizar o mais breve possível o início da substituição desses ônibus, o que significa aprofundar e fazer parcerias para atualizar esses sistemas.”

Segundo ainda o poder público estadual, o sistema de trens leves “será o primeiro skyrail sobre o mar do mundo. O VLT do Subúrbio é fruto de uma parceria público-privada entre o Governo da Bahia e a Skyrail Bahia, empresa responsável pela implantação e operação do VLT”.

O governo explicou que o sistema deve atender 600 mil pessoas por dia

Classificado como veículo leve de transporte “do tipo monotrilho”, o VLT funcionará com base em 25 paradas em duas linhas, beneficiando cerca de 600 mil pessoas que vivem na região do Subúrbio. O modal trará agilidade e conforto aos passageiros por meio de um sistema composto por carros elétricos e energia 100% limpa, desenvolvido pela Skyrail Bahia. No total, estão sendo investidos cerca de R$ 2,5 bilhões na construção do sistema.

VLT OU MONOTRILHO?

Entre os especialistas há uma contrariedade pelo uso incorreto da terminologia: para os consultores ouvidos pelo Diário do Transporte ao invés de VLT, o Skyrail é, na verdade, um legítimo monotrilho.

Para o consultor Peter Alouche, apesar da imprensa da Bahia e do próprio governo do Estado insistirem em chamar a obra de ‘VLT de subúrbio’, ele esclarece que VLT e Monotrilho são modos de transporte próximos, mas diferentes. “Eles têm uma tecnologia diversa, com uma operação e manutenção distintas, com fornecedores próprios, com cuidados de segurança diferentes, cada um com suas vantagens e suas desvantagens”, diz.

Os dois modos têm suas características próprias que determinam sua perfeita adequação num determinado corredor. O que os une é a oferta de transporte, que ambos podem garantir, bem parecidas (média capacidade) e a sua inserção urbana como transporte limpo, além de seu bom atendimento ao público. Tudo obviamente pressupondo que os dois modos sejam implantados adequadamente”, diz Peter.

Na origem, o projeto era substituir o antigo trem de subúrbio por um moderno VLT, do tipo fabricado no Brasil.  A implementação seria sobre a via permanente de superfície onde circulam hoje os trens, logo, trafegando na superfície. A troca por um outro modal do tipo “Monotrilho” implica na construção de um elevado, sendo construída uma pista para automóveis onde antes era a via ferroviária. Em termos urbanísticos isso pode significar degradação da paisagem urbana, alegam alguns consultores ouvidos pelo Diário do Transporte.

Para Peter Alouche, o monotrilho é outro sistema, “que muitos chamam de metrô, no meu entender acertadamente, porque tem todas as características operacionais de um metrô elevado, embora com capacidade bem menor. Por isso podemos considerá-lo um ‘metrô leve’ por circular em via segregada (normalmente elevada) e por garantir uma oferta que varia de 10.000 a 35.000 passageiros por hora por sentido, dependendo do número de veículos por composição e do intervalo entre composições. É o caso de São Paulo, na Linha 15 – Prata do Metrô, monotrilho projetado para uma capacidade maior (40 a 48.000 passageiros por hora por sentido)”, diz Alouche.

“A tecnologia do monotrilho é totalmente diferente dos sistemas metroferroviários, como os VLTs, visto que, apesar do nome, o veículo não circula sobre trilhos. As vias são geralmente estruturas de concreto ou de aço, em elevado, e os veículos circulam com rodas de pneus, apoiados na estrutura (Straddle Type) ou suspensos nela (Suspended Type)”, conclui o especialista.

A MUDANÇA DE MODAL

O resultado da licitação para implantação e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Subúrbio Ferroviário de Salvador foi anunciado no dia 23 de maio de 2018. Relembre: Consórcio liderado pela BYD Brasil vence licitação para implantação e operação do VLT do Subúrbio de Salvador

O Consórcio Skyrail Bahia, liderado pela empresa BYD Brasil (Build Your Dreams) e com participação da Metrogreen apresentou proposta no modelo de Parceria Público Privada (PPP), com desconto de 0,01% na contraprestação anual, que será de R$152.977.352,12. O investimento total previsto do VLT é de R$ 1.5 bilhão.

No entanto, após o conselheiro Pedro Lino determinar de forma monocrática no dia 12 de setembro de 2018, a suspensão do edital de licitação para a PPP do VLT do Subúrbio, o pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE) da Bahia decidiu seguir e manter a decisão. Relembre: TCE da Bahia decide por suspensão da licitação do VLT do Subúrbio

O principal questionamento apontado foi quanto à alteração do objeto da licitação. Inicialmente o projeto previa apenas o VLT, mas em um segundo edital passou a admitir outros modais. A alteração implicaria em rever a viabilidade financeira do projeto, alegou o Tribunal.

O Ministério Público de Contas, que emitiu parecer favorável à decisão do TCE, afirmou à época que a mudança no objeto – VLT por Monotrilho, o que acabou prevalecendo – inviabilizaria a licitação. Isso porque há diferenças entre os diferentes modos sobre trilhos:  VLT, trem urbano, metrô e monotrilho. O governo do estado defendeu que a opção monotrilho é “um tipo de VLT”.

O MP de Contas afirmou em seu parecer: “Coube ao licitante definir que tipo de modal. Como se o estado tivesse licitando o contrato, não o objeto”.

Depois da longa batalha na Justiça, o contrato foi liberado. O Governo da Bahia chegou a divulgar o projeto com o nome de “VLT monotrilho elevado”, numa mistura dos dois modais que se chocou frontalmente com os conceitos definidos pela engenharia.

Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

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