ENTREVISTA: Rio de Janeiro pode ter mais greves de ônibus e coletivos já estão sendo recolhidos por falta de combustível

Empresas de ônibus fizeram um diagnóstico da situação e querem revisão nos contratos

De acordo com o porta-voz do Rio-Ônibus, Paulo Valente, em entrevista ao Diário do Transporte, prejuízos são de R$ 1 bilhão e quatro mil trabalhadores foram demitidos. Combate ao transporte pirata, revisão de tarifas e campanha contra o vandalismos estão entre as possíveis soluções em curto prazo

ADAMO BAZANI

Ouça na íntegra neste botão de áudio abaixo:

O Rio Ônibus informou que parte das empresas da capital fluminense ainda não conseguiu os recursos suficientes para pagar os compromissos trabalhistas e por mais que tentem evitar, novas greves no transporte municipal podem ocorrer nos próximos dias, como aconteceu na segunda-feira com o sistema BRT.

De acordo com o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, em entrevista ao Diário do Transporte na manhã desta quarta-feira, 03 de fevereiro de 2021, há incertezas ainda sobre os recursos para os pagamentos.

“Algumas empresas estão encerrando ainda os pagamentos dos salários de dezembro. O 13º algumas empresas que parcelaram em três, quatro, cinco e até oito vezes estão encontrando dificuldades de pagar. Boa parte das empresas não pagou o adiantamento que era previsto entre os dias 20 e 25 e deixaram para realizar este pagamento agora no quinto dia útil. Muitas empresas estão com dificuldades para fazer o pagamento de janeiro.” – disse.

Paulo Valente revelou ao Diário do Transporte que algumas empresas já estão recolhendo os ônibus para as garagens no meio da operação por falta de diesel, o que tem refletido em atrasos nas linhas.

“Hoje muitas das empresas de ônibus para receberem o óleo diesel já têm de pagar antecipadamente. Muitas vezes não fica a empresa inteira sem rodar, mas os ônibus saem de manhã sem abastecer, têm de recolher durante o dia para ir abastecendo ou então a frota sai reduzida porque não tem combustível para todos os ônibus. São coisas que não são diretamente percebidas pelo público , mas se transformam em intervalos maiores, como atrasos, e na verdade é falta de diesel no ônibus”

Segundo Valente, algumas ações de curto prazo são necessárias para evitar a paralisação dos serviços.

A entidade aponta como sugestões uma revisão nas tarifas, que estão congeladas há dois anos, campanhas e policiamento mais efetivos contra o vandalismo e o combate ao transporte clandestino, que tem afetado a demanda do sistema regular.

Além de vans piratas, têm ocorrido no Rio de Janeiro os falsos aplicativos, que são carros que param nos pontos e pegam passageiros como lotação.

Para médio e longo prazo, o Rio Ônibus defende uma revisão nos contratos, nas gratuidades, nas linhas e no financiamento do sistema.

De acordo com Valente, a crise nos transportes do Rio de Janeiro não é atual. Desde 2014, foram fechadas 15 empresas.

Com a pandemia, o quadro se agravou.

O porta-voz das empresas disse que desde quando a covid-19 foi reconhecida no Brasil, em março de 2020, as companhias acumulam prejuízos de R$ 1 bilhão; no BRT, as perdas foram de R$ 200 milhões. Entre março de 2020 e janeiro de 2021, foram mais de quatro mil funcionários demitidos de diversas áreas dentro das empresas de ônibus.

Segundo Valente, a situação de outros sistemas, como os trens, barcas e metrô apresenta quadro semelhante.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

Comentários

  1. JOSÉ ROBERTO CASTRO disse:

    É PRECISO URGENTEMENTE QUE PODER PÚBLICO, POLÍTICOS E JUDICIÁRIO ENXERGUEM O CAOS QUE SE INSTALOU NAS CIDADES POR CAUSA DESSES SERVIÇOS DE CARROS PARTICULARES FAZENDO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS POR APLICATIVOS SEM NENHUM TIPO DE REGULAMENTAÇÃO, CONTROLE DE FROTA OU FISCALIZAÇÃO ONDE ATROPELAM O CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. NÃO SÓ AS EMPRESAS DE ÔNIBUS ESTÃO FECHANDO AS PORTAS, MUITOS TÁXIS TAMBÉM NÃO ESTÃO COMSEGUINDO RODAR DEVIDO A CONCORRÊNCIA DESLEAL E PREDATÓRIA PRATICADA POR EMPRESAS MULTINACIONAIS QUE UTILIZAM QUALQUER PESSOA SEJA ELA DESEMPREGADA OU NÃO ABARROTANDO AS CIDADES DE VEÍCULOS PARTICULARES ONDE JÁ ESTÁ CHEGANDO O MOMENTO ONDE AMBULÂNCIAS, CARROS DE BOMBEIROS E VIATURAS POLICIAIS NÃO CONSEGUIRÃO TRANSITAR DEVIDO AOS CONSTANTES ENGARRAFAMENTOS. É PRECISO LIMITAR O NÚMERO DE VEÍCULOS QUE FAZEM ESSE TRANSPORTE CLANDESTINO E REGULAMENTAR AS TARIFAS POR ELES PRATICADAS JÁ QUE ÔNIBUS E TÁXIS SÃO REGULAMENTADOS E TEM SUAS TARIFAS CONTROLADAS PELO MESMO PODER PÚBLICO QUE PERMITIU ESSA ANARQUIA NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS.

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