Eduardo Paes cria ação integrada e publica decreto para Plano de Recuperação do BRT do Rio de Janeiro

Corredores podem oferecer melhores serviços, mas há problemas além dos transportes . Foto: Divulgação BRT Rio

Programa com ações para melhorar os serviços e a estrutura da rede de corredores deve ser finalizado até 31 de janeiro. Intervenções devem ser concluídas até 31 de dezembro de 2021

ADAMO BAZANI

O prefeito recém-empossado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, publicou decreto determinando que a SMTR– Secretaria Municipal de Transportes conclua até 31 de janeiro um Plano de Ações para recuperação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit), que consiste nos corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímplica. O corredor Transbrasil ainda está em construção, com obras atrasadas.

Após a apresentação, o plano deve ser concretizado até o final de 2021, de acordo com o decreto Rio nº 48392 de 1º de janeiro de 2021.

Entre as determinações estão a reabertura de estações fechadas por vandalismo, presença mais efetiva da Guarda Municipal no sistemas e criação de mecanismos para melhorar a manutenção da frota.

Fica determinado prazo de até 30 (trinta) dias para que a Secretaria Municipal de Transportes elabore e apresente Plano de Ação para recuperar o Sistema BRT, trazendo de volta o funcionamento digno do sistema BRT em todas as estações (incluindo a reabertura de estações que foram fechadas), com segurança garantida por meio da presença ativa da Guarda Municipal e/ou do programa Segurança Presente, e promovendo o aumento imediato e a manutenção da frota para evitar longas esperas nas estações e a lotação dos ônibus.

O plano deve ser avaliado pela Secretaria de Finanças.

Ação integrada:

Ainda de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) inicia na manhã desta segunda-feira, 04 de janeiro de 2021, na Estação do BRT Santa Cruz, uma ação integrada com diversos órgãos municipais para oferecer um serviço de mais qualidade aos usuários do sistema e reduzir o risco de transmissão da covid-19.

No período da tarde, o trabalho será no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. A operação contemplará as 26 estações com maior movimento de passageiros.

As intervenções terão a participação das secretarias de Ordem Pública, Saúde, Assistência Social e Conservação; Comlurb, CET-Rio, Rioluz e Subprefeituras, em conjunto com o BRT Rio, operador do sistema.

Nesta segunda, além de distribuição de máscaras e orientações sobre protocolos sanitários, haverá acolhimento da população em situação de rua, combate ao comércio ambulante e ao calote nas estações, recolhimento de lixo, reforço na iluminação, entre outros serviços. As 26 estações a serem beneficiadas são: Corredor TransCarioca: André Rocha, Aracy Cabral, Curicica, Madureira–Manaceia, Mercadão, Pinto Teles, Praça do Bandolim, Tanque, Taquara, Terminal Aroldo Melodia, Terminal Madureira– Paulo da Portela, Via Parque e Vicente de Carvalho. Corredor TransOeste: Bosque Marapendi, General Olímpio, Gláucio Gil, Magarça, Mato Alto, Nova Barra, Pingo D´Água, Recreio Shopping, Salvador Allende, Santa Cruz, Terminal Alvorada e Terminal Jardim Oceânico. Corredor TransOlímpica: Terminal Recreio. Atualmente, há 56 estações fechadas. A SMTR planeja reabrir sete delas até o início de fevereiro: Pinto Teles, Bosque Marapendi (Módulo Expresso), ambas com previsão de voltar a funcionar já nesta segundafeira, Tanque (Módulo Expresso), André Rocha, General Olímpio, Nova Barra e Praça do Bandolim. Para reduzir a superlotação, a SMTR está desenvolvendo um estudo sobre a frota de ônibus e a demanda de passageiros

PROBLEMAS ALÉM DO TRANSPORTE:

O que são soluções de mobilidade utilizada em diversos países (inclusive de primeiro mundo), os corredores BRT no Rio de Janeiro não entregam à população os benefícios de forma integral por problemas muitas vezes não relacionados necessariamente aos transportes.

Os vandalismos e ataques a estruturas dos corredores fazem com que diversas estações permaneçam fechadas.

Em setembro de 2020, por exemplo, de 125 estações do sistema, 56 estavam fechadas sendo que 21 há mais de dois anos por furtos e ataques e 35 durante a pandemia de covid-19.

O pavimento dos corredores também é outro problema. Deteriorado em vários pontos, a situação do asfalto danifica os ônibus.

O primeiro erro já está na escolha do pavimento. O tráfego constante de veículos pesados, como os ônibus, exige um material mais resistente, como concreto com treliças de ferro.

E parte dos erros estruturais do BRT Rio começou justamente na gestão anterior de Eduardo Paes e na pressa de entregar os sistemas antes de competições esportivas mundiais.

Um relatório ainda da gestão de Marcelo Crivella frente à prefeitura, apresentado em 22 de agosto de 2018, mostrou que em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a administração, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

As inspeções verificaram ainda problemas de drenagem das obras já entregues.

“Em todas as inspeções, encontramos material encharcado, o que não pode acontecer, porque vai propiciar deformações. A drenagem cai para dentro da pista, o que é um equívoco, porque a água acumulada da chuva vai criar rachaduras e comprometer a estrutura do pavimento. Essa estrutura estava com espessuras abaixo do determinado no projeto. Isso demonstra a realização de uma obra sem critério técnico, sem fiscalização, sem qualidade e sem obedecer ao projeto”

Concepção errada do projeto, má execução das obras e utilização de material inadequado também fizeram parte dos apontamentos.

“Encontramos os mais variados problemas. A deformação na calha do BRT é resultado de um pavimento flexível executado fora das especificações, o que gera trincas e outras deformações na pista. Os agentes externos, responsáveis pela degradação do pavimento, são as cargas, o tráfego e as intempéries. Os agentes internos são a concepção errada do projeto, a má execução, o uso de materiais inadequados e a falta de conservação. Tudo isso pode ocasionar esses problemas que constatamos nas inspeções”

Recuperar o BRT de verdade, vai necessitar de várias intervenções, seja de obras, de gestão operacional, renovação de frota dos ônibus e até de segurança pública, já que a violência tem interferido no funcionamento das linhas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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