Marcopolo registra queda de lucro e receita; custos com rescisões influenciam resultados no 3º trimestre

Ônibus da Marcopolo

Receita Líquida teve redução de 22,6% e produção encolheu 12,8% em relação ao terceiro trimestre de 2019.  Desempeno no terceiro trimestre foi 46% melhor que no segundo, o que indica recuperação

ADAMO BAZANI

A Marcopolo S.A. que engloba as marcas Marcopolo, Volare e Neobus, registou no terceiro trimestre de 2020, receita líquida de R$ 836,5 milhões, o que significa redução de 22,6% ante o mesmo período de 2019.

A produção total da Marcopolo atingiu 3.422 unidades no terceiro trimestre de 2020, 12,8% inferior ao terceiro trimestre de 2019.

Já o EBITDA, que é o lucro antes de taxas, impostos e juros, totalizou R$ 23,8 milhões negativos, com margem de – 2,8% na comparação entre os dois períodos.

O prejuízo líquido no terceiro trimestre de 2020 foi de R$ 57,4 milhões, com margem de -6,9%.

Os dados fazem parte do relatório aos investidores divulgado nesta terça-feira, 03 de novembro de 2020, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

Segundo o documento, o fato de a empresa reverter lucro a investidores os resultados da NFI Group Inc. e as rescisões trabalhistas afetaram os resultados.

Em relação à produção, o relatório ainda atribui o resultado aos impactos econômicos da Covid-19

A produção consolidada da Marcopolo foi de 3.422 unidades no 3T20. No Brasil, a produção atingiu 3.064 unidades, 7,1% inferior à do 3T19, enquanto no exterior a produção foi de 358, 43,1% inferior às unidades produzidas no mesmo período do ano anterior. Nas operações coligadas, não consolidadas, considerando apenas a proporção da Marcopolo no respectivo capital social das empresas, a produção foi de 464 unidades, 67,8% inferior à do 3T19. No trimestre, a produção foi negativamente afetada pela menor demanda por ônibus, reflexo da pandemia de Covid-19 no transporte de pessoas. A produção do 3T20 está associada, majoritariamente, ao ingresso de pedidos durante o 2T20, pior momento da crise sanitária, em meio a lockdowns e restrições na circulação de ônibus em todos os mercados. No mercado interno, a produção foi sustentada por volume expressivo de unidades direcionadas ao programa federal Caminho da Escola. Nas exportações, o incremento de vendas para países como Chile, Argentina e Peru contribuíram para compensar os volumes menores produzidos para o continente africano.

Os ônibus urbanos e os escolares do Caminho da Escola contribuiriam para que o desempenho não fosse pior:

O destaque do trimestre foi o incremento de 19,2 pontos percentuais no segmento de urbanos em relação ao mesmo período de 2019. Unidades produzidas para o programa federal Caminho da Escola ajudaram a sustentar a participação de mercado em patamar superior ao nível histórico, em um momento de retração da demanda. A redução do market share no segmento de rodoviários é explicada pelo perfil dos modelos mais demandados pelo mercado doméstico, voltado ao uso para fretamento. Historicamente, a Companhia possui um market share menor nesse segmento mais leve de rodoviários.

RECUPERAÇÃO E EXPORTAÇÕES:

Na análise aos investidores, a Marcopolo diz que apesar dos números negativos, os resultados do terceiro trimestre de 2020 foram 46% melhores que no segundo trimestre e destacou as exportações:

Os resultados do 3T20 indicam o início de um processo de recuperação de volumes, com crescimento expressivo de 46,6% na comparação com o 2T20, trimestre que havia sido afetado pela paralisação parcial das atividades em função das restrições sanitárias relacionadas à Covid-19. O aumento da produção também reflete o ambiente de mercado, que gradualmente se afasta da inércia verificada entre o fim do 1T20 e o início do 2T20. As plantas voltaram a trabalhar em condições de quase normalidade, respeitados os protocolos de saúde e com ajustes da ociosidade de parte dos colaboradores com o uso dos instrumentos de flexibilização oportunizados em cada país e desligamentos, necessários em função da demanda ainda inferior ao período prépandemia. No mercado interno, a procura por novos ônibus segue sendo impactada nos setores de turismo, linhas rodoviárias interestaduais e internacionais, de transporte escolar e transporte público urbano. Esses mercados, porém, ensaiam pequenos movimentos de recuperação, indicando que o pior já passou. As atividades de fretamento vêm surpreendendo positivamente, com incremento de vendas frente a 2019, em função de exigências de maior distanciamento social no transporte de colaboradores às empresas, o que acarreta a necessidade de um número maior de veículos (rodoviários leves, micros e Volares) para o mesmo contingente de pessoas. Outra contribuição relevante às vendas do trimestre foi o programa federal Caminho da Escola, para o qual a Companhia entregou 1.187 unidades (2.534 unidades nos 9M20), destes 463 micros, 595 urbanos e 129 modelos Volare. O ritmo de entregas deve permanecer forte também no 4T20 e as adesões dos municípios à licitação de 2019 se encontram próximas ao limite de 4.800 unidades. A Companhia deve iniciar 2021 com uma carteira de aproximadamente 1.100 unidades para o programa. Há a perspectiva de realização de uma nova licitação no início de 2021. As exportações continuam mostrando um melhor desempenho na comparação com o mercado brasileiro em função da desvalorização cambial. O menor volume de unidades, efeito da pandemia também nos mercados internacionais, segue sendo compensado pela maior receita e rentabilidade das operações, considerando o atual patamar do câmbio. Gradativamente, as operações de transporte coletivo na América do Sul voltam a circular, com reflexos positivos nas vendas ao Chile, Argentina e Peru. As entregas ao mercado africano permanecem sendo importantes também no 4T20 e 1T21. As operações controladas e coligadas no exterior seguiram impactadas pela pandemia, com seus desempenhos individuais afetados pelas condições dos mercados locais. A argentina Metalsur voltou ao trabalho, compensando parcialmente os volumes que deixaram de ser produzidos em função do lockdown estendido até o fim de junho. A expectativa é positiva para os últimos meses do ano. Os resultados da Marcopolo Austrália foram negativamente afetados pela chegada de uma segunda onda da pandemia ao país, com postergação de entregas que aconteceriam no 3T20 para o 4T20. Marcopolo México, Marcopolo China e Marcopolo África do Sul sofreram com uma menor demanda em seus respectivos mercados, com perspectivas de recuperação a partir de 2021. Nas coligadas, a operação colombiana da Superpolo continua se beneficiando de uma carteira de pedidos mais extensa associada à renovação da frota de Bogotá. Por sua vez, a coligada indiana TMML continua com dificuldades associadas à pandemia, com o crescimento do número de casos da doença no país. No 3T20, a canadense NFI Group Inc. trouxe resultado negativo similar ao apurado no 2T20, com perspectivas de recuperação de resultados no 4T20 e normalização das operações em 2021. Em 2 de outubro p.p., a Companhia comunicou por meio de fato relevante, o encerramento das atividades da fábrica localizada no Rio de Janeiro. Com a conclusão do projeto de otimização de plantas, a Marcopolo fica com três plantas industriais no Brasil: duas em Caxias do Sul, RS (Ana Rech e San Marino), e uma em São Mateus, ES. O projeto tem ajudado a Companhia a atingir índices recordes de eficiência fabril e redução de custos. Entre os resultados alçados, destaca-se os turnarounds das operações da San Marino em 2018 e de São Mateus em 2020, revertendo R$ 22,4 milhões de prejuízo no 3T19 em R$ 0,8 milhão de lucro nesse 3T20, com perspectivas ainda mais positivas para 2021. No 3T20, a Companhia realizou ajustes em seu quadro de pessoal, trazendo despesas não recorrentes em função das rescisões na ordem de R$ 37,2 milhões. Esse ajuste, por mais que afete negativamente os resultados do trimestre, permitiu a readequação dos custos à queda de volumes. No 4T20, a Companhia deverá reconhecer custos adicionais em função de novos desligamentos em suas operações brasileiras, especialmente em função do fechamento da planta da Marcopolo Rio. A Companhia permanece trabalhando em reduções de despesas e revendo investimentos. No que tange ao caixa, a Marcopolo mantém metas agressivas de redução de capital de giro, que surtiram efeito já no 3T20, com geração de caixa na ordem de R$ 149,9 milhões versus consumo de R$ 105,8 milhões no 2T20. As inovações trazidas ao mercado pela Marcopolo Biosafe vêm ajudando clientes e usuários dos serviços de transporte coletivo a voltarem a viajar com segurança. No fim do 3T20, aproximadamente 85% das carrocerias produzidas pela Companhia levavam ao menos um item da linha Biosafe, com a iniciativa chegando à exportação e nas unidades localizadas no exterior. A Marcopolo reforça seu protagonismo e liderança no desenvolvimento de tecnologias para o transporte de pessoas.

A Companhia observa que a reabertura das cidades, com a liberação da grande maioria das atividades econômicas, vem fomentando um incremento gradual de vendas. O turismo regional, especialmente aquele ligado a viagens de finais de semana, mostra sinais de recuperação, e incentiva oportunidades nos feriados de fim de ano. Por fim, com o retorno de escolas e universidades, o último segmento paralisado deve também esboçar reação. A Marcopolo segue trabalhando junto a seus clientes para que a recente crise seja superada com a maior brevidade possível. Alternativas customizadas de produtos seguros e com melhor Total Cost of Ownership (TCO), carrocerias prontas para novos perfis de usuários com novas tecnologias embarcadas, propulsões alternativas e ainda mais limpas, já são realidade. A Marcopolo do futuro evolui independentemente dos percalços do curto prazo, perseguindo uma visão de mobilidade crescente e eficiente para um mundo que deseja voltar a viajar.

Veja na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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