Rodoviários recusam propostas de empresas e greve de ônibus em Teresina deve continuar

Ônibus em Teresina

Justiça determinou circulação de 70% da frota nos horários de pico

ADAMO BAZANI

Os rodoviários de Teresina (PI) rejeitaram em assembleia na manhã deste sábado, 20 de fevereiro de 2021, propostas das empresas de ônibus e a greve que teve início no dia 08 de fevereiro deve continuar.

As companhias propuseram, segundo o sindicato dos trabalhadores, manter os salários sem reajustes e aumentar o tíquete refeição na mesma proporção de um eventual aumento na demanda de passageiros.

Os salários atualmente em Teresina são R$ 1.068 de cobrador, R$ 1.280 de fiscal e R$ 1.941,00 de motorista.

O valor base do tíquete na proposta é de R$ 584.

Em 01º de março seriam pagos 10% sobre o valor e, a partir de abril, os percentuais de aumento da demanda seriam aplicados sobre os R$ 584.

Por exemplo, se a demanda subir 12%, seriam R$ 584 + 12%.

De acordo com o sindicato a órgãos de comunicação local, as companhias de ônibus também propuseram a criação de um banco de horas mediante ao pagamento de 60% das horas extras.

Os 40% seriam convertidos em horas que dariam direito a folgas.

Outra proposta, também rejeitada, é a contratação por tempo parcial, com o pagamento de 50% dos salários, mas com a manutenção de benefícios sociais previstos na convenção coletiva de 2019.

Os trabalhadores vão analisar outras contrapropostas das viações.

Como mostrou o Diário do Transporte, a Justiça determinou em 18 de fevereiro de 2021, frota mínima em operação durante a greve de ônibus de Teresina, no Piauí. Segundo a decisão do juiz da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública de Teresina, João Gabriel Furtado Baptista, 70% dos veículos devem circular em período de pico e 30% nos demais horários.

A decisão considera como pico três horas pela manhã (das 6h às 9h) e três horas no final do dia (das 17h às 20h), de segunda a sexta-feira, e, aos sábados, das 6h às 9h e das 12h às 15h.

Além disso, a decisão da Justiça também proíbe atos que impeçam a circulação da frota de ônibus dentro dos percentuais mínimos estabelecidos. O não cumprimento das medidas pode resultar em multa de R$ 50 mil por dia para o Sintetro (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí), com teto de R$ 500 mil.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/18/greve-justica-determina-circulacao-de-70-da-frota-de-onibus-em-teresina-pi-em-horarios-de-pico/

Motoristas e demais funcionários das empresas de ônibus relatam que não houve o pagamento dos salários de janeiro e dos benefícios, como o vale-refeição.

Os profissionais ainda dizem que não foi fechada a renovação da convenção coletiva de trabalho referente a 2021.

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (SETUT) informou que “tentou acordo com o Sintetro a fim de evitar o movimento grevista, contudo não houve um entendimento efetivo entre as partes. Na última reunião, o Setut explicou aos representantes a impossibilidade de fechamento de acordo da convenção coletiva, devido aos problemas financeiros enfrentados pela empresa. Também foi explicado aos trabalhadores, que o pagamento que deveria ter sido realizado no último dia 05 não foi feito em decorrência do não repasse da Prefeitura de Teresina referente aos valores devidos, conforme prevê edital do sistema de transporte”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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