Mais de 50% das empresas de transportes no Brasil avaliam como ruim ou péssima a atuação do Governo Federal no apoio ao setor durante a pandemia, diz pesquisa da CNT

Sistemas de transportes em todo o País perderam demanda de passageiros com pandemia

Foram consultadas companhias de transporte de passageiros e cargas de 24 a 30 de março. Vacinação em massa é entendida como principal solução, muito mais que medidas puramente econômicas

ADAMO BAZANI

A postura do presidente Jair Bolsonaro na condução do contexto da pandemia de covid-19 e a falta de apoio aos sistemas de transportes tem sido reprovada pela maioria dos transportadores de cargas, empresas de ônibus, empresas de trens e metrô, transporte aquático e companhias aéreas.

É o que revela pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgada nesta quarta-feira, 07 de abril de 2021.

Foram ouvidos donos, gestores e gerentes de transportadoras de cargas e passageiros entre os dias 24 e 30 de março.

Segundo o levantamento, 54,5% das empresas avaliam como ruim ou péssima a atuação do Governo Federal no apoio às transportadoras durante a pandemia.

Deste total, 18,6% das transportadoras avaliam a gestão de Bolsonaro como ruim e 35,9% como péssima. Já 22,4% classificaram a atuação do Governo Federal como regular; 16% boa e apenas 4,8% entenderam ser ótima a gestão.

Um dos exemplos de postura de Bolsonaro que tem desagradado os transportadores foi o veto em 10 de dezembro de 2020 ao projeto de lei (PL) 3364/20 do deputado Fabio Schiochet que propunha um auxílio emergencial de R$ 4 bilhões para sistemas de transportes em cidades acima de 200 mil habitantes e regiões metropolitanas, incluindo ônibus, trens e metrôs.

Para a decisão, Bolsonaro seguiu a manifestação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/12/10/bolsonaro-veta-o-socorro-de-r-4-bilhoes-para-os-transportes-publicos-e-preocupa-setor/

Em 17 de março de 2021, o Congresso manteve o veto.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/17/congresso-mantem-veto-de-bolsonaro-e-nao-havera-socorro-de-r-4-bilhoes-aos-transportes-coletivos/

Com a situação dos transportes crítica em grande parte do País, havendo o risco de paralisação dos serviços, em 01º de abril de 2021, chefes dos executivos municipais, reunidos pela FNP (Frente Nacional de Prefeitos), apelaram para o presidente do Congresso, Senador Rodrigo Pacheco, a criação de uma MP (Medida Provisória) que estabeleça algum tipo de apoio à mobilidade urbana.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/05/prefeitos-pedem-a-presidente-do-senado-medida-provisoria-para-manter-transportes-coletivos/

Por conta própria, algumas cidades têm tentado encontrar alternativas para manter os serviços.

Em 06 de abril de 2021, a Câmara Municipal de Porto Velho (RO) aprovou projeto de lei da prefeitura que prevê a isenção tarifária para todos os passageiros com a retomada gradativa da cobrança nos próximos meses até chegar ao valor de R$ 3,00 no fim do ano.

A prefeitura informou, por meio de nota, que a intenção “é fomentar a utilização do serviço de transporte público pela população e, consequentemente, preservar o equilíbrio econômico-financeiro celebrado pelo contrato com a atual responsável pelo sistema, a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda., empresa paulista que iniciou o atendimento na capital em outubro de 2020.”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/06/porto-velho-vai-socorrer-transporte-com-subsidios-e-com-gratuidade-para-todos-os-passageiros/

A cidade de Apucarana (PR) reduziu a tarifa de transporte coletivo em 1º de abril de 2021. O valor passou de R$ 3,60 para R$ 3.

O município vai subsidiar a diferença, o que deve gerar um impacto de R$ 2,5 milhões. O valor reduzido vai até o dia 31 de dezembro de 2021.

Com isso, a prefeitura acredita que será possível manter o sistema com a ampliação da frota para evitar aglomeração nos ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/01/apucarana-pr-reduz-tarifa-de-onibus-e-subsidia-sistema-para-manter-transporte-coletivo/

VACINAÇÃO EM MASSA É A SOLUÇÃO:

Os empresários e gestores de companhias de transportes que responderam à pesquisa da CNT também acreditam que a solução para a crise econômica nos setor gerada pela pandemia passa pela vacinação em massa da população, aspecto sobre o qual a gestão Bolsonaro recebe críticas por desde o ano passado não se interessar por vacinas e até em declarações públicas menosprezar os imunizantes disponíveis, como a Coronvac, chamada pejorativamente de “Vachina” pelo presidente por ser desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e por ter sido intermediada no Brasil por seu rival político, o governador de São Paulo, João Doria.

De acordo com o Ministério da Saúde, de cada dez pessoas no Brasil, nove são imunizadas pela CoronaVac, distribuída pelo Instituto Butantan, do Estado de São Paulo

A pesquisa da CNT mostra que a vacinação em massa, com 73,4% das respostas, é mais esperada pelos empresários de transportes que ações puramente econômicas como linhas de crédito e isenções de impostos federais. Cada empresário poderia escolher três respostas.

PESSIMISMO AINDA IMPERA:

O empresário de transportes, em geral, está pessimista com a atual situação e não consegue prever quando o quadro vai melhorar, segundo a pesquisa.

Segundo nota da CNT, o levantamento apresenta um alto percentual (97,0%) de respondentes que enfrentam prejuízos causados pela Covid-19 em seus negócios, sendo que, para mais da metade do total (53,4%), não é possível prever quando terminarão esses prejuízos; e somente 1,2% afirmou que os danos causados pela Covid-19 em suas empresas terminaram em 2020.

A CNT ainda explicou que hoje, apenas 9,7% dos representantes do setor acreditam que o nível de faturamento já voltou ao patamar registrado antes da pandemia, enquanto a maior parte está com prejuízo financeiro (58,4%). Cerca de 43,4% das empresas que participaram da pesquisa solicitaram crédito a instituições financeiras. Dessas, 46,4% tiveram acesso a crédito negado, agravando o equilíbrio de operações e obrigações.

Soma-se a esse panorama a piora no resultado das empresas no mês de março de 2021, quando 68,3% sofreram redução de demanda; 69,0%, de faturamento; 57,4%, de capacidade de pagamento; 44,7%, no quadro de empregados; e 41,2%, no tamanho da empresa, este último ilustrando a necessidade de possível venda de ativos para sua sobrevivência no mercado. Além disso, 52,4% das transportadoras responderam ter aumentado seu nível de endividamento.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    A-P-O-C-A-L-Í-P-T-I-C-A.Bozogado e o Sistema criminoso e genocida no Tribunal de Haia já.P-R-A O-N-T-E-M.Por essas e outras que eu mandei o Universo pra POOtHy@ QUE O PAHIW há muito tempo.

  2. Santos Dumont disse:

    Sim, é dolorosa a conta a pagar, mas as empresa também tiveram benefícios com a manutenção de seus funcionários, assim como, a exemplo de MG, a redução do combustível desde que não repassarei ao reajuste tarifário.
    Então existem formas diferenciadas de atenuar os efeitos da pandemia que não seja o socorro financeiro direto às custas do dinheiro público, afinal todas as atividades são essenciais ao cidadão , não apenas a que leva e traz pessoas – o mesmo não se diga do transporte de cargas, pois este gera produção, emprego e renda.
    Difícil essa equação sobre o que, quanto e como pagar essa indenização, considerando que, se a vida é o que importa, imprescindível o auxílio emergencial federal, assim como auxílios que estados e municípios possam repassar a seus concidadãos.
    Bancos, a começar pelos oficiais, que se beneficiam de seus clientes, por que não acenam com linhas de crédito a juros subsidiados e carência pelo prazo da chamada ‘imunização de rebanho’?
    Remédio amargo, seja ele qual for, e até mesmo as prefeituras (até certo limite populacional) assumirem ou bancarem (se é que existem fundos que suportem) as operações até aquela imunização na região. Uma coisa é inquestionável: queda nas vendas, produção e salários impactam na arrecadação…. e aí?

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