Petrobras defende novo critério para o biodiesel no Brasil ampliando a variedade deste tipo de combustível em ônibus e caminhões

Biodiesel deve ser diversificado, aponta Petrobras. Foto Ilustrativa

Para gerente executivo da estatal, Cláudio Mastella, devem ser adotados critérios quantitativos de descarbonização da atmosfera;  biodiesel renovável e não apenas  o biodiesel éster devem compor a matriz energética

ADAMO BAZANI

O gerente executivo de Comercialização no Mercado Interno da Petrobras, Cláudio Mastella, defendeu que o Brasil adote novos critérios para o uso e comercialização do biodiesel para o consumidor final.

De acordo com o executivo, em palestra online “Biocombustíveis: o caminho para o livre mercado”, realizada nesta terça-feira, 01º de dezembro de 2020, na Rio Oil & Gas, a exemplo do que a Europa já está fazendo, em vez de usar a atual regra de adição de 12 % de biodiesel éster ao diesel comum, o País poderia considerar critérios quantitativos de descarbonização da atmosfera que, no entendimento de Mastella, resultariam em ganhos mais efetivos para o meio ambiente com mandatos de descarbonização, medidos em gramas de CO2 equivalente evitado por unidade de energia gerada.

Em nota, o gerente executivo disse que este critério europeu faria com que o combustível de ônibus, caminhões, máquinas agrícolas, de construção, motores e geradores estacionários de locomotivas fosse de fato menos poluente.

“Essa mudança permitiria que os combustíveis vendidos ao consumidor final sejam efetivamente menos poluentes em toda a sua cadeia produtiva. Em vez de observar qual tipo de biocombustível está sendo utilizado, permitindo reservas de mercado para combustíveis menos eficientes, seria considerado efetivamente o ganho para o meio ambiente que um determinado combustível traz” – disse.

Além da Europa, o estado americano da California adota o novo critério, de acordo com a Petrobrás.

O técnico ainda ressaltou a mudança de critério poderia  abrir espaço para adoção de biocombustíveis mais modernos como o diesel renovável, que é capaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% quando comparado ao diesel derivado do petróleo e em 15% quando comparado ao biodiesel éster.

RENOVABIO

Em nota, a Petrobras disse que na palestra, o executivo defendeu o Renovabio, programa criado pelo Ministério das Minas e Energia para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, mas ponderou que a criação de regras exclusivas para determinados biocombustíveis limitaria o potencial do Renovabio, reduzindo a possibilidade do país cumprir acordos internacionais sobre mudanças climáticas.

Um dos exemplos citados pela Petrobras na nota, é que atualmente apenas  o biodiesel éster pode ocupar a parcela de biocombustíveis adicionados ao diesel derivado do petróleo para comercialização aos consumidores. A restrição acaba criando uma reserva de mercado para o biodiesel de base éster e dificultando a entrada de biocombustíveis mais modernos na matriz energética brasileira.

Por causa do processo de produção, o biodiesel éster possui glicerinas e outros componentes que prejudicam a estabilidade do combustível e podem causar entupimentos em filtros, bombas e bicos injetores prejudicando o desempenho de veículos, em especial os pesados. Os problemas são agravados com a elevação do teor de biodiesel éster na mistura com óleo diesel mineral. O biodiesel éster ainda possui compostos metálicos que prejudicam o funcionamento dos sistemas de tratamento de gases de combustão presentes nos veículos. Isso contribui para que poluentes como material particulado e óxidos de nitrogênio sejam lançados no ambiente. – explica a nota.

BIODIESEL RENOVÁVEL:

A Petrobrás defendeu ainda na nota a possibilidade de  introdução do diesel renovável na matriz de biocombustíveis do Brasil.

Para a empresa, o diesel renovável é um biocombustível moderno, feito com matérias-primas como óleos vegetais, gordura animal e até mesmo óleo de cozinha usado, que pode ser misturado ao diesel derivado do petróleo.

A companhia informou ainda que concluiu neste ano testes em escala industrial, onde produziu diesel R5 em sua refinaria no Paraná, ou seja, óleo diesel com 5 % de parcela renovável e aguarda a autorização do Conselho Nacional de Política Energética para que esta parcela renovável do diesel seja aceita como alternativa para cumprimento do teor obrigatório de biocombustíveis no Brasil, atualmente ocupado exclusivamente pelo biodiesel éster.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santos disse:

    Engraçado que até “ontem” a BR defendia com unha e dentes a adição do BioDiesel tradicional, inclusive com maior adição que os 12% atuais e, segundo eles não representava nenhum risco ao motor. Agora já falam o que todo mundo sabe, o rastro de destruição que o BioDiesel deixa ao motor com filtros entupidos, bombas, bicos, flautas, todos entupidos pela sujeira. O dano ambiental do descarte de filtros entupidos que antes rodavam facilmente o dobro de quilometragem, ninguém conta…
    Agora apostam no renovável, a pergunta é, até quando ele também será benéfico, ou será mais um entupidor de filtros ?! Medidas politicas aonde se necessita de medidas com embasamento técnico, nunca dá certo ao consumidor final.

  2. Decio Del Debbio disse:

    Seria mais interessante ainda substituir o S10 em frotas de ônibus urbano pelo diesel renovável, que todos ganhariam, meio ambiente, frotistas e usuários . Precisamos ser mais inovadores e não copiar outros países . Tenho dito!!

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