História

HISTÓRIA: Stewart & Stevenson Apollo, o “O-371 americano”

Modelo é fruto de parceria

Modelo marcou o início dos anos 1990 e foi uma parceria entre a Mercedes-Benz do Brasil e a indústria norte-americana

ADAMO BAZANI

Qualquer semelhança, não é mera coincidência.

Pelas ruas dos Estados Unidos, no início dos anos de 1990, circulou um ônibus para transporte urbano e metropolitano muito semelhante a um velho conhecido no Brasil.

O Stewart & Stevenson Apollo trazia elementos do braseiro monobloco O-371, como, por exemplo, conjuntos óticos, design da carroceria, lanternas, para-brisa e caixa de letreiro, entre outros.

Mas antes que alguém fale que um plagiou o outro, na verdade, o modelo foi fruto de uma parceria entre a Stewart & Stevenson e a Mercedes-Benz do Brasil.

A Stewart and Stevenson, tradicional fabricante de veículos militares e equipamentos relacionados à indústria petrolífera, se aventurara entre 1987 e 1992 a fabricar ônibus e o modelo mais marcante foi o Apollo T-40.

Marcante é a palavra, porque seria um exagero chamar o modelo de bem sucedido.

Os registros históricos dão conta que apenas duas operadoras se interessaram pelos produtos da marca: a Houston METRO, em Houston, TX;  e a LADOT, em Los Angeles, CA.

O veículo, nos moldes do “padron brasileiro”, tinha 12 metros de comprimento e recebeu duas opões de motorização: Caterpillar 3197 multicombustível (diesel / GNL duplo) e Detroit Diesel 6V92TA PING (Diesel / GNL Dual-Fuel), sendo o Detroit mais comum.

As opções de transmissão eram Allison HTB-748 e ZF.

Apesar de não ter sido um sucesso de mercado, não deixou de ser uma experiência interessante, em especial para a Mercedes-Benz, que anos mais tarde lançaria no Brasil o o-400, que tanto nas versões rodoviárias e urbanas encerraram em 1996 a trajetória dos monoblocos da marca pelas ruas e rodovias brasileiras que teve início com o O-321, em 1958.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. laurindo junqueira disse:

    O “glorioso” O-371 iria dar início a uma inusitada carreira no mundo: ele introduziu a chamada “eletrônica embarcada”, que tantos avanços tecnológicos iria trazer. O primeiro “micro-switch” para controlar portas abertas seria usado por ele, assim como alguns poucos componentes do motor (controle de injeção). Isso daria início a um avanço que não mais cessaria: os componentes eletrônicos passariam a substituir os eletromecânicos (relés etc.), que tanto sucesso haviam tido durante meio século. O Metrô de SP, que havia feito uso de “relés eletromecânicos de gravidade” para controlar a segurança da circulação dos trens em sua Linha 1, Azul, pode passar a fazer uso de micro computadores etc. em sua Linha Vermelha. O grande experimento para que tal viesse a se dar foi realizado pelo O-371. Seus componentes foram testados quanto à resistência à poeira, ao calor, à vibração mecânica, exigências essas tão frequentes nas estradas e vias do Brasil. Só depois disso é que a “eletrônica embarcada” viria a ser instalada em naves espaciais e em carros de combate. Os veículos de guerra fabricados no Brasil e que continham esse avanço tecnológico foram usados com sucesso durante a Guerra do Iraque, onde as areias, o calor e as condições extremas do deserto foram experimentadas antes de serem aplicadas generalizadamente. Quem diria que isso, apesar de inverossímil, fora verdade, não?

  2. FABIO MUNHO disse:

    Muito bom relembrar esse modelo

  3. laurindo martins junqueira filho disse:

    há muito mais histórias a se contar, quanto a isso …

    1. diariodotransporte disse:

      Verdade e vamos postando oportunamente

  4. Eustaquio disse:

    A Stewart & Stevenson na época ganhou um pedido de 11.000 veículos do governo americano então…

Deixe uma resposta para laurindo junqueiraCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading