Produção de ônibus no Brasil acumula queda de 34,6% de janeiro a setembro de 2020

Publicado em: 7 de outubro de 2020

Mercedes-Benz mantém a liderança no setor de ônibus. Foto: Adamo Bazani.

Levantamento foi divulgado pela Anfavea nesta quarta-feira (07)

JESSICA MARQUES

A produção de ônibus no Brasil acumulou queda de 34,6% de janeiro a setembro deste ano de 2020. O balanço foi divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) na manhã desta quarta-feira, 07 de outubro de 2020.

Segundo a associação, foram 14.248 unidades produzidas nos nove primeiros meses deste ano nas fabricantes brasileiras. No mesmo período de 2019, foram 21.783 chassis fabricados.

A queda foi mais expressiva em ônibus rodoviários, com redução de 43,4% na produção, passando de 4.249 para 2.406 unidades. Em urbanos, a baixa foi de 32,5%, de 17.534 para 11.842 chassis fabricados.

Em veículos leves, a queda foi de 41,1% no acumulado do ano, enquanto em caminhões a redução foi de 33,3% na produção. Confira os números, na íntegra:

PANDEMIA

Os números em baixa são resultado da crise ocasionada pela pandemia de Covid-19, que segue afetando o setor de transportes.

Entretanto, os segmentos de fretamento e ônibus escolares contribuem para a produção dos veículos, conforme informado em entrevista ao Diário do Transporte pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Relembre: ENTREVISTA: Fretamento e escolares contribuem para produção de ônibus, mas não há previsão para recuperação do setor

“O setor de transporte coletivo de passageiros foi tremendamente afetado na pandemia, até por situações em que o próprio poder concedente, a Prefeitura, acabou forçando que as frotas fossem reduzidas para evitar que as pessoas se locomovessem. Isso acabou afetando demasiadamente o mercado de ônibus e o fôlego que a gente teve nesse período acabou sendo o Caminho da Escola”, afirmou também o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, nesta quarta.

“Fretamento teve uma melhora porque as restrições de distanciamento e lotação menor, fizeram com que fossem necessários mais veículos. Houve caso de aumento de frota em 40% para atender a determinadas empresas, mas esse volume é baixo com relação ao Caminho da Escola”, completou.

RANKING

A Anfavea divulgou ainda que o licenciamento de ônibus apresentou uma queda de 34,4%, passando de 15.196 para 9.969 unidades licenciadas no período.

Apesar dos números em queda, a Mercedes-Benz mantém a liderança no setor de ônibus. Em setembro, a fabricante lançou uma campanha para empresas de ônibus divulgarem ações de combate à Covid-19.

O objetivo é incentivar o uso do transporte coletivo, após a queda no número de passageiros em todo o país durante a pandemia.

Relembre: Mercedes-Benz lança campanha para empresas de ônibus divulgarem ações de combate à Covid-19

Confira o ranking de marcas, de acordo com a Anfavea, no acumulado do ano:

1º) Mercedes-Benz: 5.058 unidades, queda de 35,4%

2º) MAN/Volkswagen: 2.797 unidades, queda de 32%

3º) Agrale (inclui os miniônibus da Volare): 1.130 unidades, queda de 35,6%

4º) Volvo: 342 unidades, queda de 37,4%

5º) Scania: 278 unidades, queda de 57%

6º) Iveco (inclui os miniônibus CityClass): 239 unidades, aumento de 8,1%.

EXPORTAÇÃO

Ainda segundo a Anfavea, a exportação de ônibus apresentou uma queda de 46% no acumulado do ano. No período de janeiro a setembro, a redução foi de 5.219 para 2.817 unidades.

Confira os números, na íntegra:

PROJEÇÕES PARA PESADOS

A Anfavea prevê que 2020 tenha uma queda acumulada de 36% no licenciamento de ônibus, chegando a apenas 13.500 unidades até dezembro. Em caminhões, a projeção é de 83.500 unidades, uma retração de 18%.

“Infelizmente em ônibus, com exceção de escolares, que tem um volume importante para ser entregue, nos setores de ônibus rodoviários e urbanos ainda temos uma queda muito importante”, afirmou o presidente da associação, Luiz Carlos Moraes.

Por sua vez, a perspectiva de exportação de veículos pesados é de 14 mil unidades, uma queda de 32%. Considerando o total de veículos, a previsão é de 284 mil unidades.

Segundo Moraes, a projeção é melhor do que o imaginado inicialmente, mas ainda muito aquém do necessário para diminuir a ociosidade do setor.

“Basicamente, isso é provocado pela Argentina, mas os demais mercados também estão com quedas substanciais”, considerou o presidente da Anfavea.

Com relação à produção, Luiz Carlos Moraes afirmou que a indústria vai manter um estoque justo, de acordo com a demanda, como tem acontecido nos últimos meses. Portanto, a produção não será para ter muitas unidades na fábrica na virada do ano.

Para veículos pesados, as perspectivas são de 95 mil unidades produzidas, considerando ônibus e caminhões.

PROJEÇÕES PARA MERCADO INTERNO DE AUTOVEÍCULOS

Para mercado total, considerando carros, caminhões e ônibus, a projeção da Anfavea é de 1,925 milhão de veículos produzidos.

O número representa uma queda de 35% sobre 2019, o que faz de 2020 o pior ano desde 2003, também considerando as categorias de veículos juntas.

Além disso, a expectativa da Anfavea para o mercado interno de autoveículos novos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) é de 1,925 milhão de unidades licenciadas neste ano, uma queda de 31% e pior resultado desde 2005.

Nas exportações, estima-se o envio total de 284 mil unidades, 34% a menos que no ano anterior, pior volume desde 1999.

Para o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, as projeções são um pouco melhores, com crescimento de 5% nas vendas, mas quedas de 4% na produção e de 31% nas exportações.

Além disso, a Anfavea também prevê uma preferência pelo transporte individual, o que pode aquecer o mercado de automóveis, mas prejudicar o transporte coletivo por ônibus.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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