Reino Unido proibirá a venda de novos carros a gasolina e diesel após 2030, e promete investimentos pesados em eletromobilidade

Um dos objetivos é o transporte público com zero emissões.

Primeiro Ministro Boris Johnson anunciou uma “Revolução Industrial Verde”, que prevê investimentos de R$ 85 bilhões em novas formas de energia

ALEXANDRE PELEGI

O primeiro-ministro Boris Johnson anunciou nessa quarta-feira, 18 de novembro de 2020, seu Plano de Dez Pontos para uma Revolução Industrial Verde que estima gerar 250.000 empregos no país.

Como destaque, estão os pesados investimentos em energia limpa, com forte apoio ao transporte elétrico. No caso do Transporte público, a meta é a emissão zero.

Cobrindo energia limpa, transporte, natureza e tecnologias inovadoras, o plano permitirá que o Reino Unido avance na erradicação de sua contribuição para a mudança climática até 2050, particularmente crucial na corrida até a cúpula do clima COP26 em Glasgow no próximo ano.

O plano vai mobilizar £ 12 bilhões (R$ 85 bilhões) de investimentos do governo para criar e apoiar até 250.000 empregos verdes altamente qualificados no Reino Unido e estimular três vezes mais o investimento do setor privado até 2030.

Segundo comunicado do governo, após extensa consulta com fabricantes e vendedores de automóveis, o Primeiro-Ministro confirmou que o Reino Unido encerrará a venda de novos carros e vans a gasolina e diesel até 2030, dez anos antes do planejado. Já a venda de veículos híbridos (carros e vans) será permitida até 2035, afirmou Boris Johnson.

A indústria automobilística do Reino Unido já fabrica uma proporção significativa de veículos elétricos na Europa, incluindo um dos modelos mais populares do mundo.

Para apoiar esta aceleração, o Primeiro Ministro anunciou pesados investimentos no setor:

– £ 1,3 bilhão (R$ 9,2 bilhões) para acelerar o lançamento de pontos de carregamento para veículos elétricos em casas, ruas e rodovias em toda a Inglaterra, para que as pessoas possam carregar seus carros de forma mais fácil e conveniente.

– £ 582 milhões (R$ 4,12 bilhões) em subsídios para aqueles que compram veículos com emissão zero ou ultrabaixa para torná-los mais baratos e incentivar mais pessoas a fazer a transição.

– Quase £ 500 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões) a serem gastos nos próximos quatro anos para o desenvolvimento e produção em grande escala de baterias para veículos elétricos, como parte do compromisso de fornecer até £ 1 bilhão (R$ 7 bilhões), impulsionando o investimento internacional em fortes bases locais de fabricação.

Isso ajudará a proteger e criar milhares de novos empregos, especialmente em Midlands, North East e North Wales”, afirmou o Primeiro Ministro.

Ele também anunciou que o governo lançará uma consulta sobre a eliminação de novos caminhões a diesel para colocar o Reino Unido na vanguarda do frete com emissão zero. Nenhuma data foi definida ainda.

DEZ PONTOS

Os dez pontos do primeiro-ministro, que são construídos em torno dos pontos fortes do Reino Unido, são:

Energia eólica offshore: produzir energia eólica offshore suficiente para abastecer todas as residências, quadruplicando a produção para 40 GW até 2030, suportando até 60.000 empregos.

Hidrogênio: Trabalhar com a indústria com o objetivo de gerar 5 GW de capacidade de produção de hidrogênio de baixo carbono até 2030 para a indústria, transporte, energia e residências, e com o objetivo de desenvolver a primeira cidade totalmente aquecida a hidrogênio até o final da década.

Nuclear: Avanço da energia nuclear como fonte de energia limpa, através da energia nuclear de grande escala e desenvolvimento da próxima geração de reatores pequenos e avançados, que poderiam sustentar 10.000 empregos.

Veículos elétricos: Apoiar nossas bases de fabricação de automóveis líderes mundiais, incluindo West Midlands, North East e North Wales para acelerar a transição para veículos elétricos e transformar nossa infraestrutura nacional para melhor oferecer suporte aos veículos elétricos.

Transporte público, bicicleta e caminhada: Tornando o ciclismo e a caminhada formas mais atraentes de viajar e investindo no transporte público de emissão zero do futuro.

Transporte Aéreo e Marítimo mais verde: apoiando indústrias difíceis de descarbonizar para se tornarem mais verdes por meio de projetos de pesquisa para aviões e navios com emissão zero.

Casas e edifícios públicos: tornar nossas casas, escolas e hospitais mais verdes, mais quentes e mais eficientes em termos de energia, ao mesmo tempo em que cria 50.000 empregos até 2030 e uma meta de instalar 600.000 bombas de calor todos os anos até 2028.

Captura de carbono: tornar-se líder mundial em tecnologia para capturar e armazenar emissões nocivas longe da atmosfera, com a meta de remover 10MT de dióxido de carbono até 2030, o equivalente a todas as emissões do Humber industrial hoje.

Natureza: Protegendo e restaurando nosso ambiente natural, plantando 30.000 hectares de árvores todos os anos, ao mesmo tempo em que cria e mantém milhares de empregos.

Inovação e finanças: desenvolver as tecnologias de ponta necessárias para alcançar essas novas ambições de energia e tornar a cidade de Londres o centro global de finanças verdes.

O primeiro-ministro Boris Johnson disse:

Embora este ano tenha tomado um caminho muito diferente daquele que esperávamos, não perdi de vista nossos planos ambiciosos de subir de nível em todo o país. Meu Plano de Dez Pontos criará, apoiará e protegerá centenas de milhares de empregos verdes, enquanto avança rumo ao zero líquido até 2050.

Nossa revolução industrial verde será impulsionada pelas turbinas eólicas da Escócia e do Nordeste, impulsionada por veículos elétricos feitos em Midlands e avançados pelas tecnologias mais recentes desenvolvidas no País de Gales, para que possamos olhar para um futuro mais próspero e mais verde”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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