HISTÓRIA: Morre “seo” Laudelino, o simpático motorista de jardineira da região do ABC

Publicado em: 12 de outubro de 2020

Laudelino (de quepe); os empresários João Antônio Setti Braga e Maria Beatriz Setti Braga, em festa de apresentação de espaço de memória e recreação para os funcionários em julho de 2019

Profissional tinha 87 anos e deixa como marcas a paixão pelos transportes e a experiência de quem viu a Grande São Paulo crescer das janelas dos ônibus

ADAMO BAZANI

Morreu em casa, em São Bernardo do Campo, na manhã desta segunda-feira, 12 de outubro de 2020, aos 87 anos, o motorista Laudelino Gimenez.

“Seo Laudelino” como era chamado por todos, se tornou figura conhecida de entusiastas e estudiosos de transportes públicos, sempre presente em eventos de memória da mobilidade, como a VVR – Viver, Ver e Rever; do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro; BBF – BusBrasil Fest, do Portal do Ônibus; e as tradicionais festas de fim de ano da Auto Viação ABC, de São Bernardo do Campo.  Sempre ele surgia ao lado de um ônibus Chevrolet, de 1961, chamado de Jardineira, restaurado pela empresa onde fez carreira.

Laudelino também foi várias vezes entrevistado pelo Diário do Transporte.

“Muito triste, uma perda para nós de uma referência. Apesar de toda tristeza que sentimos, ele foi em paz e teve morte dormindo. Ele mereceu esta benção por ser a pessoa maravilhosa que era, a família ABC está de luto. Muito difícil para nós,  que Deus o tenha” – escreveu ao Diário do Transporte no início da tarde, o empresário e amigo João Setti Braga, diretor do Grupo ABC.

Uma das últimas ocasiões que o site conversou com Laudelino foi em 25 de julho de 2019, quando a empresa criou um espaço de memória e recreação para motoristas.

O motorista Laudelino Gimenez, que estava na ocasião há 62 anos no grupo empresarial considerou o espaço uma recompensa.

“Entrei em junho de 1957 e estou trabalhando no grupo até hoje. Esse espaço de memória para mim foi uma novidade e eu espero que agrade a todo mundo para que possamos juntos participar de todos os jogos neste local”, afirmou na época.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/25/tradicao-e-modernidade-em-homenagem-ao-dia-do-motorista/

Laudelino ao lado do ônibus da ABC, chamado de “jardineira” – Foto: Adamo Bazani

O primeiro bate-papo com o sempre simpático Laudelino foi em novembro de 2008, no “embrião” do que seria o Diário do Transporte: a coluna “Ponto de Ônibus”, no blog do jornalista Milton Jung, dentro do site da Rádio CBN.

E, como homenagem, o Diário do Transporte reproduz o trecho da matéria de 2008 no qual Laudelino lembrou das brincadeiras que fazia com os passageiros:

Outro patrimônio vivo da Auto Viação ABC é o motorista Laudelino Gimenez, de 75 anos (NA ÉPOCA DA MATÉRIA EM 2008). Ele começou na área de transportes no setor de vendas da empresa “Café São Bernardo” e, em 1956, foi trabalhar com as famílias do Grupo que hoje é proprietário da Viação ABC (Setti e Braga). Ele se recorda das dificuldades para dirigir ônibus na época com volantes duros e pesados. Enfrentava lama, barro, subidas aparentemente impossíveis de se trafegar, mas se divertia muito enquanto trabalhava. Ele lembra que assustava os garotos que o auxiliavam numa linha que parava em frente a um cemitério de São Bernardo do Campo. “À noite, sem iluminação nenhuma na rua – isso não existia na época -, eu pedia para eles pegarem água para o radiador do ônibus numa torneira que ficava na mureta do cemitério. “Me escondia no ônibus, fazia barulhos estranhos, me despenteava e aparecia do nada e os garotos corriam” –  diverte-se. Isso quando Laudelino, na descida da Avenida Pereira Barreto, entre santo André e São Bernardo Campo, simplesmente se levantava e dizia aos passageiros que o ônibus tinha perdido o freio. “Tinha gente que queria pular do ônibus”. Laudelino nunca foi de beber, mas às vezes simulava que estava bêbado e assustava os passageiros no ponto final.

Relembre a matéria original aqui:

http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/miltonjung/2008/11/05/transportadores-os-bandeirantes-urbanos-ii/

Laudelino foi testemunha vida de como o transporte coletivo auxiliou no desenvolvimento econômico e social não apenas do ABC Paulista, mas de toda a região metropolitana de São Paulo.

Velhos ônibus com frente de caminhão e modelos como Jaraguá, Bela Vista, Gabriela, monoblocos da Mercedes-Benz foram alguns dos instrumentos pelos quais ajudou a escrever a história dos transportes.

E, como recordação, na festa de final de ano do Grupo ABC, na garagem da Metra (ônibus e trólebus do Corredor ABD), o Diário do Transporte conversou com Laudelino.

Relembre o vídeo:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes  

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. Kaio Castro disse:

    Triste… O “1° Clube do Ônibus Antigo Brasileiro” se sente abatido pela perda desse Grande Soldado: Sr. Laudelino Gimenez.

  2. MARIO CUSTÓDIO disse:

    NOSSOS SENTIMENTOS. Eu conhecia pessoalmente o Sr. Laudelino. E tinha conversado bastante com ele uma vez em que fizemos a linha Ferrazópolis – Vila Baeta Neves.

  3. joao roberto silva (DIRETOR DO SINTETRA ABC) disse:

    um companheiro honrado,muito simpático e feliz,tive o prazer de conhece-lo num desfile em São Bernardo, era funcionário antigo da ABC ,categoria dos rodoviários do abc, nossos sinceros sentimentos a esse guerreiro que honrou a categoria dos motoristas no ABC. (SINDICATO DOS RODOVIÁRIOS DO ABC)

Deixe uma resposta