Prefeitura do Rio de Janeiro exige retorno de 40 linhas de ônibus inoperantes até abril

Consórcios já receberam os ofícios enviados pela SMTR e vão analisar o conteúdo. Foto: Carlos Bernardes/Ônibus Brasil.

Consórcios foram notificados pela SMTR e devem apresentar cronograma de reativação

JESSICA MARQUES

A Prefeitura do Rio de Janeiro exigiu o retorno de 40 linhas de ônibus que foram desativadas pelas empresas que operam o transporte coletivo da cidade.

A SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) informou que os consórcios já foram notificados e devem apresentar um cronograma de reativação. As linhas foram divididas entre “alta e média prioridade” para a população e o prazo para a retomada do primeiro grupo de itinerários é 30 de março, enquanto para o segundo é 30 de abril de 2021.

“Por meio do monitoramento de dados de GPS dos ônibus que circulam pela cidade, a SMTR, em parceria com as subprefeituras, está fazendo o levantamento e já identificou que 40 linhas de ônibus consideradas de alta e média prioridade para a população estão inoperantes. Os consórcios já foram notificados e deverão apresentar um cronograma de reativação dessas linhas”, informou a Pasta, em nota.

“O sistema permite o mapeamento e o monitoramento da frota em operação para verificar se o número de ônibus circulando é o que está determinado para cada linha, se houve redução e quais linhas não estão em operação. As informações estão sendo cruzadas com as principais reclamações de cada área para a montagem de um plano de recuperação dessas linhas”, detalhou também.

CONSÓRCIOS SE POSICIONAM

Em nota, o Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro) informou que “os consórcios já receberam os ofícios enviados pela SMTR e que vão analisar seu conteúdo junto ao corpo técnico, além de avaliar com o Município as condições de atendimento às solicitações em pauta”.

O sindicato também reforçou que pede mais diálogo com a Prefeitura em busca de melhorias para o transporte público, que vive sua mais grave crise.

Confira a nota, na íntegra:

Nesta terça-feira, a Prefeitura do Rio apresentou informações de utilização reduzida da frota de ônibus na cidade. O Rio Ônibus confirma a veracidade e reforça preocupação com os dados, tendo, inclusive, elaborado e fornecido o conteúdo em questão à Secretaria Municipal de Transportes através de ofício no último dia 21. No mesmo documento, os consórcios contextualizam todo o cenário de complexidades operacionais e econômicas do setor, que resultam na incapacidade de circulação de integralidade dos veículos, estando, a maior parte, avariados, envelhecidos, vandalizados ou sem combustível em razão de falta de recursos financeiros.

Após quatro anos de absoluta falta de atendimento aos seguidos alertas enviados pelas empresas de ônibus à administração municipal, o Rio Ônibus acredita que, mesmo diante de um grave cenário de dificuldades, a busca por soluções e melhorias para o transporte público da cidade precisa voltar a ser pauta diária e conjunta entre os operadores e a Prefeitura.

Ainda no período de transição do novo Governo, já havia tratativas no sentido de recuperar estações de BRT, planejar a redistribuição de linhas alimentadoras em diferentes bairros e de se buscar, mesmo diante do colapso econômico-financeiro do sistema, saídas para melhorar a rotina dos passageiros em seus deslocamentos.

Equipes técnicas dos consórcios de ônibus e da SMTR estão em fase de alinhamento para desenvolvimento de medidas emergenciais e de reestruturação. Entre as ações que podem dar fôlego econômico para a manutenção do serviço estão o reforço de fiscalização sobre o transporte por vans clandestinas, definições sobre a readequação da frota, revisão e otimização de trajetos de linhas, bem como a atualização tarifária, que segue congelada há mais de 24 meses.

BRT RIO

A definição foi feita por meio de um estudo da SMTR sobre o transporte coletivo da cidade. A Secretaria também analisou a frota disponível no sistema de BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) e as condições dos veículos articulados.

A Prefeitura informou ainda que iniciou discussões com o BRT Rio para reorganizar a distribuição das linhas e diminuir a concentração de usuários nas estações, principalmente em horários de pico da manhã e da tarde.

“O levantamento revelou que, nos dias úteis de janeiro, houve queda contínua da quantidade de ônibus em circulação na cidade. A situação da frota do BRT se agravou muito nos últimos 4 anos. Atualmente, a frota operante corresponde a menos da metade da frota determinada. A análise foi realizada com base em dados operacionais fornecidos pelo BRT e complementada com um esforço da SMTR para a retomada da análise dos dados de GPS de ônibus e BRTs da cidade, que permitem monitorar o posicionamento dos veículos por satélite, e o acompanhamento online da frota em circulação”, informou a Prefeitura.

Além disso, fiscais da SMTR também fizeram vistorias em 136 estações de BRT e nas garagens dos ônibus articulados. Foram encontrados apenas 199 veículos, em vez dos 413 estipulados na frota determinada, conforme previsto em contrato. Os dados foram discutidos com o BRT Rio.

Segundo a Prefeitura, a empresa alega que a frota disponível no fim de 2020 era de 306, sendo que oito foram queimados, 94 estão parados por falta capacidade financeira para a manutenção.

Em nota, o BRT Rio informou que “a relação com a Secretaria Municipal de Transportes é de total transparência e desde o período de transição do Governo, o BRT Rio vem prestando à Secretaria todas as informações técnicas, operacionais e financeiras. Estamos trabalhando em conjunto pelas melhorias do sistema”.

REGULAÇÃO

Diante da situação encontrada, a SMTR informou que vem discutindo caminhos para uma mudança de modelo de regulação com os consórcios e o Ministério Público.

Em paralelo, a secretaria detalhou ainda que está desenvolvendo uma ferramenta de compartilhamento de informações sobre o BRT, com dados sobre cada corredor, com três escalas de prioridade: Urgente (necessita de ação imediata); Alta (para realização de uma ação extraordinária); e Média (manutenção dos protocolos em vigor). Um protótipo já está em fase de testes.

Além disso, será implantado na Prefeitura um Comitê Executivo de gestão integrada do BRT com a participação, além da SMTR, da SEOP, SECONSERVA, CET-RIO, SMDS, RIOLUZ, SPM-RIO, COMLURB e Subprefeituras.

Segundo a SMTR, o objetivo é aumentar a capacidade de intervenção e priorizar ações conjuntas. O grupo fará reuniões mensais para monitorar a situação operacional do BRT.

“Estamos cobrando do BRT Rio, que administra o sistema, melhorias no serviço prestado à população e o cumprimento do contrato. Teremos novas reuniões com a empresa para buscar soluções”, afirmou Maína Celidonio, secretária municipal de Transportes.

AÇÃO INTEGRADA COM O BRT

Em nota, a Prefeitura informou ainda que iniciou uma operação integrada de 15 dias nas 26 estações mais movimentadas do BRT, com a participação de diversos órgãos municipais para a recuperação do sistema, por meio de ações de zeladoria.

O objetivo é criar uma dinâmica de uso do sistema em conformidade com as medidas de segurança para evitar a transmissão da covid-19. Foram realizadas ações de conscientização sobre a pandemia com distribuição de 113 mil máscaras oferecidas pela iniciativa privada em 13 estações e outras 150 mil serão doadas nas próximas semanas, segundo a Prefeitura.

“Houve acolhimento da população em situação de rua, combate ao comércio ambulante e ao calote nas estações, recolhimento de lixo, reforço na iluminação, poda de árvores, reparos da calha do BRT, calçadas e travessias, fiscalização do transporte alternativo irregular, entre outros serviços. As intervenções tiveram a participação, além da Secretaria de Transportes, das secretarias de Ordem Pública, Saúde, Assistência Social, Conservação, Comlurb, CET-Rio, Rioluz e Subprefeituras, em conjunto com o BRT Rio, operador do sistema.”

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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