Ford encerra produção de veículos em todo o Brasil

Plantas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte, CE) serão fechadas. Foto: Divulgação.

Empresa prevê impacto de US$ 4,1 bilhões em despesas com encerramento das atividades

JESSICA MARQUES

A Ford Motor Company anunciou nesta segunda-feira, 11 de janeiro de 2021, o encerramento da produção de veículos em todo o Brasil. Com o anúncio, as plantas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte, CE) serão fechadas.

Assim, SUVs, picapes e veículos comerciais da marca na América Latina continuam sendo fabricados apenas na Argentina e no Uruguai. A justificativa da Ford para a decisão foi a de que “a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”.

A companhia informou ainda que manterá no Brasil a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

DEMISSÕES

Com relação às demissões, a Ford informou que “irá trabalhar imediatamente em estreita colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano justo e equilibrado para minimizar os impactos do encerramento da produção”.

Em decorrência do encerramento da produção no Brasil, a Ford prevê um impacto de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, incluindo cerca de US$ 2,5 bilhões em 2020 e US$ 1,6 bilhão em 2021.

“Aproximadamente US$ 1,6 bilhão será relacionado ao impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos. Os valores remanescentes de aproximadamente US$ 2,5 bilhões impactarão diretamente o caixa e estão, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos”, detalhou a Ford.

SÃO BERNARDO DO CAMPO

A produção de caminhões da Ford, antes feita em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi encerrada em 2019. Assim, a marca deixou de atuar neste mercado na América do Sul.

Relembre:

Ford anuncia fechamento de fábrica em São Bernardo do Campo

NOTA OFICIAL

Confira a nota da Ford sobre o encerramento da produção no Brasil, na íntegra:

– A Ford continua comprometida com os consumidores no Brasil e na América do Sul com a nova picape Ranger, a Transit e vários de seus modelos mais icônicos, com planos de lançar diversos novos veículos conectados e eletrificados

– A Ford Brasil encerrará a produção nas plantas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller (Horizonte, CE) durante 2021, à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas

– A companhia manterá no Brasil a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas


São Paulo, 11 de janeiro de 2021 
– A Ford Motor Company anunciou hoje que atenderá os consumidores na América do Sul com um portfólio empolgante de veículos conectados, e cada vez mais eletrificados, incluindo SUVs, picapes e veículos comerciais, provenientes da Argentina, Uruguai e outros mercados, ao mesmo tempo em que a Ford Brasil encerra as operações de manufatura em 2021.

A Ford atenderá a região com seu portfólio global de produtos, incluindo alguns dos veículos mais conhecidos da marca como a nova picape Ranger produzida na Argentina, a nova Transit, o Bronco, o Mustang Mach 1, e planeja acelerar o lançamento de diversos novos modelos conectados e eletrificados. A Ford mantém assistência total ao consumidor com operações de vendas, serviços, peças de reposição e garantia para seus clientes no Brasil e na América do Sul. A empresa também manterá o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas, em Tatuí (SP), e sua sede regional em São Paulo.

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford. “Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global. Vamos também acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas suprindo, de forma eficaz, a necessidade de veículos ambientalmente mais eficientes e seguros no futuro.”

A empresa irá trabalhar imediatamente em estreita colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano justo e equilibrado para minimizar os impactos do encerramento da produção.

“Nosso dedicado time da América do Sul fez progressos significativos na transformação das nossas operações, incluindo a descontinuidade de produtos não lucrativos e a saída do segmento de caminhões”, disse Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul e Grupo de Mercados Internacionais. “Além de reduzir custos em todos os aspectos do negócio, lançamos, na região, a Ranger Storm, o Territory e o Escape, e introduzimos serviços inovadores para nossos clientes. Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo.”

A Ford está constantemente avaliando seus negócios em todo o mundo, incluindo a América do Sul, fazendo escolhas e alocando capital de forma a avançar em seu plano de atingir uma margem corporativa EBIT de 8% e gerando um forte e sustentável fluxo de caixa. O plano da Ford prevê o desenvolvimento e a oferta de veículos conectados de alto valor agregado e qualidade – cada vez mais eletrificados –, com serviços acessíveis a uma gama mais ampla de consumidores.

A empresa se move rapidamente, com o objetivo de:

  • Transformar seu negócio automotivo – competindo de maneira desafiadora, simplificando e modernizando todos os aspectos da empresa; e
  • Crescer alavancando os pontos fortes já existentes, desafiando o negócio automotivo convencional e realizando parcerias para expandir eficiência e conhecimento.

“Trabalharemos intensamente com os sindicatos, nossos funcionários e outros parceiros para desenvolver medidas que ajudem a enfrentar o difícil impacto desse anúncio”, continuou Watters. “Quero enfatizar que estamos comprometidos com a região para o longo prazo e continuaremos a oferecer aos nossos clientes ampla assistência e cobertura de vendas, serviços e garantia. Isso se tornará evidente ao trazermos para o mercado uma linha empolgante e robusta de SUVs, picapes e veículos comerciais conectados e eletrificados, de dentro e fora da região.”

Watters acrescentou que, além da confirmação da produção da nova geração da Ranger, da chegada do Bronco, do Mustang Mach 1 e da Transit, a Ford também planeja anunciar outros modelos totalmente novos, incluindo um veículo híbrido plug-in. “Isso se alia à expansão de serviços conectados e de novas tecnologias autônomas e de eletrificação nos mercados da América do Sul.”

A produção será encerrada imediatamente em Camaçari e Taubaté, mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda. A fábrica da Troller em Horizonte continuará operando até o quarto trimestre de 2021. Como resultado, a Ford encerrará as vendas do EcoSport, Ka e T4 assim que terminarem os estoques. As operações de manufatura na Argentina e no Uruguai e as organizações de vendas em outros mercados da América do Sul não serão impactadas.

A Ford continuará facilitando alternativas possíveis e razoáveis para partes interessadas adquirirem as instalações produtivas disponíveis.

Em decorrência desse anúncio, a Ford prevê um impacto de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, incluindo cerca de US$ 2,5 bilhões em 2020 e US$ 1,6 bilhão em 2021.

Aproximadamente US$ 1,6 bilhão será relacionado ao impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos. Os valores remanescentes de aproximadamente US$ 2,5 bilhões impactarão diretamente o caixa e estão, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. JOAO LUIS GARCIA disse:

    Muito triste vermos uma marca como essa ter que tomar uma decisão tão drástica como a que está tomando, mas também temos que entender afinal as vendas da indústria automobilística vem caindo ao longo dos últimos anos e a Pandemia só fez as coisas piorarem.
    Muitas famílias que terão o seu sustento reduzido ou extinto, pois trata-se de uma mão de obra especializada.
    Que Deus ilumine a todos os trabalhadores e as suas famílias

  2. JOSÉ LUIZ VILLAR COEDO disse:

    PARABÉNS SR. GOV. DO ESTADO DE SP E O SR. PRESIDENTE DA REPUBLICA ATUAIS ! Mais uma grande Empresa mundial, de origem norte-americana se vai do Estado de SP e do Brasil! Preferem paises vizinhos onde se aprovam leis que fazem ocorrer coisas muito ABOMINÁVEIS diante dos Olhos de Deus ! Isso acontece por causa dessa doença MALDITA … esse CORONAVIRUS desgraçado e das BRIGAS de vcs ! ESPERO QUE ESTEJAM FELIZES ! Qual Empresa SERIA que vai querer ficar aqui?! Meu Deus do Céu! Quanto desemprego!

  3. Fico muito triste saber que minha marca preferida desde criança, vai embora, e depois de um memorável tempo de 101 anos, que aqui seria a unica fabrica de carros chegar a 1 século de vida,,,Vai ficar muita saudades, do meu Gálaxie 500, Standard, LTD Landau, Corcel, Belina, Escort, Del Rey, grandes marcas de sucessos feito por braços de brasileiros,, a marca que mais gostei na vida,,,

  4. Henrique disse:

    A empresa já vinha perdendo mercado entre os sedans e hatches no mundo. No Brasil isso se soma à pandemia, ao “fique em casa”, à décadas de falta de infraestrutura e aos sindicatos cada vez mais exigentes e sedentos dominados por ideologias ultrapassadas. É o pais como um todo que perde.

  5. carlos souza disse:

    O país do crime e o sistema criminoso se FORDeram…kkkkk.

  6. Ismael Junior disse:

    Caramba, uma das quatro marcas que fizeram história e ditaram padrões no Brasil ter um ponto final… Lamentável

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