Marcopolo registra alta em fretamento e micro-ônibus substituindo vans

Necessidade de manter distanciamento, tem feito com que mais veículos e de maior porte sejam empregados no transporte de trabalhadores

ADAMO BAZANI

A produtora de carrocerias de ônibus Marcopolo informou por meio de nota nesta terça-feira, 23 de março de 2021, que o segmento de veículos para o fretamento tem permitido com que as quedas globais nas vendas e produção de veículos de transporte coletivo não sejam piores ainda na pandemia de covid-19 que voltou a se agravar no Brasil.

Segundo a empresa, que reúne as marcas Marcopolo, Neobus e Volare, até abril, a companhia entregará mais de 200 unidades destinadas ao transporte de trabalhadores em áreas urbanas e nos setores de mineração e agronegócios, em diversos estados.

A Marcopolo diz que detém 52,7% de participação de mercado de ônibus e miniônibus fretados.

Dois fatores ligados à necessidade de distanciamento no transporte de trabalhadores têm sido notados pela fabricante: para transportar o mesmo número de pessoas estão sendo empregados mais ônibus e veículos menores, como as vans, estão sendo substituídos por modelos maiores como micro-ônibus ou mesmo ônibus.

“A necessidade das empresas se adequarem às determinações de distanciamento impostas pela pandemia gerou a demanda por mais veículos disponíveis. O que representou uma parte importante dos resultados da Marcopolo em 2020, sobretudo nos setores agro e mineração. As duas indústrias seguiram aquecidas mesmo durante a pandemia e, com as exigências de distanciamento social, as empresas aumentaram as suas frotas para transportar os funcionários para manter esse distanciamento dentro dos ônibus”,  disse em nota o gerente nacional de Vendas da Marcopolo, explica Leandro Sodré.

“Com o avanço da vacinação, esperamos que o mercado continue crescendo por conta da retomada dos passageiros às linhas regulares e, em um segundo momento, do turismo regional”, completou.

Na mesma nota, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento (ANTTUR), Jaime Silva, ressalta, entretanto, que o fretamento eventual, que é o destinado para eventos ou atividades turísticas, foi fortemente afetado pela pandemia em 2020, mas ainda há esperança de retomada, apesar do agravamento da situação epidemiológica entre fevereiro e março.

“Em contrapartida, o fretamento contínuo, como os serviços de transporte de funcionários, saiu fortalecido. Em 2021, já houve recuperação nesses primeiros dois meses e a expectativa para o ano é de retomada”, avalia.

Em relação aos micro-ônibus e miniônibus substituindo as vans, a Marcopolo diz que a  produção diária da Volare, marca de micro-ônibus da empresa cresceu 66% entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2020, passando de 12 para 20 veículos.

“Em grande parte, o crescimento foi impulsionado pelo aquecimento do mercado agro nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Em 2021, a perspectiva é de crescimento com a reabertura do turismo, além de escolas e universidades. A marca acaba de entregar 30 unidades para uma indústria de mineração no Amapá. Em 2020, foram 2.251 unidades produzidas para o mercado interno contra 2.305 em 2019. Porém, houve recuperação nos volumes vendidos no decorrer do período devido à busca pela substituição das vans, menos adequadas às novas regras.”,  finaliza a nota ao dizer que a “Volare é líder no setor de micro-ônibus e atua em 35 países na América Latina, Oriente Médio e África”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 

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