História

Restauração da estação histórica de Campo Grande é concluída em Paranapiacaba

Vista aérea da estação

Prédio histórico vai ser centro de controle da MRS e trabalhos que custaram R$ 1,74 milhão foram patrocinados pela empresa

ADAMO BAZANI

A prefeitura de Santo André, no ABC Paulista, anunciou que foram concluídas as obras de restauro da estação histórica de Campo Grande, em Paranapiacaba.

Segundo nota da prefeitura, o projeto cultural de restauro da estação teve gerenciamento da arquiteta Fabíula Rodrigues e foi patrocinado pela MRS Logística (concessionária de transporte de carga pela ferrovia), por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com o valor aprovado de R$ 1,74 milhão (R$ 1.746.599,96).

A partir de 2021, a estação será usada como centro de controle operacional das composições MRS que trafegam pela região em direção ao Porto de Santos ou retornando no sentido do interior de São Paulo, entre outros destinos.

A estação foi inaugurada em 01º de agosto de 1889, sendo construída pela empresa inglesa São Paulo Railway, que implantou a primeira ferrovia do Estado de São Paulo (Santos – Jundiaí).

O trajeto, idealizado pelo empreendedor Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, engloba o que é hoje a linha de transporte de cargas, a linha 10 Turquesa da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (Brás-Rio Grande da Serra) e a linha 7 Rubi da CPTM (Luz – Jundiaí)

Toda a área internada foi restaurada e reconstruída, com telhas, tijolos, madeiramento estrutural, argamassa de revestimento, piso, portas e janelas da época ou em réplicas.

A área externa foi recuperada com novo piso, cercamento com alambrado, preparação do solo para o estacionamento, nova área de dejetos, postes de luz e uma iluminação que destaca o restauro do prédio e sua beleza estrutural.

A obra durou dez meses e foi realizada por uma equipe interdisciplinar composta por 40 pessoas, diz a prefeitura em nota, detalhando ainda como foi o restauro.

Confira na íntegra:

Restauro cuidadoso – Com telhado, piso, janelas, portas, instalações elétricas e hidráulicas totalmente refeitos, a Estação Ferroviária de Campo Grande restaurada é um novo patrimônio para a cultura nacional. No início de 2020, a estação encontrava-se inacessível e corria o risco de desabar, com grande quantidade de vegetação, umidade, sujeira e microrganismos (como fungos e bolores) causadores de doenças. Na recuperação do local, a limpeza foi imprescindível para que fosse possível visualizar os danos e tomar as providencias de restauro, garantindo a estabilidade das paredes e a melhora na qualidade do ar.

Por meio de minuciosa atividade manual, de limpeza e restauro, o projeto recuperou todos os elementos históricos possíveis da arquitetura original. Cerca de 2.000 telhas, fabricadas no século XIX pelas famosas olarias francesas de St. Henry Marseille, foram limpas e testadas quanto à absorção antes de retornarem à cobertura. Todo material de demolição remanescente da obra foi doado à Prefeitura de Santo André e dois tijolos ao Museu do Tijolo.

 Com a marca SPR, da Cia. São Paulo Railway, respiradores de ferro, utilizados para a troca de ar perto do chão, foram recuperados e três réplicas foram construídas para os vãos onde eles estavam faltando. Todas as janelas de madeira pinho de riga, que tinham sido destruídas, foram refeitas com madeira de lei cedrorana, no modelo inglês guilhotina. O piso de madeira, que também não havia resistido ao tempo, foi reconstruído em garapeira, madeira de alta resistência, muito conhecida como garapa ou grapiá. O forro seguiu o desenho original com réguas de madeira formando o desenho saia-camisa moldado com um rodateto.

O telhado da marquise da estação, na plataforma de embarque e desembarque, foi totalmente reconstruído. Os arquitetos reproduziram o desenho da estrutura original por meio de levantamento cadastral e iconografia (imagens antigas).  Até os detalhes da decoração da marquise tiveram de ser refeitos. Foram fabricados novos pináculos invertidos de madeira, que têm esse nome porque ficam de cabeça para baixo e lembram pinhos pendurados.

Veja mais imagens:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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