ENTREVISTA – ÁUDIO: Marina Helou propõe  uso de biogás como combustível dos ônibus de São Paulo

Publicado em: 15 de outubro de 2020

Candidata usou exemplo da Suécia que conta com empresa brasileira

Tecnologia já existente no Brasil seria capaz de diminuir os custos de operação e por sua vez o valor da tarifa, na opinião da candidata em conversa com o Diário do Transporte

WILLIAN MOREIRA

A candidata a prefeitura de São Paulo e deputada Estadual, Marina Helou da REDE, concedeu entrevista ao Diário do Transporte, em uma das agendas de campanha no último sábado, 10 de outubro de 2020, e comentou pontos do seu plano de governo com ações voltadas para a mobilidade urbana.

De acordo com Marina, a proposta para o transporte é dividida em ações de curto, médio e longo prazo, sendo que as ações mais imediatas consistem em ampliar a frota de ônibus com ar-condicionado e acesso à internet,  além da criação de mais corredores para os coletivos.

Já para médio e longo prazo, a proposta seria “levar a cidade para as periferias”, ou seja, emprego, renda, saúde, educação, cultura e lazer para que as pessoas não precisem se deslocar por grandes distâncias, diminuindo o tempo de uso do transporte público.

“Proposta concreta de como a gente leva a cidade para as periferias, para que não tenhamos que ficar tanto tempo no trânsito, para não precisar se locomover distâncias tão grandes. Temos que levar emprego, renda, saúde, educação, cultura, lazer para toda a cidade para que a gente possa fazer as coisas perto de casa, fazer distâncias curtas de locomoção. Esse é o conceito de sustentabilidade, de qualidade de vida e um conceito de mobilidade que vamos começar a implantar no meu mandato para que São Paulo possa de fato ser uma cidade boa para se viver”, explicou a candidata.

Ouça:

Ao ser questionada sobre o valor atual da passagem de ônibus e a possibilidade de diminuir o seu preço, Marina Helou expôs o seu conceito do uso de energias sustentáveis e mais limpas utilizando como exemplo a cidade de Estocolmo, na Suécia, onde 91% da frota de coletivos é movida por combustíveis a partir do biogás. O combustível é obtido no tratamento do esgoto doméstico, contribuindo para uma melhoria no saneamento do município, aliada à ações que ajudem o Meio Ambiente.

Segundo Martina, São Paulo já possui esta tecnologia que é utilizada na Europa. A empresa, inclusive, tem sede no Brasil.

Para a candidata, é “preciso ter coragem para fazer diferente” e trazer inovações.

Com ações como esta seria possível baixar o valor da tarifa atual.

“A tarifa [de ônibus] em São Paulo é muito cara e quando a gente fala de uma pessoa que recebe até um salário mínimo e gasta quase 40% na tarifa para se locomover na cidade, que tem uma das tarifas mais caras do mundo, mas também é a maior conta de subsidio da prefeitura. A gente vai pagar R$ 3 bilhões n esse ano, ou seja, não faz sentido nenhum essa conta. Está caro para as pessoas, está caro para a prefeitura, não está de qualidade. O que precisamos fazer é avançar neste projeto, com inovação e tecnologia. Hoje o nosso combustível é o mais caro de todos, é o mais poluente, piora a qualidade do ar, que mata as pessoas pela poluição e deixa o transporte caro”. Disse.

A candidata ainda acrescentou que o biogás pode sair “quase de graça”.

“Precisamos mudar a matriz energética. Em Estocolmo 91% da frota de ônibus é movida a partir do biogás que vem do tratamento de esgoto da cidade, conseguindo um combustível quase de graça, tornando o transporte mais barato, que não polui e resolve um problema do tratamento de esgoto. Essa tecnologia existe aqui no Brasil, a empresa que produz lá tem sede e engenheiros aqui no Brasil. Precisamos ter coragem de fazer diferente, coragem de trazer inovações”, detalhou Marina.

Ouça:

O sistema metroferroviário também foi lembrado, com a candidata dizendo que a rede atual é pequena pelo tamanho que a cidade tem e a parceria com o Governo do Estado para uma maior expansão deve ser “cada vez mais ampliada na cidade”.

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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