Greve na Viação Bertioga deve durar até quarta (14), mesmo com liminar do TRT

Publicado em: 10 de outubro de 2020

Motoristas e demais empregados da viação Bertioga, com sindicalistas rodoviários, na manhã deste sábado (10)

Liminar anunciada neste sábado (10) determina que os trabalhadores devem manter em atividade 80% da frota nos horários de pico e 60% nos demais períodos no transporte do município de Bertioga

ALEXANDRE PELEGI

Comunicado oficial do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Santos e Região informa que os 10 ônibus urbanos da viação Bertioga ficarão na garagem até quarta-feira próxima, 14 de outubro de 2020.

A empresa é a atual concessionária do transporte público da cidade de Bertioga, litoral de São Paulo.

Os 160 empregados trabalhadores entraram em greve às 17 horas dessa sexta-feira (9). Motivo: o não pagamento de salários e benefícios.

Em assembleia na madrugada deste sábado, 10 de outubro de 2020, os funcionários da empresa decidiram manter de forma espontânea a greve iniciada 11 horas antes.

Por volta das 9 horas, segundo a nota do sindicato, quando o oficial de justiça chegou à garagem, a decisão dos trabalhadores foi mantida, mesmo diante dos argumentos legais da direção sindical.

A liminar determinava que os trabalhadores mantivessem em atividade 80% da frota nos horários de pico e 60%, nos demais períodos.

O presidente do sindicato, Valdir de Souza Pestana, ressalta que a Viação Bertioga “vem se utilizando desse recurso de liminares, sempre induzindo Justiça do Trabalho a erro”.

A prática, aliada à ameaça de imputar demissões por justa causa, desta vez foi agravada com anúncio na imprensa de contratação de empregados.

Esse foi o estopim da paralisação”, afirma Pestana. “Muitos companheiros já vêm de longa data atrasando seus compromissos de energia elétrica, aluguel, água, impostos e alimentação de suas famílias”.

Ainda segundo a nota do sindicato, a empresa afirma estar “inchada”, com 160 trabalhadores para dez ou 12 ônibus. Pestana afirma que isso “é um descalabro”. Ele afirma que não cabe aos trabalhadores julgar a administração, “mas alguma coisa tem que ser feita imediatamente”.

PREFEITURA NÃO CONSEGUE LICITAR O TRANSPORTE

O presidente do sindicato dos trabalhadores relata o impasse atual: “a prefeitura de Bertioga diz que tem de fazer licitação, a empresa ameaça com indenização milionária e isso não tem fim. Dessa forma, os trabalhadores ficam nessa lamentável situação”.

Como mostrou o Diário do Tansporte, o Plenário do TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo manteve a suspensão da disputa que pode definir a contratação de uma nova empresa de ônibus urbanos na cidade do litoral paulista. A decisão foi publicada oficialmente no dia 03 de setembro de 2020, com base na representação contra o edital feita pelo advogado Ericson da Silva, pela Nova Esperança Locadora de Veículos Ltda e pela Vancel Transportadora Turística Eireli. Não há data para relançamento da licitação. Relembre: Plenário do TCE mantém suspensa licitação dos ônibus de Bertioga (SP)

GREVE APESAR DA LIMINAR

Pestana afirma ainda que a categoria resolveu não seguir a orientação jurídica e legal do sindicato “por estar cansada”.

O mesmo grupo econômico está com problemas em todas suas filiadas”, diz o líder sindical.

Pestana lembra que esta é a oitava paralisação em 2020 pelo mesmo motivo.

Desta vez, a empresa deve o adiantamento salarial de 20 de setembro, o vale-refeição do dia 25 e o salário de 6 de outubro.

Além disso, a viação Bertioga deve INSS e plano de saúde.

O sindicato recebeu ofício do TRT, com prazo de dez dias para resposta, questionando se a empresa quitou as dívidas que motivaram a greve anterior.

A greve irá até quarta-feira, prazo prometido pela empresa para pagamento dos atrasados. “Se ela quitar antes, o pessoal retornará ao trabalho imediatamente”, afirma a nota do Sindicato.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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