MP entra com ação para garantir acesso ao transporte público no subúrbio de Salvador

Quando estiver em operação, 170 mil pessoas serão transportadas por dia pelo Veículo Leve Sobre Trilhos. Foto: Fernando Vivas/Governo do Estado da Bahia.

Trens serão desativados em 15 de fevereiro para obras do VLT

WILLIAN MOREIRA

O MP-BA (Ministério Público da Bahia) ingressou com uma ação judicial junto com o Gambá (Grupo Ambientalista da Bahia) para que o Governo do Estado da Bahia apresente em até 15 dias estudos técnicos e sociais que apontem os danos levados a população usuária dos trens de subúrbio, que em breve terão as atividades suspensas em razão da implementação do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos).

Assinada pela promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo Hortênsia Pinho e pelo advogado do Gambá Pedro Coelho, a petição foi encaminhada à desembargadora Telma Britto, relatora do processo, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia. Os requerentes citam uma decisão de 19 de junho de 2020, na qual o Estado da Bahia ficou obrigado a apresentar também em 15 dias estudos de medidas mitigadoras dos problemas gerados durante a obra, que teria sido descumprida já na época.

É argumentado na ação que a oferta do transporte alternativo para a população durante a implantação do novo modal reduz de forma sensível o acesso ao transporte, uma vez que tomando efeitos comparativos de valores, o custo semanal para quem utiliza os antigos trens é de em média R$ 20, aumentando para cerca de R$ 160 com os ônibus e as linhas recomendadas. Isso apontaria a falta de adoção de medidas para minimizar os impactos causados a mobilidade urbana.

Outro ponto para embasamento é uma pesquisa realizada em 2019 pelo Bákó Escritório Público de Engenharia e Arquitetura da UFBA, Ministério Público estadual e Tec&Mob, apontando uma demanda diária pelo sistema de trem suburbano de 6 mil pessoas, com 42% na época ganhando menos de um quarto do salário mínimo, estando abaixo da linha da pobreza.

SUSPENSÃO

O Governo do Estado da Bahia comunicou nesta semana a suspensão do atendimento pelo Trem do Subúrbio de Salvador a partir de 15 de fevereiro de 2021. A interrupção será necessária para que, no traçado atual do sistema, seja feita a construção de pilares do elevado do VLT.

As obras são de responsabilidade do Governo do Estado, executadas pela empresa Metrogreen Skyrail. O prazo de conclusão dos trabalhos é de 24 meses, tempo este em que o trajeto operado pelo trem será realizado por ônibus integrados ao sistema metroviário.

Durante as obras com as vias isoladas, tapumes serão colocados e a retirada da rede aérea da ferrovia será iniciada. Na sequência, será iniciada a prova de carga da via, etapa importante para no futuro se fincar as estacas e pilares do elevado do VLT, trabalho em paralelo da construção das estações.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado, Nelson Pelegrino, um estudo prévio foi realizado para diminuir ao máximo os impactos na rotina dos passageiros.

“Foi feita uma avaliação e pesquisa de origem e destino dos usuários de transporte público naquela região e sabemos como eles se deslocam. Os passageiros serão orientados sobre as linhas de ônibus que estão servindo aquela região do subúrbio e que podem ser utilizadas em substituição ao trem”, explicou Pelegrino.

ÔNIBUS

Atualmente, o trem de subúrbio possui uma tarifa simbólica de R$ 0,50 para percorrer o trecho entre Paripe e Calçada. Contudo, é preciso desembolsar mais R$ 4,20 em uma integração, totalizando R$ 4,70. Por este motivo, os veículos que vão substituir os trens serão integrados aos ônibus urbanos e metropolitanos com tarifa única de R$ 4,20.

O secretário ressalta que todos os roteiros e distâncias do trem para as estações de ônibus já foram estudadas e haverá uma sinalização especial para orientar melhor os passageiros.

Veja abaixo as linhas de ônibus que serão alternativas durante a obra:
• 1614 – Itaigara X Mirantes de Periperi Via Brotas;
• 1607 – Barra X Paripe Cocisa;
• 1550 – Vista Alegre/Alto de Coutos/Estação Pirajá;
• 1633 – Ondina X Mirantes de Periperi;
• 1606-01 – Base Naval Barroquinha;
• 1606-00 – Paripe X Barroquinha;
• 1651 – Lapa X Base Naval Via Estrada Velha;
• 1637 – Mirantes de Periperi – Imbuí/Boca do Rio;
• 0706-00 – Nordeste – Joanes / Lobato;
• 1642 – Lapa X Boa v. Lobato;
• 1615 – Lapa X Plataforma;
• 1568 – Barra X Faz. Coutos/vista Alegre;
• L111 – Baixa Do Fiscal / Lobato – Brasilgás
• 1567 – Vista Alegre – Barra
• 1608 – Paripe X Ribeira
• 1635 – Joanes X Lobato X Rodoviária

O VLT

Com custo de R$ 2 bilhões, a promessa do modal é promover avanços na qualidade do transporte e deslocamento de 600 mil pessoas na região.

Quando pronto, o trajeto atualmente feito em 40 minutos, cairá para 25 minutos e o intervalo entre os trens para 4 minutos no pico. Tempo bem menor que os 50 atuais.

Movido a propulsão elétrica, o VLT vai transportar 170 mil pessoas por dia e terá 21 estações com 19,2 quilômetro na primeira fase, ligando o bairro do Comércio em Salvador até a Ilha de São João em Simões Filho. Já a segunda fase prevê mais cinco estações e a extensão até São Joaquim, integrando com o Metrô, segundo o Governo do Estado.

A previsão é que o primeiro trem adquirido na China seja embarcado para o Brasil e chegue ainda em abril deste ano.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. DIEGO disse:

    “junto com o Gambá (Grupo Ambientalista da Bahia)”
    Que sigla inusitada mas ao mesmo tempo correspondente ao setor ambiental que foram arrumar pra organização. kkk

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