Paes envia à Câmara projeto para usar recursos municipais para melhorar BRT e diz que só 40% da frota estão operando

Eduardo Paes em encontro com vereadores. - Foto: Câmara Municipal Rio de Janeiro

Projeto será discutido pelos líderes partidários na manhã desta terça-feira (06), e poderá entrar em pauta já na sessão da 16h, em regime de urgência, se houver consenso entre as bancadas

ADAMO BAZANI

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, enviou nesta segunda-feira, 05 de abril de 2021, à Câmara Municipal um projeto que autoriza o executivo a usar recursos próprios para o sistema de corredores de ônibus rápidos BRT, que está sob intervenção da prefeitura formalmente desde 23 de março.

Segundo nota da assessoria da Câmara, o projeto será discutido pelos líderes partidários na manhã desta terça-feira (06), e poderá entrar em pauta já na sessão da 16h, em regime de urgência, se houver consenso entre as bancadas.

A proposta foi apresentada após reunião no centro de operações do sistema, da qual participaram 20 vereadores, o prefeito e a interventora do BRT, Cláudia Sessim.

Pelo projeto, os recursos poderão ser usados por 180 dias, ou seja, durante o período de intervenção que termina em 23 de setembro.

A intenção do poder público é conceder os corredores, estações, CCO (Centro de Controle Operacional) e as operações por meio de um novo processo de licitação.

Um dos artigos do projeto determina que a atual concessionária, a BRT Rio S/A, formada por empresas de ônibus da cidade, deverá compensar a prefeitura pelos investimentos que serão feitos no período.

Em nota, o presidente da Câmara, vereador Carlo Caiado, diz que solicitou uma estimativa dos custos que serão assumidos pelo município

“A Prefeitura encaminhou para a Câmara, em regime de urgência, o projeto de lei que autoriza o aporte de recursos para esse plano e intervenção. Já vamos discutir esta proposta amanhã, no Colégio de Líderes. Nós vamos dialogar muito sobre esse sistema, para que a população possa ter dignidade”, afirmou Caiado.

APENAS 40% DA FROTA CONTRATADA ESTÃO EM CONDIÇÕES DE OPERAR:

No encontro com os vereadores nesta segunda-feira, 05 de abril de 2021, o prefeito e a interventora apresentaram um relatório que mostra que dos 297 ônibus articulados existentes hoje, apenas 120 estão em operação, ou seja, 40% do total. Da frota restante, 56 estão totalmente inoperantes e 121 retidos por problemas técnicos.

“A Prefeitura pretende chegar a 241 veículos em funcionamento até o mês de setembro, com o aumento gradual da frota a cada mês” – diz a nota.

ESTAÇÕES FECHADAS:

A prefeitura do Rio de Janeiro ainda prometeu aos vereadores que das 46 estações que estão fechadas, 15 devem ser recuperadas já numa primeira etapa e as restantes numa segunda etapa da intervenção.

QUEDA DE RECEITA

Eduardo Paes e Cláudia Sessim disseram que antes mesmo da pandemia de covid-19, o BRT Rio já estava perdendo demanda de passageiros, mas que a doença agravou a situação.

“O BRT teve uma queda de 43% nas receitas em janeiro de 2021 quando comparado com o mesmo mês de 2020. Foram R$ R$12 milhões neste ano, contra R$21,9 milhões do mesmo período do ano anterior”.

PARTICIPANTES:

Participaram da reunião o presidente da Comissão de Transportes Alexandre Isquierdo (DEM), o vice-presidente Felipe Michel (Progressistas), o vogal Luiz Ramos Filho (PMN), além dos vereadores Welington Dias (PDT), Thiago K Ribeiro (DEM) , Vitor Hugo (MDB), Pedro Duarte (NOVO), William Siri (PSOL), Marcio Santos (PTB), Dr. Rogério Amorim (PSL), Luciano Medeiros (PL), Celso Costa (REPUBLICANOS), Tarcísio Motta (PSOL), Paulo Pinheiro (PSOL), Lindbergh Farias (PT), Prof. Célio Lupparelli (DEM), Tainá de Paula (PT), Thais Ferreira (PSOL), Jair da Mendes Gomes (PROS) e Renato Moura (PATRIOTA).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JOAO LUIS GARCIA disse:

    Esse sistema do BRT do Rio, quando estive na cidade na ocasião da FETRANSRIO em 2016, lembro-me muito bem de ter comentado com as pessoas que ali estiveram comigo que seria um sistema inviável pelo que pude notar.
    Ônibus circulavam pela Barra da Tijuca totalmente vazios, estações pareciam abandonadas, sem nenhum passageiro.
    Era nítido que o que fora feito naquela região era uma obra faraônica e sem um estudo apropriado da demanda de passageiros após a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016,
    Priorizou-se o lado político de todos os eventos que estariam acontecendo na Vila Olímpica situada naquela região.
    O grande problema é que após a realização dos eventos a demanda de passageiros teve uma queda vertiginosa acompanhada da falta de comando do poder público para conter a evasão de receita nas estações, roubo de cabos, depredação das estações, transporte clandestino comandado pelas milícias que já levaram inúmeras empresas que atendem a região a fecharem as suas portas.
    E para piorar ainda mais veio em 2021 a Pandemia aonde os problemas sociais agravaram-se com a falta de demanda em razão do desemprego e falta de renda da população.
    Agora o Poder público resolve intervir no sistema, até aí normal pois inclusive trata-se de cláusula contratual prevista na concessão, o grande problema e dúvida que fica é:
    – Os exemplos similares que já ocorreram em outras praças, foram desastrosos pois o poder público não sabe operar como o poder privado, aonde a redução e controle dos custos operacionais é feita e acompanhada de perto pelos gestores.
    – Quem não se lembra da antiga CMTC na cidade de S.Paulo, aonde os custos de operação eram infinitamente superiores as operadoras privadas.
    – Olhem o exemplo que estamos assistindo nesse momento na Carris de Porto Alegre, o atual Prefeito já definiu pela extinção daquela que é a primeira empresa de ônibus do Brasil.
    Essas empresas tinham em seus quadros funcionais, diversos apadrinhados políticos o número de funcionários ( relação funcionários x veículos ) eram absurdos quando comparados aos operadores privados.
    Triste realidade que infelizmente constata-se em quase todas as áreas geridas pelo Poder Público.
    Mais o mais triste é que nós ( povo ) que pagamos nossos impostos acabaremos por pagar direta ou indiretamente mais esse desastre administrativo.

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