Apesar de promessa do governo federal, rodoviários continuam sem saber quando serão vacinados

Foto: Eduardo Guimarães Campos / Rio ônibus

Nota do Rio Ônibus lembra que o governo Bolsonaro vetou o auxílio de R$ 4 bilhões aos transportes, demonstrando sua falta de atenção a um serviço essencial para o país

ALEXANDRE PELEGI

Apesar de haver incluído os trabalhadores do transporte coletivo no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19 ainda em dezembro de 2020, a categoria continua até agora sem perspectiva de data para a imunização.

Como mostrou o Diário do Transporte, a inclusão dos rodoviários se deu na nova versão do Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, apresentada oficialmente pelo Ministério da Saúde no dia 16 de dezembro de 2020.

Naquela ocasião, o Ministério alterou também a previsão de utilização da vacina, ao garantir que nas três primeiras etapas do plano 49,6 milhões de pessoas seriam vacinadas. Relembre:

Trabalhadores do transporte coletivo são incluídos em grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19 no Ceará

Como se viu, nada do previsto aconteceu, e o país ultrapassou nesta quinta-feira, 24 de março de 2021, a vergonhosa marca de 300 mil mortes pela Covid-19.

Em nota, o Rio Ônibus, entidade que reúne os empresários de ônibus da cidade do Rio de Janeiro, afirma que na capital do estado os 21.500 trabalhadores do setor, que não deixaram de atender a população durante a pandemia, aguardam sem perspectiva a imunização.

A nota cita os movimentos realizados esta semana no ABC, em São Paulo, além de Salvador e Fortaleza, que exigiram providências do Ministério e das secretarias de Saúde.

Diariamente, no Rio de Janeiro, um motorista de ônibus percorre em média 120 km e tem contato com aproximadamente 200 pessoas durante o exercício da função. Desde o ano passado, o Rio Ônibus se manifesta no sentido de acelerar o atendimento aos profissionais, que atuam na linha de frente do transporte público por ônibus na cidade”, diz a nota da entidade das empresas.

O porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, ressalta que o transporte público é um serviço essencial muito exigido pela sociedade e pela classe política. Logo, “é necessário que haja a devida consideração também para com os heróis do transporte, que se mantiveram em atividade inclusive nos períodos de maior incidência da doença e de recomendação de isolamento social, como acontece novamente. São pais e mães de família, que merecem reconhecimento e direito à imunização no primeiro momento”, afirma.

O Rio Ônibus, além de cobrar a falta de previsão na vacinação dos rodoviários, lembra também que o Governo Bolsonaro vetou repasse de auxílio financeiro aos transportes públicos em todo o Brasil. “Esta postura potencializa a dificuldade econômica e operacional das empresas, que já amargavam prejuízos desde antes da pandemia. A falta de atenção do Poder Público gera graves prejuízos ao setor e prejudica ainda mais os profissionais, gerando atrasos no pagamento de salários, demissões e corte de benefícios”, conclui a nota.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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