Empresas de ônibus de Petrópolis (RJ) somam prejuízo superior a R$ 36 milhões e temem colapso

Setranspetro relata queda no número de passageiros transportados devido à pandemia

JESSICA MARQUES

As empresas de ônibus de Petrópolis, no Rio de Janeiro, informaram que somam um prejuízo superior a R$ 36 milhões e temem colapso. Em nota, o Setranspetro (Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis) relatou queda no número de passageiros transportados devido à pandemia de Covid-19.

Confira a nota, na íntegra:

As empresas de ônibus em Petrópolis continuam enfrentando a maior crise econômica e financeira de todos os tempos no transporte público, com prejuízo acumulado superior a R$ 36 milhões, entre os meses de março e outubro. Sem nenhum tipo de ajuda emergencial e qualquer previsibilidade de melhora no faturamento, as operadoras temem um colapso no sistema, a exemplo do que vem acontecendo em várias regiões do país.

Logo no início da pandemia, entre os meses de março e abril, as empresas chegaram a transportar apenas 25% dos passageiros pagantes. Desde então, essa recuperação acontece gradualmente, sendo registrado, em novembro, pouco mais que 65% dos clientes, tendo como base a quantidade que era transportada antes do Coronavírus. Essa situação fez com que as empresas atingissem um patamar incalculável de crise, com impostos atrasados, renegociação de débitos e dívidas, além do esgotamento de possibilidades de empréstimos.

Caso não haja nenhuma cooperação em prol do sistema de transporte público no município, as empresas realmente temem não conseguir prestar o serviço de maneira apropriada, já no início do próximo mês. Isso, porque em dezembro ainda precisam quitar o vencimento do 13º salário dos rodoviários, além de pagar 1/3 das férias de 2020 que, por acordo, a data foi prorrogada até o dia 15 de dezembro.

“O desequilíbrio econômico das empresas de ônibus é uma realidade constatada muito antes do surgimento da pandemia, quando a queda mensal na demanda de passageiros gerava grandes prejuízos. Nesse momento, chegamos ao nosso limite de alternativas para manter a continuidade das atividades, dependendo totalmente e com muita urgência da atenção dos órgãos públicos”, explicou Isidro Rocha, presidente do Setranspetro.

Com queda na demanda de passageiros pagantes, os prejuízos deixam cada vez mais evidente a crise no setor. Em Petrópolis, a garantia do pagamento da primeira parcela do 13° salário aos rodoviários aconteceu porque as empresas ainda conseguiram empréstimos a juros com instituições financeiras. Nas cidades vizinhas, como Niterói e Rio de Janeiro, o parcelamento deste pagamento ainda está em fase de negociação, podendo ser dividido em até 10 vezes, situação que motivou a paralisação em massa na capital e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

“O sistema de transporte pode entrar em colapso nos próximos dias em Petrópolis, conforme laudos técnicos comprovados pelo município, amplamente discutidos com o Ministério Público e apresentados ao judiciário. Sabemos que a crise afeta todos os seguimentos econômicos. Mas, o transporte além de ser um fomentador da economia, garante o direito de ir e vir de grande parte da população, sendo considerado um serviço essencial, de acordo com a constituição. Nenhuma empresa do mundo consegue achar estratégia para manter um custo diário tão alto sem arrecadação, e o próprio Ministério da Economia reconhece que o segmento do transporte foi o segundo mais afetado pela crise”, pontuou o presidente do Setranspetro.

As empresas de ônibus estão se esforçando para tentar preservar a maioria dos empregos e garantir a continuidade dos serviços prestados. Inclusive, estão buscando diariamente, garantir os recursos essenciais para a circulação dos ônibus, como a compra de óleo diesel e o pagamento dos salários e benefícios dos colaboradores em atividade.

Mesmo com pouco mais que a metade da demanda de pagantes, as empresas de ônibus seguem operando com frota superior. A média de oferta de todo o sistema chega a 75%. Entretanto, há linhas que já estão operando há meses com oferta entre 80% e até 100%. Além da ajuda emergencial, é necessária a adoção de uma série de ações que possam melhorar a mobilidade urbana, que possa garantir que os ônibus fiquem menos tempo parados nos engarrafamentos provocados por obras em horário comercial, estacionamento irregular, excesso de veículos, fortalecimento no combate ao transporte clandestino, entre outros fatores que prejudicam a fluidez no trânsito.

“Estamos unindo todos os nossos esforços, mas necessitamos minimamente restabelecer o equilíbrio econômico e financeiro do sistema para ‘sairmos vivos’ dessa crise. Precisamos definitivamente encontrar alternativas que não encareçam o preço para quem paga a passagem de ônibus. Todos precisam entender que o transporte público é imprescindível para a cidade e precisa de outras fontes de receita, que não seja apenas o passageiro que paga a tarifa”, concluiu Isidro.

Desde o início da pandemia, o Setranspetro protocolou uma série de pedidos de ajuda ao município e também apresentou a situação à Câmara Municipal, demonstrando a preocupação com a continuidade dos serviços. O documento, além do pedido de ajuda financeira, expõe algumas propostas para a diminuição do custo imediato do sistema e melhorias da mobilidade urbana, que contribua com a fluidez no trânsito, fazendo com que os ônibus cumpram os horários.

Leia também: Rodoviários descartam greve de ônibus em Petrópolis (RJ)

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Comentários

Comentários

  1. Santos Dumont disse:

    Difícil a questão do transporte urbano. A crise atingiu comércio, indústria e serviços (aqui se incluem as escolas e toda gama de prestadores de serviços para pessoas, bens e empresas), de maneira que Se caiu a demanda pelo transporte é pq empresas fecharam ou sobrevivem à base do home-office.

    Então, como a sociedade vai subsidiar a queda da demanda pelo transporte enquanto ela mesma atinge elevado nível de desemprego?

    Fosse o transporte urbano prestado por empresa pública, com certeza o subsídio seria direto, com manutenção de empregos e manutenção do sistema intacto. Mas, esse transporte público eh prestado por empresas privadas, sendo que a elas é inerente o risco e lhes cabe a remuneração do investimento realizado.
    Conclui-se, portanto, que os meios de travessia pela crise pandêmica é de ordem precipuamente privada, subsidiando-se sim, mas apenas o custo do capital tomado de empréstimo.
    Subvenções públicas não estariam descartadas. Elas poderiam vir de serviços públicos prestados ao particular (carro), como por exemplo, o pedágio urbano para veículo individual circular fora do dia autorizado, ou da exploração de áreas de estacionamentos de autos, ou ainda, de uma taxa fixa acrescida as corridas de táxis ou de aplicativos.
    Mas como não se deseja a perpetuação de grupos econômicos no setor, em contrapartida à criação desse fundo de subsídio tarifário, a administração pública poderia adaptar seus contratos com o particular para definir as regras de uso da verba pública, bem como o compromisso de concorrência ao final do prazo contratual (aqui vedada a participação, no novo certame, dos inadimplentes, seja por si, seja por cpf de sócios controladores, para evitar o ‘esquecimento’ da dívida ou inibir a entrada de novos concorrentes.
    Tudo, claro, previamente discutido em plano diretor que venha a privilegiar as micros, pequenas e médias empresas, no atendimento da periferia, e mantendo- se, via pontos de transbordo, os corredores estruturais com as grandes frotistas, que assim impediriam o excesso de veículos nos centros de atração de viagens.
    A cidade de Petrópolis é pioneira na desobstrução da área central, de modo que sendo centro turístico poderia buscar fontes alternativas de subsídio ao transporte urbano, também por intermédio de taxas de uso de estacionamentos públicos para ônibus fretado, atendidos que seriam por linhas urbanas.
    Fica aí a colaboração.

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