BRT Rio: Sete estações vandalizadas, dois ônibus articulados depredados e acidentes são registrados no fim de semana

Validador destruído em uma das estações. Fonte BRT Rio

No caso das colisões, motos invadiram pista de ônibus. Externalidades aos transportes estão entre os principais problemas

ADAMO BAZANI

O sistema de ônibus em corredores no Rio de Janeiro BRT (Bus Rapid Transit) mais uma vez foi alvo neste fim de semana de ações violentas e imprudência no trânsito.

Segundo o BRT Rio, sete estações vandalizadas, dois ônibus articulados depredados e dois acidentes ocorreram por invasão às pistas que são exclusivas para ônibus.

A concessionária relata que na madrugada de sábado, 16 de janeiro de 2021, criminosos forçaram a bilheteria e furtaram equipamentos das estações Ilha Pura e Centro Metropolitano. Também foi registrado furto de material na estação Recreio Shopping.

Ainda no sábado à noite, dois ônibus articulados foram vandalizados na altura da estação Mato Alto, no corredor Transoeste.  No ataque não houve feridos.

Segundo o BRT-Rio, em nota, “o vandalismo acarreta a retirada dos articulados de operação para manutenção e os principais prejudicados são os passageiros. Janelas e portas quebradas podem tirar um ônibus de circulação por até cinco dias.”

Já no domingo, 17 de janeiro de 2021, validadores de catraca da estação Curicica foram depredados. Esta é uma das estações reformadas nos últimos meses pelo BRT Rio.

Na madrugada desta segunda-feira, 18 de janeiro de 2021, foram registrados furtos de fiação nas estações Vila Sapê, Asa Branca e Santa Efigênia.

ACIDENTES:

A concessionária ainda relatou que fim de semana também registrou acidentes por invasão à pista exclusiva do BRT, ambos provocados por motociclistas, um na estação Mato Alto e outro na estação Dom Bosco, ambos no sentido Santa Cruz.

“O BRT Rio ressalta que faz campanhas permanentes em suas redes sociais para os cuidados que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres devem ter em relação à calha do BRT. No entanto, infelizmente algumas pessoas desobedecem às leis e invadem a pista exclusiva de forma indevida e imprudente. E considera que somente com uma fiscalização mais rígida das autoridades será possível minimizar esse tipo de ocorrência.” – diz o BRT em nota

RECUPERAR BRT ATÉ O FIM DO ANO:

Uma solução de mobilidade aplicada em diversas partes do mundo e ressaltada por especialistas, os BRTs (Bus Rapid Transit) diferentemente do que críticos dizem não são corredores de ônibus comuns.

São sistemas de maior capacidade e velocidade que os corredores com diferenciais como pontos de ultrapassagem, linhas expressas e paradoras e estações com embarque e desembarque no mesmo nível do assoalho dos ônibus.

Os BRTs não são para concorrer ou disputar espaço com os sistemas de trilhos, como pensam os mais exaltados, mas devem fazer parte de uma rede integrada de transportes que comporta diferentes meios.

No caso Rio de Janeiro, o problema não é a escolha do meio de transporte, mas especialmente as externalidades, como erros de projeto na construção, violência urbana e mau comportamento de usuários.

Como mostrou o Diário do Transporte, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou em 01º de janeiro de 2021, decreto determinando que a SMTR– Secretaria Municipal de Transportes conclua até 31 de janeiro um Plano de Ações para recuperação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit), que consiste nos corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímplica. O corredor Transbrasil ainda está em construção, com obras atrasadas.

Após a apresentação, o plano deve ser concretizado até o final de 2021, de acordo com o decreto Rio nº 48392 de 1º de janeiro de 2021.

Entre as determinações estão a reabertura de estações fechadas por vandalismo, presença mais efetiva da Guarda Municipal no sistemas e criação de mecanismos para melhorar a manutenção da frota.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/01/04/eduardo-paes-cria-acao-integrada-e-publica-decreto-para-plano-de-recuperacao-do-brt-do-rio-de-janeiro/

PROBLEMAS ALÉM DO TRANSPORTE:

O que são soluções de mobilidade utilizada em diversos países (inclusive de primeiro mundo), os corredores BRT no Rio de Janeiro não entregam à população os benefícios de forma integral por problemas muitas vezes não relacionados necessariamente aos transportes.

Os vandalismos e ataques a estruturas dos corredores fazem com que diversas estações permaneçam fechadas.

Em setembro de 2020, por exemplo, de 125 estações do sistema, 56 estavam fechadas sendo que 21 há mais de dois anos por furtos e ataques e 35 durante a pandemia de covid-19.

O pavimento dos corredores também é outro problema. Deteriorado em vários pontos, a situação do asfalto danifica os ônibus.

O primeiro erro já está na escolha do pavimento. O tráfego constante de veículos pesados, como os ônibus, exige um material mais resistente, como concreto com treliças de ferro.

E parte dos erros estruturais do BRT Rio começou justamente na gestão anterior de Eduardo Paes e na pressa de entregar os sistemas antes de competições esportivas mundiais.

Um relatório ainda da gestão de Marcelo Crivella frente à prefeitura, apresentado em 22 de agosto de 2018, mostrou que em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a administração, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

As inspeções verificaram ainda problemas de drenagem das obras já entregues.

“Em todas as inspeções, encontramos material encharcado, o que não pode acontecer, porque vai propiciar deformações. A drenagem cai para dentro da pista, o que é um equívoco, porque a água acumulada da chuva vai criar rachaduras e comprometer a estrutura do pavimento. Essa estrutura estava com espessuras abaixo do determinado no projeto. Isso demonstra a realização de uma obra sem critério técnico, sem fiscalização, sem qualidade e sem obedecer ao projeto”

Concepção errada do projeto, má execução das obras e utilização de material inadequado também fizeram parte dos apontamentos.

“Encontramos os mais variados problemas. A deformação na calha do BRT é resultado de um pavimento flexível executado fora das especificações, o que gera trincas e outras deformações na pista. Os agentes externos, responsáveis pela degradação do pavimento, são as cargas, o tráfego e as intempéries. Os agentes internos são a concepção errada do projeto, a má execução, o uso de materiais inadequados e a falta de conservação. Tudo isso pode ocasionar esses problemas que constatamos nas inspeções”

Recuperar o BRT de verdade, vai necessitar de várias intervenções, seja de obras, de gestão operacional, renovação de frota dos ônibus e até de segurança pública, já que a violência tem interferido no funcionamento das linhas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

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  1. Chega ser um tremendo contraste, se compararmos com Metra, corredor ABD, onde a bilheteria fica em local seguro, os terminais, e pontos de vendas, enquanto os pontos só tem lixeira pra depredar, O Rio a bilheteria é dentro do ponto, muito inseguro. Aqui no ABC sempre vejo correções de pistas, em S. Mateus, Piraporinha, Oratório só porque trincou…e além disso é segregada, na maioria do trajeto, nem carro, nem Moto, apenas ambulâncias e Polícia em caso de emergencia…(tem uns doidos que invadem com Patins e Skates)… O Rio precisa mesmo conhecer melhor a ABD aqui,,,e o prefeito ser firme em notificar a empresa que fez, em caso de não cumprimento do que foi compromissado, multa!

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