Funcionários da CSN podem entrar em greve em Salvador na segunda (29)

Frota deve ser revisada quanto a valores patrimoniais

Trabalhadores temem que companhia, que teve o contrato rompido neste sábado (27), não pague dívidas

ADAMO BAZANI

Moradores das regiões de Mussurunga e Orla, em Salvador, devem estar atentos porque na segunda-feira, 29 de março de 2021, pode haver paralisação de motoristas e demais funcionários da CSN (Concessionária Salvador Norte), a maior alimentadora da linha 2 do Metrô.

O prefeito Bruno Reis anunciou neste sábado, 27 de março de 2021, o rompimento do contrato com o consórcio alegando diversas irregulares operacionais, fiscais e trabalhistas.

Os serviços estavam sob intervenção da prefeitura desde 16 de junho de 2020 e, com a caducidade, passam s ser de inteira responsabilidade do poder público.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/27/prefeitura-de-salvador-rescinde-contrato-com-a-csn-concessionaria-salvador-norte/

Ao repórter Anderson Ramos, do bahia.ba, o presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Hélio Ferreira, disse que os funcionários temem calote da empresa, que continua responsável pelos débitos trabalhistas, já que a caducidade do contrato não isenta dessa responsabilidade.

Segundo o sindicalista, as dívidas trabalhistas da empresa somam R$ 82 milhões, que poderiam ser pagos com o crédito que a companhia teria a receber de R$ 36,6 milhões da prefeitura e com a venda da garagem que, ainda de acordo com Hélio Ferreira, vale R$ 50 milhões.

Apesar do crédito que a empresa teria a receber como alegado pelo sindicalista, na manhã deste sábado, 27 de março de 2021, ao anunciar a caducidade do contrato, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, disse que as dívidas da CSN somam R$ 516 milhões, sendo que R$ 154 milhões em impostos municipais e federais e R$ 172 milhões em débitos que não são tributários junto ao município.

“Primeiro identificamos uma frota sucateada. A empresa tinha que oferecer 700 ônibus e tem hoje 535. Praticamente 20% da frota sem ter utilidade e, por isso, não prestava serviço publico de qualidade. Ela hoje tem processos trabalhistas em curso na ordem de R$ 35 milhões, e as rescisões, se fossem ocorrer de todos os trabalhadores em atividade, daria em torno de R$ 100 milhões. Com relação a tributos com a prefeitura, com o governo federal, chegam a ordem R$ 154 milhões. Além disso, tem outras dívidas com o município de R$ 172 milhões, a exemplo da outorga desse contrato, que não foi paga. Tem dívidas com fornecedores, com plano de saúde, tíquete refeição, posto de combustível, além de passivo aberto com bancos, na ordem de R$ 25 milhões, de parcelas de financiamento de ônibus e empréstimos. Tudo isso soma R$ 516 milhões”, anunciou o prefeito.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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